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28/09/2010
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A escolha de Sofia

Por Tom Coelho para o RH.com.br

No mundo corporativo de hoje os profissionais são constantemente colocados à prova mediante dilemas que lhes são apresentados. Por exemplo, o que fazer quando a empresa exige tanto do executivo que ele tem que escolher entre a vida pessoal e a profissional?

Primeiro, vamos compreender o que é um dilema. Etimologicamente, trata-se de uma decisão entre duas alternativas contraditórias e mutuamente insatisfatórias. Você quer as duas coisas, mas só pode optar por uma. A escolha é tensa, árdua e, por vezes, dolorosa.

Em 1982, o diretor norte-americano Alan J. Pakula, à época já consagrado pelo filme "Todos os homens do presidente", que narrava a investigação do caso Watergate, comandou Meryl Streep e Kevin Kline na obra-prima "A escolha de Sofia". O filme contava a história de uma mãe polonesa que durante a Segunda Guerra Mundial é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto sob pena de ambos serem executados - um autêntico dilema.

De volta às empresas, quem disse que carreira e vida pessoal são faces de uma mesma moeda que não pode manter-se em pé? O equilíbrio, do latim aequilibrium, remete à manutenção do mesmo nível (aequus) das balanças (libra). Em suma, conciliar vida pessoal e profissional não é uma escolha de Sofia!

É importante compreender que estes dois universos são indissociáveis, ou seja, não há como separar um do outro, acreditando que o profissional, ao adentrar os domínios da empresa, deixará do lado de fora problemas como um filho enfermo, contas atrasadas ou relacionamento conjugal em crise, dedicando-se integralmente às metas corporativas com plena produtividade.

Decerto há momentos que nos exigem esforço e dedicação superiores. Horas de trabalho que avançam pela madrugada, por dias sucessivos, regadas a fast food e breves cochilos, negligenciando a família e os interesses pessoais. Tudo para concluir um projeto, desenvolver um produto ou conquistar um novo cliente. O problema ocorre quando um evento circunstancial como este se torna rotineiro.

Se você é solteiro ou está em início de carreira, é possível que aceite de bom grado assumir o papel de workaholic imposto pela empresa - ou autoimposto. E se sentir feliz e realizado com esta opção.

Porém, se as demandas corporativas estão além do que você gostaria, trazendo-lhe desconforto, assuma as rédeas da situação. Trabalhe com afinco durante sua jornada, aprenda a delegar tarefas operacionais e demonstre ao seu empregador que não é a quantidade de horas, mas a qualidade das horas trabalhadas o fator determinante para seu bom desempenho e o sucesso da organização.

Procure dialogar com seu superior hierárquico, determinando uma agenda positiva, capaz de atender expectativas da empresa e contemplar seus interesses pessoais. Porém, se ficar claro que a corporação na qual você está tem perfil patológico ou é liderada por pessoas que não enxergam nada além da última linha do balanço - apesar de toda uma retórica voltada à motivação e incentivo à qualidade de vida - considere buscar uma recolocação no curto ou médio prazo.

Lembre-se de que sua escolha não deve ser entre a vida pessoal ou profissional, mas entre ser feliz ou infeliz.

 

Palavras-chave: | qualidade de vida no trabalho | saúde | emoção |

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COMENTÁRIOS (5)
edivani luiza de oliveira cardoso em 16/08/2011:
Sábias palavras! Sou profissional de RH e realmente é muito dificil administrar os nossos conflitos pessoais e profissionais e ainda estar inteiro para solucionar os conflitos nas organizações. Conheço a história " A escolha de Sofia" e concordo contigo, entre a vida pessoal e profissional, não dá pra ser tão racional. Temos que buscar o equilíbrio para nos sentirmos 100% realizados e felizes.

regina celia reis em 22/03/2011:
Gostei do texto quando faz a relaçao com FILME. Mas, precisamos aprender sobre organizaçao e método. Ás vezes não temos esta cultura nas pequenas empresas, dai falta-nos tempo, ou seja, não aproveitamos ou não administramos bem nosso tempo. Então nos vemos nesta triste e cruel encruzilhada.

Leila Salomão em 01/10/2010:
O texto é bastante interessante, no entanto, como você me responderia no caso de colaboradores que se sentem receosos pela idade avançada e, com certeza teriam dificuldade no mercado de trabalho? Um forte abraço. Leila Salomão

CLAUDIO APOLONIO DE MATOS em 01/10/2010:
Achei importante destacar o valor do ser humano, não só o lado profissional, mas ambos. Que as organizações comecem a trabalhar com base nessa ideia do autor.

Gabriela Torres em 29/09/2010:
Concordo plenamente com a abordagem do artigo. Recentemente enfrentei um problema pessoal muito grave e, obviamente, minha instabilidade emocional refletiu no meu trabalho. Fiquei impressionada ao perceber que a expectativa das pessoas da empresa (principalmente os líderes) é que você, literalmente, abandone todos os seus problemas pessoais na catraca do prédio. Mesmo que inconsciente, esse é o senso comum nas empresas. E também percebo que nós só nos damos conta do quanto estamos envolvidos neste senso, quando somos as vítimas. Parabéns pela abordagem!

 
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