Por Benedito Milioni para o RH.com.br 
Aos fatos, pois! O zeloso gerente de RH de uma grande empresa, possivelmente pensando com os seus neurônios menos inteligentes, resolveu intervir no restaurante da empresa e determinou que o refresco fosse servido junto com a comida, assim que a pessoa tivesse passado por todo o balcão. Isso, porque o recipiente com o dito refresco, ficava logo na entrada do restaurante e as pessoas, enquanto aguardavam na fila, aproveitavam para tomar dois, três ou mais copos daquele líquido. O gerente de RH calculou, calculou, fez mais contas, somou, multiplicou, dividiu, quem sabe até apelando para o cálculo diferencial e integral e concluiu que, ao invés dos US$1.600 por ano, a empresa poderia despender apenas uns duzentos ou trezentos no máximo, com a compra do pó para o refresco e a adição de açúcar, água e gelo. Contas feitas, ordem para o restaurante: refresco só um copo por funcionário, servido junto com a refeição!
Um gênio, o moço, um gênio! Mas...
Depois de muito falatório, caras feias e reclamações por parte do pessoal da área fabril, ao que o "gênio" argumentava brandindo os seus números bombásticos, duas ou três semanas passaram-se e tudo foi dado como assunto encerrado, quando eis que acontece o inesperado: os índices de quebras de máquinas e suas conseqüentes perdas de homens/hora/trabalho e de produção levaram o gerente de fábrica a muito perto da apoplexia... e à sala do presidente! Eram números escandalosos, os quais foram justificados como insatisfações do pessoal fabril e retaliação pela modificação no critério para consumo do refresco, segundo ele próprio, o gerente fabril, conseguiu apurar junto aos encarregados e aos líderes de produção.
O escriba não dispõe dos números das perdas, mas recorda-se que o "gênio" foi posto para fora da empresa no minuto seguinte à reunião do gerente de fábrica com o presidente da empresa, o qual já estava atormentado com a galopante redução das margens líquidas da operação do negócio, por causa da baixa de preços praticados no mercado, no vácuo do enfrentamento da importação de produto similar, àquela altura liberada pelo governo e fato absolutamente novo em toda a vida da empresa.
Como ao articulista cabe apenas o exercício da crônica dos fatos, fica o convite ao julgamento do paciente leitor da coluna: o presidente da empresa deveria ter dito ao "gênio" que "Está tudo bem, meu filho! Liga não! Vá para sua sala e inventa outra redução de custos como esta!!?”.
Palavras-chave: | planejamento |
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