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20/07/2010
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Vida e morte do executivo

Por Renato Bernhoeft para o RH.com.br

É no mínimo instigante - para não dizer trágico - o modelo de Executivo que o mercado de produtos e serviços está tentando produzir. E entre estas ações merece destaque tudo aquilo que é oferecido na linha intitulada de "auto-ajuda". Estas fórmulas "mágicas" estão criando um segmento de mercado com pessoas inodoras, incolores e insípidas ou como diria o filósofo esloveno Slavoj Zizek, "uma geração desprovida de sua essência nociva".

Já temos o café sem cafeína, cerveja sem álcool e cigarro com baixo teor. Então, porque não ter o Executivo Turbinado para estar sempre feliz, bem vestido, "sarado" e imune aos altos e baixos de uma vida pessoal e profissional cheia de desafios, ambiguidades, dúvidas e interrogações?

A cada dia ficção e realidade confundem-se. Não apenas porque a novela das oito mobiliza pessoas e debates sobre uma mistura que não faz diferença entre ficção, personagens e realidade. Os "Big Brother" tentam simular o que são, mas no fundo estão representando o que gostariam de ser. Da mesma forma que a CNN "cria" guerras e fatos antes, ou até em substituição, ao mundo real.

É cada vez mais uma sociedade do "chocolate laxante", que transmite uma ilusão de digerir algo que contém prazer sem sentir-se culpado por descuidar da silueta.
Para os executivos os programas, literatura, palestras, CD's , massagens, horóscopos, florais e outros tantos produtos ou serviços são a cada dia mais oferecidos como forma de evitar a dor da ambiguidade. Ou, no mínimo, uma capacidade de "fazer de conta" que está tudo bem, mesmo quando este não é o verdadeiro estado interior.

Muito breve deve estar sendo lançado no mercado algum programa típico de
"Descarrego Gerencial". E os mesmos que criticam e se escandalizam com os recursos da Teologia da Prosperidade utilizadas pelas igrejas pentecostais, ou os novos métodos empregados pela Igreja Católica numa tentativa desesperada de não perder seus fiéis, empregam recursos não muito diferentes na forma e conteúdo.

É claro que os produtores de auto-ajuda para executivos não aceitam esta comparação, pois seus produtos e serviços recebem outra "embalagem" para seduzir seu diferenciado cliente.

Utilizando uma reflexão de Maurice Blanchot, escritor e crítico francês, que faleceu em 2003, quando diz que "as respostas são a má sorte das perguntas". Para alguns pensadores, o escritor argentino José Luis Borges sintetizou na sua obra muitas destas ilusões, especialmente quando nos ensina sobre a futilidade dos sonhos de precisão total, de exatidão absoluta, de conhecimento completo, de informação exaustiva sobre tudo, mais especialmente sobre as ambições humanas que, no final, se revelam ilusórias e nos mostram impotentes.

 

Palavras-chave: | crescimento profissional | executivo |

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