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09/12/2008
RH » Carreira » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Qual o perfil do profissional de RH brasileiro?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

No momento em que realiza um processo seletivo, as organizações fazem questão de conhecer, ao máximo, o perfil dos colaboradores contratados. Mas, quais serão as características, os desejos, os receios, as reais necessidades dos profissionais que cuidam das pessoas, ou seja, de quem atua na área de Recursos Humanos. Esse foi um dos objetivos de uma pesquisa realizada pela ABRH Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), que conduziu a realização de uma pesquisa para traçar perfil do RH brasileiro.
O trabalho aplicou dois tipos de pesquisa: uma quantitativa e uma qualitativa, abrangendo quase todos os Estados do Brasil, o que totalizou de 1.979 respondentes. Segundo Cirlene Werneck, vice-presidente de Integração da Região Sul e de Educação Corporativa da Diretoria Executiva da ABRH Nacional, o profissional de RH atua mais nas áreas de Treinamento, Recrutamento e Seleção, Consultoria Interna e ainda em Departamento Pessoal. “Mais de 60% são psicólogos ou administradores e que os outros quase 40% têm formações variadas. Mais da metade tem especialização em Gestão de Pessoas e em torno de 20% possuem especialização em Gestão de Empresas”, complementa, ao enfatizar que se percebe no mercado uma maior valorização do RH e a conscientização destes profissionais quanto à responsabilidade da sua atuação e a conseqüente necessidade de estar preparado para dar as respostas que as organizações precisam. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Cilene dá detalhes sobre essa pesquisa que dá um norte para quem atua ou deseja ser um RH. Boa leitura!

RH.COM.BR - O que motivou a ABRH Nacional a realizar uma pesquisa sobre o perfil do profissional de RH?
Cirlene Werneck - Já há alguns anos a ABRH Nacional vem analisando a necessidade e a viabilidade de desenvolver o Projeto de Certificação do Profissional de RH. A diretoria executiva desta gestão definiu que este seria um dos seus projetos prioritários. Ao assumir a coordenação deste projeto, constituímos um grupo que, com a orientação do consultor Marcos Haschimoto, ficou responsável pela realização do Plano de Negócios deste novo serviço. Para elaborarmos o plano precisávamos de informações que pudessem subsidiar a sua formatação. A pesquisa, portanto, surgiu com este objetivo, não tinha o propósito de ser uma pesquisa científica.

RH - Quais foram os principais objetivos desse trabalho?
Cirlene Werneck - Conhecer melhor as áreas de atuação dos profissionais de RH, identificar suas expectativas de carreira e de desenvolvimento pessoal e verificar se os programas de qualificação disponíveis no Brasil estão preparando os profissionais de Recursos Humanos para responderem às demandas das organizações brasileiras. Queríamos saber também como está a qualificação nas diferentes especialidades de RH, se a perspectiva de atuação é de especialista ou de generalista, se havia demanda por certificação e qual é o perfil desejado para o profissional de RH.

RH - Qual a metodologia aplicada nessa pesquisa?
Cirlene Werneck - Fizemos dois tipos de pesquisas. A quantitativa com respostas fechadas, cujo questionário era respondido através da Internet e tabuladas automaticamente. Seu objetivo era atingir o maior número de profissionais de RH do Brasil. Foi dirigida a três diferentes públicos: profissionais de RH com cargo de chefia – para sabermos como vêem suas equipes; profissionais de RH sem cargo de chefia – como saber como eles se percebem e a prestadores de serviço para RH – para sabermos como vêem seus clientes. Tivemos retorno de quase todos os Estados do Brasil, em um total de 1.979 respondentes. Também realizamos a pesquisa qualitativa com oito respostas abertas para serem respondidas por pessoas consideradas formadoras de opinião na área de RH. Fizemos contato telefônico com 137 profissionais, explicando os objetivos da pesquisa e, na seqüência, enviamos o questionário que deveria ser respondido por e-mail. Destes, 52 responderam.

