Por Maria Bernadete Pupo para o RH.com.br 
Essa realidade desencanta justamente o jovem que sonha, como seus pais, entrar numa grande empresa como trainee, ser treinado e desfrutar do conforto e da segurança do emprego estável. Isso está se tornando raridade. Além da redução das contratações formais, muitos empregadores dão preferência aos funcionários experientes, justamente para não investir em treinamento. Enquanto isso, o jovem luta para conciliar o emprego, necessário para a sua sobrevivência, com o aprendizado acadêmico, indispensável para conseguir ou manter o trabalho.
Nesse contexto está circunscrito o processo de transição da idéia de emprego para o de empregabilidade. É um novo conceito, que consiste na capacidade de obter função e remuneração que independam de vínculos empregatícios. Diante dessa realidade, talvez um dos caminhos seja a educação para o empreendedorismo, como forma de preparação das novas gerações para o mercado de trabalho, tendo em vista o fato de que o emprego vem deixando de ser a única forma de obtenção de renda.
A mesma pesquisa do Dieese mostrou que as taxas de desemprego são muito inferiores entre os jovens com maior poder aquisitivo: 22,1% em São Paulo; 26,5% em Belo Horizonte; 31,1% em Recife e 34,4% em Salvador. Podemos deduzir que esses jovens recebem mais preparo e estímulo para a competição no mundo corporativo, o que lhes confere uma visão empreendedora mais definida. Isto pode ser atestado pelo índice crescente de empreendedorismo que se verifica em boa parte do mundo capitalista. No Brasil, o número de microempresas, que em 1996 era de 2,9 milhões, saltou para 4,6 milhões em 2002 (último dado disponível no IBGE). É um aumento de 55,8% em seis anos. Esse salto explica por que o Brasil está em sétimo lugar na lista de empreendedorismo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o maior instituto de pesquisa sobre o assunto do mundo.
Afonso Cozzi, professor titular da cátedra de Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (MG), aponta que, para o jovem talentoso, é um pesadelo a possibilidade de passar vários anos de sua vida num ambiente de trabalho sujeito a demissões e trocas de comando o tempo todo. Com isso aquele sentimento de fidelidade, tão praticado por seus pais, em que a falta de estabilidade era sinônimo de sujar a carteira, precisa ser, gradualmente, substituído pela busca de oportunidades.
É neste contexto e com este pensamento que o jovem empreendedor sai na frente. Para muitos, o questionamento "para onde vou ao sair da faculdade" já remete à idéia de buscar uma ocupação que independa de um emprego formal, o que vai nortear suas escolhas em cursos de extensão, pós-graduação ou mesmo o aprendizado de uma língua. Em todos os cantos há pioneiros que estão inovando, experimentando e reinventando novos estilos de vida, criando alternativas para administrar sua própria carreira e para se adequar a um mundo em constante transformação.
Neste contexto, os profissionais de Recursos Humanos devem ficar atentos quanto às mudanças ocorridas no mundo do trabalho e do emprego e suas implicações frente às organizações e às mudanças ambientais. Vale ressaltar que ao mesmo tempo em que este cenário nos remete a desafios, nos remete também a várias oportunidades de inovação, as quais estão relacionadas às práticas com as realidades das organizações através de políticas flexíveis de contratação de mão-de-obra, sejam elas de jovens empreendedores ou dos mais experientes.
O profissional de RH que conseguir enxergar vantagens e benefícios nas diversas formas de prestação de serviços, implementando sistemas com orientação para resultados, eficiência, criatividade e inovação, sem dúvida nenhuma sairá na frente.
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