Por Eraldo Boëchat para o RH.com.br 
Pessoas querem ser mais jovens, outras adultas mais depressa. Ainda outras querem não envelhecer jamais.
Mas, para que tanta insatisfação se o tempo não é algo "gerenciável"? Não há como negociar o tempo. Ele existe, passa e vai embora e você deve se adaptar a esta realidade.
Vivemos numa sociedade extremamente rápida, enérgica, cheia de compromissos e agendas que não cabem mais nada e, mesmo assim, temos que ter mais tempo para resolver os problemas.
O dia-a-dia sempre nos obriga a pensar que o tempo vai acabar e que não teremos mais oportunidades. Aliás, oportunidade tem sido a palavra chave para nos escravizar. Digo isto porque sempre protelamos o que temos de melhor do tempo e não nos damos conta do valor imprescindível que é a família. Deixamo-nos levar pelo corre-corre e pelas "obrigações" dentro das organizações e nos distanciamos do maior bem que temos em nossas vidas.
Sempre que se fala em família pensamos que damos atenção, nos dedicamos ou que fazemos algo que nos desculpe pelas insatisfações que deixamos em casa.
Já imaginamos o valor de chegar dez minutos mais cedo apenas para dar um abraço gostoso nos nossos filhos ou em nossa esposa e dizer-lhes: "estava com tanta saudade, ou com tanta vontade de vê-los, que decidi dar uma fugidinha mais cedo"? Provavelmente, não. Não podemos sair mais cedo. Somos escravos de nossas próprias decisões.
Quantos de nós não conseguimos negociar com nossos superiores o fator familiar? Quantos de nós não podemos sequer sair mais cedo porque o negócio não vai rodar?
Ora, se essa fosse uma verdade absoluta, as empresas quebrariam quando demitissem seus empregados e isso não acontece. E não acontece por causa do poder de adaptação que as organizações têm em serem seres mutantes, adaptáveis. Não podemos crer, piamente, que somos imprescindíveis e deixar de lado aqueles que são os verdadeiros negócios de nossa vida. Mesmo com eventuais desencontros causados por reuniões, viagens, etc., precisamos nos ater às reais necessidades que temos. Precisamos valorizar as prioridades que são perenes.
Não quero criar apologia às empresas, mas elas não são a razão de muita coisa que fazemos porém, antes, nos desculpamos em dizer o quanto temos que trabalhar, o quanto somos exigidos e, na verdade, isso não é bem a realidade que vivemos.
A competitividade deve nos trazer benefícios também. Ser competente para "criar" mais tempo, mais espaço para nos dedicarmos não só às necessidades da empresa, mas às nossas também. Acredito que um lar bem estruturado provê funcionários bem estruturados, cabeças tranqüilas para pensar, corpos dispostos a trabalhar. Na verdade, a empresa é quem vai "lucrar" com essa dedicação porque terá uma força de trabalho sólida, sadia. Profissionais que estão, durante o labor, dispostos a se doarem sem terem que se preocupar com o pessoal em casa o tempo todo por problemas gerados pelo furto de tempo em nossos familiares.
Não conversamos. Não participamos. De segunda à sexta-feira somos exclusivas máquinas de fazer dinheiro. Não dispomos de tempo e recursos para dedicar àqueles que estão ansiosos por essa pequena dádiva que nos é dada: a oportunidade de gozar o tempo. Estamos tão cansados ao final de semana que não dispomos de tempo para sair e nos divertir com eles. Enfim, não temos tempo.
Bem, se tempo é o que precisamos, quero ressaltar que precisamos aprender nas escolas onde estudamos como gerenciar melhor o tempo para não desperdiçá-lo.
Apenas me permita desdizer uma frase muito traiçoeira: "time is not money, time is happyness!".
Palavras-chave: | tempo | trabalho | família |
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