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08/11/2011
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Bendito é o negócio entre as mulheres

Por André Dametto para o RH.com.br

Está provado: promover as mulheres nas organizações traz ganhos para todos. Evolui a sociedade com um ambiente de negócios mais igualitário e ético. Trabalham melhor os funcionários, em um ambiente mais humanizado, com mais trocas e inovação. E lucram os acionistas, que obtêm lucros até 48% maiores que os concorrentes ao contarem com executivas no seu corpo diretivo, segundo pesquisa da consultoria McKinsey.

As mulheres são conhecidas pela habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e em um mundo que muda a cada instante e exige flexibilidade, elas saem na frente. Além de trabalhar o dia inteiro, muitas ainda têm de cuidar da ordem dos seus lares, por isso é menos comum vermos mulheres ficando até mais tarde no local de trabalho. E assim, produzindo o mesmo que os homens em menos tempo, tornam-se mais produtivas. Além disso, elas são mais preparadas: do total de pessoas com 12 ou mais anos de estudo no Brasil, 57% são do sexo feminino.

Apesar de todos estes méritos, segundo o Instituto Ethos os homens ganham em média 25% a mais do que as mulheres no Brasil, mesmo entre os profissionais que exercem a mesma função no ambiente de trabalho. Em 2010, apenas duas das 100 Maiores Empresas do Brasil eram lideradas por uma mulher. Em outros países a situação é melhor, mas nem tanto. Os Estados Unidos, por exemplo, têm 46,7% de sua força de trabalho composta por mulheres, mas apenas 3% dos CEOs das empresas listadas na Fortune500 são mulheres. Este é o fenômeno conhecido como "teto de vidro", o qual ninguém enxerga, mas está ali, impedindo que mulheres cheguem ao topo das organizações.

Muitas mulheres também não acreditam que possuem as mesmas chances de serem promovidas, o que diminui sua motivação de empreender esforços que levem aos altos postos. Outro fator que dificulta a ascensão de mulheres ao topo organizacional é o fato de muitas delas se dedicarem a formações acadêmicas mais humanas e menos tecnológicas, restringindo seu campo de atuação a trabalhos nos campo da saúde e humanidades.

Há também quem argumente contra a promoção da mulher nas organizações, justificando que a sua entrada no mercado de trabalho foi acompanhada pela dissolução das famílias, do aumento do desemprego masculino e, com isso, o aumento da violência. Países como a Holanda, onde paralelamente cada vez mais mulheres passaram a liderar empresas e a criminalidade diminuiu, estão aí para mostrar que esta correlação não existe. De qualquer forma, o que se defende não é a substituição de homens por mulheres, muito menos a dissolução de lares sem pais presentes para cuidar de seus filhos. O que se almeja é o equilíbrio entre pais e mães que trabalham e também se dedicam às suas famílias. Sim, isso pode ser viável, basta às pessoas uma verdadeira vontade de mudar, e às empresas estratégia, projeto e uma liderança que realmente invista no modelo.

Este projeto de diversidade é abrangente, pois precisa estar em diversas agendas: desde os presidentes dos países até os presidentes das organizações. Ao líder da nação cabe criar condições, para que meninos e meninas de todas as classes sociais tenham uma educação digna até o nível técnico ou superior, e possam competir de igual para igual no mercado de trabalho. Nas organizações cabe primeiramente o diagnóstico de seu estágio atual de diversidade, através de indicadores que permitam identificar lacunas e definir metas.

Estes indicadores também servirão para mobilizar as pessoas sobre a importância do projeto, que deve ser liderado pelo presidente, já que as resistências serão diversas. Esta mobilização pode ser feita através de treinamentos e ações de mentoring, a fim de educar todos na empresa sobre o projeto de diversidade. Posteriormente, a diversidade da empresa deve ser rastreada, passando por sua declaração de missão, visão e valores, regras dos processos, tecnologias, locais de trabalho, carga horária, e até mesmo pelo vocabulário organizacional. Termos sutis como homem-hora, por exemplo, trazem embutido um histórico de exclusão da mulher do ambiente de trabalho.

Um projeto deste teor significa uma forte mudança de cultura, o que implica confrontar o modelo patriarcal de sociedade existente há séculos, especialmente em culturas machistas como as latinas. Esta cultura está enraizada, inclusive em algumas mulheres, que ainda não se julgam capazes de liderar negócios. Como afirmou Simone de Beauvoir, ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Sendo assim, é feito o convite a todos, homens e mulheres, líderes e liderados, de significar o novo e necessário papel que a mulher pode ter na sociedade e nos negócios. A valorização da mulher no ambiente de negócios só tem a harmonizá-lo, mostrando que o poder não é apenas masculino ou feminino, mas a conciliação. Nossos netos agradecerão!

Palavras-chave: | mulher | mercado de trabalho | estilo de liderança |

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