Por Luciana Priosta para o RH.com.br 
Em fevereiro de 2000, criado pelo design de jogos Will Wright, foi lançado no mercado o The Sims - um jogo eletrônico de simulação de vida, onde o jogador é encorajado a tomar suas próprias decisões. Em março de 2002, a Eletronic Arts anunciou que o The Sims era o jogo mais vendido do mundo.
Cada geração é produto de contextos históricos diferentes e tem seu próprio conjunto de valores e comportamentos. Em outras palavras: o mundo muda; as pessoas (e o que as motiva) mudam. Então, ao nos depararmos com o The Sims ou ainda com a Wikipédia e o Projeto Linux, devemos perguntar: que valores e comportamentos esses "fenômenos" respondem para sabermos o que motiva as pessoas dessa nova geração?
Segundo o professor da Fundação Dom Cabral Ricardo Carvalho em entrevista para o IT Web "é uma geração que chega com novos valores, novas formas de ser e as empresas não estavam preparadas para isso". Então, quem são eles? Quais são seus valores e como se comportam? O que empresas como Chemtech ou Petrobras percebeu sobre essa nova geração, que as colocaram em primeiro lugar no ranking da preferência dos jovens?
Tudo é o que eles querem e não se contentam com menos. Os profissionais da chamada Geração Y são ambiciosos e procuram por carreiras que lhes proporcionem um rápido crescimento e desenvolvimento profissional. Para isso, estão dispostos a adaptar-se sempre, pois para eles a única coisa certa é que as coisas mudam. Por conta disso demandam novas oportunidades para aprender e novas responsabilidades com uma frequência muito maior do que as organizações estavam acostumadas.
Considerando a circulação de novas ideias e a mudança constante, se bem gerenciado, esse profissional trará muitas vantagens para organização no que se refere à inovação e à competitividade. Mas atenção, não se trata de tudo a qualquer custo, pois procuram sentido naquilo que fazem e agem muito mais pela consciência do que pela obediência. E ainda conseguem fazer tudo com alegria, bom humor e informalidade.
Tudo ao mesmo tempo - Os profissionais dessa geração têm uma capacidade incrível para fazer muitas coisas ao mesmo tempo: eles terminam um relatório importante ao mesmo tempo em que tiram dúvidas com um colega pelo celular e conversam com um outro amigo no Google Talk. E sim, eles conseguem fazer isso sem perda de qualidade do trabalho e se equilibrando muito bem a vida profissional e pessoal, já que as duas têm a mesma importância para eles. Trabalhar por projetos que possam ser divididos em atividades com começo meio e fim e que lhes possibilite trabalhar em mais de uma coisa ao mesmo tempo é o ideal. Dessa maneira, as organizações podem potencializar ao máximo essa característica dos novos talentos.
Agora... Esses profissionais têm pressa e simplesmente não entendem um processo decisório lento ou ter que se envolverem em atividades que os façam perder tempo. Não espere que sigam regras bobas ou sem objetivo claro, e muito menos que se prendam a atividades muito longas ou repetitivas. Muito antes do que você imagina encontrarão um atalho para fazer a mesma coisa, mais rápido e com mais qualidade. Aliás, os profissionais dessa geração simplesmente não aceitam desempenho medíocre. A mudança é sobrenome da Geração Y e qualidade seu nome "do meio".
Políticas claras para ascensão na carreira, prêmios em forma de cursos de formação ou certificações técnicas, planos de comunicação claros e bem estruturados, gestão por competências, não há receita pronta. Mas, compreender melhor esses profissionais, seus motivadores e seus comportamentos levarão as organizações a encontrarem a melhor forma de retê-los. Mas, todos os profissionais serão assim? Há volta? São mesmo esses os profissionais que as empresas terão que gerenciar atrair e reter?
Em 2001, quando se discutia o estouro da bolha das pontocom, Don Tapscott, escreveu o artigo Rethinking Strategy in a Networked World (or Why Michael Porter is Wrong about the Internet). Nele criticava a posição de Michael Porter que defendia que a internet seria apenas mais uma ferramenta na mão das empresas e que a forma tradicional de se conceber a estratégia precisava ser resgatada já que a "nova economia" não existiria. Tapscott, por sua vez, dizia que a forte integração entre empresas e pessoas seria a característica de uma nova forma de economia, cuja expressão máxima era a internet e propunha que as empresas revissem seus modelos de negócio a partir desta nova perspectiva. Bem, parece que Tapscott estava certo e as características da chamada Geração Y atestam as transformações sociais que vivemos. São esses "caras" que vão gerenciar as empresas no futuro. Mas eles também podem ser bons agora. E estão batendo à sua porta...
Palavras-chave: | geração Y | crescimento profissional |



