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02/07/2007
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O lugar do psicólogo em Recursos Humanos

Por Priscila Barros para o RH.com.br

Acredito ser de fundamental importância, para nós, estudantes de Psicologia, no sentido de tornar nossa atuação um pouco mais crítica, e repensar sobre o lugar que nos permitimos ocupar dentro das organizações nas quais trabalhamos.

Nós, psicólogos, trabalhamos com o sofrimento, seja na clínica, na escola ou mesmo nas organizações. Sim, porque existe um “sofrimento” implícito no desempenho do trabalho, a partir do momento em que o indivíduo deixa sua casa, sua família, entre outras coisas para passar a maior parte do seu dia, com as mesmas pessoas, dentro de uma organização. Porém, como lidar com esse “sofrimento” de forma saudável, sem que haja a banalização do mesmo?

É nesta vertente que pode ter início nossa atuação. O psicólogo organizacional, mais que um profissional de recrutamento e seleção, mais que apenas um aplicador de testes e avaliações, é o profissional que detém as duas maiores ferramentas que trabalham o humano: o olhar e a escuta da acolhida. Sabemos que o primeiro acolhimento dá-se no seio da família e que, por outro lado, se esse acolhimento por algum motivo não acontece, torna-se mais difícil que aconteça também no trabalho ou em qualquer outro lugar.

Porém nós, profissionais do estudo do humano, sabemos também que todo indivíduo pode dar um resultado muito maior na medida em que se sente não apenas amparado, mas sim, ACOLHIDO. E como entender o sentido e a aplicabilidade da palavra acolhida, tão necessária em nossa atuação?

Pessoalmente entendo que, para que possamos almejar um bom resultado em qualquer organização precisamos primeiro ter a certeza do nosso próprio lugar dentro da empresa, da nossa identidade enquanto profissional que tem por objetivo as relações humanas. Saber o nosso lugar significa, então, estar em sintonia também com as expectativas, a cultura, a missão e todo o entorno que abrange o desempenho da função do psicólogo organizacional.

Não se trata de algo simples, assim como não é simples nosso próprio objeto de atuação. Trabalhar as dinâmicas das relações existentes significa antes de tudo, ter a consciência do homem enquanto ser social que é repleto de potencialidades que, por vezes, necessitam da amplitude de um olhar que, através de conhecimentos específicos e próprios da atuação, tornará possível a visibilidade e/ou constante aprendizado do indivíduo nas interelações com os outros e o meio que o cerca.

É certo que o psicólogo organizacional não desempenhará o papel de analista no dia-a-dia de sua atividade. Porém, sua formação e conhecimento da clínica serão de importante auxílio para a escuta e o olhar citados anteriormente. Ter a compreensão para buscar no ser humano, leia-se aqui como qualquer colaborador da empresa, aquilo que tem de melhor ou que possa ser desenvolvido, ou ainda, por outro lado, ser capaz de permitir apenas uma escuta acolhedora e sem questionamentos hierárquicos ou administrativos, é ter a certeza não só do lugar que ocupamos, mas também daquele que desejamos ocupar como profissionais.

Atualmente, vivemos num mundo que perde dia-a-dia sua percepção para a essência do humano. Nosso sistema capitalista aliado a conceitos como economia de mercado e Globalização alimenta a todo o momento, uma realidade onde o ter mostra-se muito maior do que o ser; onde a rapidez é a palavra de honra e o indivíduo que não conseguir adaptar-se, dizem os estudiosos do assunto, não terá lugar nessa nova sociedade.

Tal contexto traz para nós, futuros psicólogos, uma considerável carga de responsabilidade na medida em que, precisamos atualizar o conhecimento aprendido ao longo da formação a este sujeito do mundo atual, tão fechado e perdido em seus próprios mundos cada vez mais individualizados, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, são cada vez mais cobrados por lucros e resultados no mundo corporativo.

Sendo assim, caberá ao psicólogo o conhecimento não só dos conceitos e aplicações da Psicologia, sejam eles independentes de qualquer linha de atuação escolhida, mas sim, do contexto em que se encontra imerso assim como da organização em que se encontra inserido. Caberá, então, ao profissional da psicologia organizacional de hoje o olhar acolhedor não apenas para determinado colaborador, mas também para a empresa em si. Tal possibilidade torna-se necessária por estar intimamente ligada ao conceito de resultado atrelado ao chamado capital humano de cada empresa.

Assim, é hoje o profissional da psicologia organizacional o único capaz, a partir da acolhida e respeito da individualidade e potencial de cada colaborador da empresa, possibilitar a integração desta à estratégia também individual de cada organização no alcance de resultados e produtividade crescente.

Em nossa atuação, podemos fazer mais do que simplesmente nos contentar em desempenhar funções rotuladas ou estereotipadas. Devemos sim, ter a consciência de que o Diabo pode até mesmo vestir Prada ou Victor Hugo mas, a certeza por nossas escolhas e a percepção do lugar que ocupamos é o que norteará o nosso caminho, seja ele de perdas ganhos ou ambos.

Palavras-chave: | psicólogo | Psicologia |

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COMENTÁRIOS (2)
Adriana Bhangra Boechat em 16/11/2010:
Drª Priscila Barros, permita-me dizer que, a senhora é extremamente visionária com relação à àrea Humanista. Parece-me aliar, perfeitamente, a visão à competência. Adriana Bhangra Boechat. São Paulo SP

Viviane Vieira em 23/10/2009:
Parabenizo a Priscila Barros pelo artigo, pois o mesmo proporciona uma reflexão clara e objetiva sobre o verdadeiro papel dos Psicólogos que atuam nas organizações. Viviane Vieira - Psicóloga Organizacional Uberlândia MG

 
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