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01/02/2000
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As dificuldades do mercado de trabalho na Terceira Idade

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Conquistar e garantir espaço no mercado de trabalho nacional. Este é um sonho que tem se tornado um grande pesadelo para muitos trabalhadores brasileiros. A situação complica-se, mais ainda, quando o trabalhador alcança a chamada terceira idade. Durante as próximas semanas, o RH.COM.BR estará abordando este tema, que para alguns profissionais de RH, é um assunto delicado e até polêmico. Para conhecer um pouco melhor a realidade desses trabalhadores que se encontram com mais de 60 anos, nossa equipe entrevistou a psicóloga Beatriz Magadan, da DRH Consultoria Ltda., empresa gaúcha de Consultoria de RH e de Colocação de Profissionais.

RH.COM.BR – Que vantagens e desvantagens a Sra. destacaria na contratação de profissionais jovens e nos que se encontram na terceira idade?
Beatriz Magadan – Para admissão de um profissional a empresa deve ter bem claro o objetivo pretendido com esse cargo e os critérios mais adequados para facilitar seu alcance. Com base nesse pressuposto e nas características culturais da organização é que o perfil da pessoa a ser contratada deve ser definido. Para cada situação há uma necessidade peculiar, e a idade X experiência pode ser significativo no processo. Não considero que a idade deva ser analisada isoladamente e, portanto, não identifico vantagens e desvantagens fora de um contexto específico de análise.

RH – Existe diferença na produtividade quando uma mesma função é exercida por profissionais com faixas etárias distintas?
BM – Na minha vivência profissional tenho identificado que faixa etária não se relaciona necessariamente com produtividade. Outros fatores são mais significativos do que idade no desempenho das pessoas, entre eles o vínculo do profissional com a empresa, o grau de satisfação com o seu trabalho, o desafio proposto pelo trabalho e a valorização que é dada ao profissional.

RH – É comum que algumas funções se tornem restritas ao trabalhador com a chegada da terceira idade?
BM – Eu atuo como consultora de Recursos Humanos, portanto, estou em contato com diversas organizações. Sem dúvida identifico algumas funções que levam em conta a idade da pessoa para a sua execução. Uma função que exige um grande esforço físico ou muita agilidade intelectual, normalmente é exercida por pessoas mais jovens. Por outro lado, funções que exigem experiência, organização e dedicação são também desempenhadas por pessoas de mais idade.

RH – A Sra. identifica dificuldades no relacionamento entre funcionários, quando um setor é mesclado por faixas etárias diferentes?
BM – Já tive oportunidade de identificar esse problema em algumas organizações, principalmente quando esse fato está relacionado à admissão de profissionais mais jovens em substituição a funcionários mais antigos da empresa. A dificuldade de relacionamento não se dá simplesmente pela diferença de idade, mas por fatores organizacionais que o desencadeiam. Entendo esse conflito como qualquer outro do âmbito organizacional, que deve ser considerado e administrado pela política de RH da empresa. Bem trabalhada, essa diferença pode ser um grande potencial a ser explorado pela organização.

RH – O mercado de trabalho brasileiro tem se mostrado preconceituoso em relação aos profissionais da terceira idade?
BM – Considero que sim. É comum as empresas incluírem a faixa etária até 35 anos como um dos requisitos para admissão. Penso que esse preconceito está associado ao culto à juventude estimulado pela mídia e à cultura brasileira de desvalorização dos mais velhos. Há no mercado o esteriótipo de que os mais velhos são menos produtivos.

RH – Geralmente, durante o processo seletivo, o item idade tem peso na escolha final do candidato?
BM – Infelizmente, em muitos casos, sim. Se tiverem dois candidatos em condições similares de competência, a menor idade pode ser o critério escolhido para a admissão. Isso ocorre justamente pelo preconceito e pela falta de percepção de que o mais jovem pode agregar mais valor à empresa, a longo prazo. Porém, se a empresa estiver sendo bem assessorada no processo seletivo, a idade mais avançada do profissional pode até representar um ganho significativo para a empresa.

RH – Na opinião da Sra. qual a tendência de comportamento do mercado de trabalho em relação aos profissionais da terceira idade?
BM – Com o desenvolvimento da consciência sobre hábitos de melhoria da saúde, o avanço da medicina e a conseqüente ampliação da expectativa de vida, o próprio conceito de terceira idade terá que ser redefinido. Assim, acredito que a tendência será também de maior aproveitamento das pessoas mais velhas sempre que a experiência for importante para a responsabilidade do cargo.

Palavras-chave: | Terceira | Idade | Marcado |

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COMENTÁRIOS (1)
roberto schiaffino em 17/09/2009:
Tenho sessenta e dois anos; divorciado; dois filhos independentes e aguardo modestíssima aposentadoria para ainda esse semestre. Curso de engenharia incompleto, militei na construção civil por quarenta anos, responsável inclusive por pessoa jurídica hoje desativada. Sei de meus recursos morais e intelectuais; do apreço que dedico ao trabalho e enorme desejo de servir! Difícil; muito difícil tem sido me expor; evidenciar conceitos que sei produtivos e levar-me ao patamar de efetivamente útil particpação no mercado!

 
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