Por Kátia T. Fonseca para o RH.com.br 
Fazer um planejamento na carreira tornou-se um dos projetos essenciais neste ambiente que nos oferece quase que infinitos caminhos para o desenvolvimento. O objetivo deste texto é abordar todas as vertentes importantes para serem consideradas no momento de elaborar um planejamento de carreira.
O primeiro passo a ser relevado é entender que o planejamento da carreira é algo muito individual e pessoal. Há pessoas que possuem urgência maior e existem aquelas pessoas que estão comprometidas com outros projetos como, por exemplo, maternidade, busca de uma nova colocação no mercado, realização de cursos específicos ou mesmo o início de uma relação nova. Dessa forma, preferem deixar este plano de carreira para mais adiante. Entender que o momento de cada pessoa é um instante único, é primordial para nossa compreensão e para que cada um de nós entenda o seu momento, quando este chegar.
Entretanto, segundo João Almeida, deve-se ficar atento para identificar este momento e saber utilizar o verbo "esperar" no sentido de esperançar um novo tempo e não esperar um novo tempo. O novo tempo chega a cada segundo e não precisamos esperar por ele. Deve-se esperançar, no sentido de aguardar o momento correto, de forma antenada a ele. Ou seja, é ir atrás, persistir no que se quer e não desistir.
O segundo passo a ser compreendido é avaliar o que significa uma bela carreira sob o ponto de vista do indivíduo, para entender o que se busca ou aspira. Geralmente, o sucesso da carreira é medido por dois eixos, um de tempo e outro de posição hierárquica que se ocupa no trabalho e, em alguns casos, o quanto se acumulou de ativos. Porém, existem vertentes contemporâneas que mudam consideravelmente o significado de sucesso e de seus vetores. Segundo William Bridges (1991), neste atual cenário de mudanças aceleradas, os seres humanos transitam por elas, ou seja, a mudança é sempre externa e a transição é sempre inerente ao interior do homem. E, nesse contexto de transição, verificam-se outras vertentes relevantes que vão além de tempo, ativos acumulados e posição ocupada. São estas vertentes que esse artigo deseja mostrar.
O terceiro passo a ser identificado corresponde aos riscos que serão corridos ou não, em cada etapa deste plano de carreira a ser cumprido, olhando à frente e se orientando com coisas que fazem sentido e possuem significado para esta carreira. Para isso, é necessário possuir maturidade e saber negar aquela oferta de trabalho que se domina, mas que não se gosta. Mas se aceito for, por motivos financeiros, deve-se levar isto em consideração e salientar ainda mais o plano de carreira para a mudança tornar-se possível. Tudo muda no atual cenário. A única coisa que sobra no final é a empregabilidade. Contudo, o planejamento de carreira existe para cuidar da empregabilidade.
As organizações com a cultura mais moderna, fundamentada nos valores destes novos tempos, já entenderam esta complexidade e trataram de entender que seus colaboradores são indivíduos que vivem no século XXI e que precisam cuidar da sua empregabilidade, tratando, portanto, de se desenvolverem. Entendendo esta complexidade, a área de Recursos Humanos participa de todos os processos estratégicos da empresa que oferecem benefícios e incluem o desenvolvimento de seus colaboradores por meio de:
* bolsas de estudos para cursos de interesse pessoal ou de idiomas, mesmo que sejam parcialmente subsidiadas;
* universidade corporativa;
* orientação de planos de carreira individuais;
* fóruns de liderança;
* compreensão na ausência esporádica para cursos, ou mesmo, quando propicia o ambiente para o desenvolvimento através de encontros entre seus colaboradores de diferentes áreas, células e setores, para troca de idéias e experiências, assim como para os mesmos ampliarem sua rede de relacionamento.
Com isso, a organização está preparando e ajudando seu colaborador quanto ao seu desenvolvimento e preparo para o mundo contemporâneo e qualquer eventual saída da empresa. Sabemos que tudo muda em tempos globais, que as empresas fundem-se, compram-se, vendem-se e às vezes fecham. Nisso, o que sobra é a empregabilidade do indivíduo.
O quarto passo a ser considerado são as tais vertentes que caminham juntamente num só indivíduo. São elas: a vida; a saúde; os amigos; o trabalho e a família. Todas estas posturas adotadas misturam-se e se interagem na vida pessoal e profissional. Assim, pode-se dizer que o significado de sucesso passa para outro entendimento, segundo Victoria Bloch quando, por exemplo: o projeto que se elabora traz satisfação; o que se faz no trabalho é o que se gosta; os ciclos que se iniciam são concluídos, ou os projetos que se iniciam possuem fim e significado; o casamento está feliz; os filhos estão em paz; existe paixão naquilo que se faz e em cada amanhecer. É importante ressaltar que mesmo o sucesso, com todas as vertentes alinhadas ao plano ideal de carreira, estará susceptível aos problemas. Isso porque em tudo que se faz nessa vida existe o desafio do novo que chega juntamente com a tecnologia e invade a sociedade, mudando os seus paradigmas em velocidade constante e, logicamente, afetando mesmo aqueles que realizaram corretamente os seus planos.
O propósito mais comum que se busca num planejamento de carreira é descobrir qual a atividade que se gosta de desempenhar e se existe a habilidade consistente para ela. Quando se descobre o que é importante no trabalho, o verdadeiro motivo da satisfação do trabalho, o profissional encontra espaço para fazer a diferença, independente do lugar que ele esteja. Este é o significado de empregabilidade e a verdadeira razão do planejamento de carreira.
Palavras-chave: | carreira | profissão | plano de carreira |
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