RH - Quais as principais conclusões que os dados revelaram?
Cirlene Werneck - Resumidamente, podemos afirmar que temos mais mulheres que homens na área de RH, com idades que variam entre 18 a 72 anos. Quanto à atuação um grande número de respondentes atua na área de Treinamento, Recrutamento e Seleção, Consultoria Interna e ainda temos muitos profissionais trabalhando em Departamento Pessoal. Mais de 60% são psicólogos ou administradores e que os outros quase 40% têm formações bem variadas. Mais da metade tem especialização em Gestão de Pessoas e em torno de 20% possuem especialização em Gestão de Empresas. Identificamos áreas e momentos em que o RH precisa manter especialistas, qual a percepção do RH quanto ao atendimento das exigências de atuação e em que medida os cursos disponíveis no mercado estão preparando os profissionais para atender a estas exigências. Finalmente, o que torna uma certificação valorizada pelas empresas e pelos profissionais de RH.

RH - Alguma "boa notícia" foi evidenciada nesse trabalho?
Cirlene Werneck - Muitas. Primeiro a percepção do profissional de RH de que precisa conhecer mais sobre Gestão de Negócios e a sua busca para melhor se qualificar. Os cursos de Tecnólogo de RH estão sendo bem vistos pelas organizações. Temos um número significativo universidades e instituições com cursos que trazem bons resultados para as organizações. São poucos os profissionais que responderam à pesquisa que não têm curso superior – menos de 2% - e mais de 75% possuem curso de extensão. Isso mostra que os profissionais de RH estão buscando formação e atualização para responderem às exigências do mercado. E finalmente que já temos no Brasil muitos profissionais com atuação diferenciada em RH, sendo valorizada pelas suas organizações.

RH - O auto-retrato do profissional de RH brasileiro surpreendeu a ABRH Nacional?
Cirlene Werneck - Não, como a ABRH está representada em praticamente todos os Estados do Brasil, tínhamos informalmente esta visão que foi consolidada com a pesquisa.

RH - Quais as principais preocupações do RH brasileiro em relação às empresas e ao próprio futuro?
Cirlene Werneck - Compatibilizar a gestão de diferentes gerações trabalhando juntas em uma organização é um bom desafio e a Gestão dos Talentos – atrair, desenvolver e reter - o maior de todos. Acredito que a preocupação seja que, em função da crise mundial, a capacitação e o de desenvolvimento dos colaboradores possam ser interrompidos. Este é um processo que demanda tempo e ação continuada para se colher bons resultados. Descontinuar estas ações poderá ser um grande retrocesso, e uma perda significativa de investimentos já realizados nesta direção. A redução de quadros também preocupa, pois há menos de três meses falávamos do apagão de talentos. Será que é o momento de abrir mão de pessoas que buscamos com tamanha dificuldade? Minha sugestão é de que, na medida do possível possamos reter os verdadeiros talentos e aproveitar a “ociosidade” causada pela redução da atividade produtiva, para melhor capacitar estes profissionais e para desenvolver habilidades que possam gerar inovação e melhorias nos processos. Para enfrentar a crise, precisamos de pessoas talentosas. Empresas bem-sucedidas já têm a consciência da importância das pessoas para o crescimento das suas organizações. Definir, portanto, uma estratégia de Gestão de Pessoas é fundamental para viabilizar as demais estratégias da organização.

RH - O RH brasileiro está preparado para ser um parceiro estratégico do negócio?
Cirlene Werneck - No nosso país, além da diversidade fantástica de empresas com diferentes ramos de atividade, diferentes constituições societárias, e de diferentes portes, situam-se em regiões de estágios variados de evolução. Isso confere a estas organizações diferentes graus de necessidade e de exigência que precisam ser respeitados. Temos organizações que contam com profissionais de RH somente para cumprir com as questões legais até organizações que possuem sim RH estratégico. O que se percebe é uma maior valorização do profissional de RH e a conscientização destes profissionais quanto à responsabilidade da sua atuação e a conseqüente necessidade de estar preparado para dar as respostas que as organizações precisam. Outra questão importante é que temos sim diversas atividades operacionais dentro da área de RH que precisam ser bem feitas para dar suporte e credibilidade para uma ação mais estratégica. Isso exige conhecimentos e habilidades dos diversos subsistemas de RH.

RH - No Brasil, o RH pode ser considerado um profissional generalista?
Cirlene Werneck - Questões como momento da carreira, estágio de gestão da organização e o papel desempenhado pelo RH interferem nesta decisão. O que a pesquisa mostrou é que a carreira generalista é mais valorizada após alguns anos de carreira e nos cargos de chefia. Porém, 20% dos profissionais com cargo de chefia disseram que a atuação generalista é sempre valorizada e 63% dos profissionais de RH sem cargo de chefia afirmaram que buscam desenvolver uma carreira generalista. Já a pesquisa qualitativa mostrou que em função da amplitude e da complexidade da área, o ideal seria termos especialistas e generalistas trabalhando juntos. Aponta também que hoje a atuação do profissional de RH é mais especialista, pois o perfil demandado pela maioria das organizações é tático operacional e não de estratégia, de inovação e de líder de mudanças e transformações. Porém sinalizam que a demanda por generalistas está aumentando, pois responde às exigências do mercado nas mais diversas áreas. Em geral, hoje os profissionais precisam conhecer o negócio e pensar estratégica e sistemicamente.

RH - Estamos prontos para a emissão de uma certificação na área de Recursos Humanos?
Cirlene Werneck - A pesquisa mostra que o mercado reconhece as certificações cuja prática dos profissionais certificados tragam resultados diferenciados para as suas organizações. A ABRH está montando estrutura própria para o desenvolvimento do projeto, mas é importante lembrar que este é um trabalho árduo que precisa de muito estudo, muita participação de voluntários e de um investimento financeiro significativo para ser implantado. Para que se tenha uma idéia da complexidade, a SHRM – Society for Human Resource Management iniciou os estudos para a Certificação do Profissional de RH em 1960 e somente em 1976 ocorreu a primeira certificação. Após 30 anos já certificaram mais de 150 mil profissionais de RH. Todos nós queremos que o processo seja rápido, contudo não vamos abrir mão dos padrões de qualidade estabelecidos, pois serão eles que darão credibilidade à Certificação do Sistema ABRH.

RH - Que benefícios a certificação trará para a área e as organizações?
Cirlene Werneck - O profissional de RH terá um selo de excelência com visibilidade no mercado. Ele terá a certeza de que está habilitado a conduzir processos e a tomar decisões acertadas nas principais dimensões de atuação do profissional generalista. Principalmente os mais novos que estão deixando de ser especialistas com este “selo” melhoram seu grau de empregabilidade o que, por sua vez, pode influir na eventual obtenção - não automática, evidentemente - de promoção. Neste caso haverá um retorno claro sobre o investimento feito na certificação. Num mercado ainda pouco profissionalizado a certificação representa um grande diferencial competitivo em relação a profissionais não certificados. Para as empresas, diminui fortemente o risco empresarial na seleção de profissionais de RH ao escolher uma pessoa certificada. Profissionais certificados significam maior competência, eficácia e produtividade da área de RH na empresa.

 

Palavras-chave: | Cirlene Werneck | ABRH | pesquisa | executivo |

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COMENTÁRIOS (4)
Thiago Lima em 03/03/2012:
Pesquisa de grande valia, me ajudou no trabalho e entendimento da profissão. Curso Gestão de RH, e achei muito interessante a forma abordada pela autora. Parabéns.

Roberto Santana em 20/01/2011:
Que bom! Esta matéria me ajudou muito, pois estou cursando Gestão em Recursos Humanos

Ana Paula Morais em 20/01/2009:
Muito interessante a pesquisa e de grande valia, principalmente para os profissionais diretamente ligados a área de Recursos Humanos, pois aponta novos rumos a nivel de qualificação e valorização profissional.

Carlos Domingos em 16/01/2009:
Como gestor na área industrial acredito trará um bom resultado para as organizações. Afinal é tempo de mudança. Parabéns pelo trabalho! Carlos Domingos

 
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