Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

Simpatia e disposição de sempre aprender algo a mais, a cada dia. Essas são apenas algumas das características de Nádia Menezes, gerente corporativa de Pessoas da Brasal Refrigerantes - empresa que representa a Coca-Cola e a Femsa no Distrito Federal, Sudeste e Nordeste de Goiás, Noroeste de Minas e Sul do Tocantins. Ela iniciou a vida profissional há 17 anos, na rede bancária, e já naquela ocasião sentiu que seu futuro estava diretamente relacionado a trabalhar com gestão de pessoas. O reconhecimento pelo seu trabalho surgiu naturalmente junto aos colegas de trabalho, à empresa e, recentemente, foi vencedora do concurso: Gestor de RH mais admirado do Sistema Coca-Cola Brasil.
Em entrevista concedida ao RH.com.br, Nádia Menezes conta como foi sua trajetória, o que a estimula a atuar na área, como também sobre um pouco de sua gestão diante da Brasal, empresa que ela considera como parte da sua vida, desde quando era criança. A história dessa profissional de Recursos Humanos é, no mínimo, um estímulo para quem já atua na área ou deseja ingressar no caminho de gerir pessoas como diferenciais significativos. Aproveite a leitura!
RH.COM.BR - Há quanto tempo a Sra. ingressou na área de Recursos Humanos e como isso ocorreu?
Nádia Menezes - Iniciei minha vida profissional na rede bancária e, costumo dizer que já estava predestinada a atuar em RH. Isso foi há 17 anos e já naquela época, mesmo como escrituraria, já cuidava de tudo que dizia respeito à área pessoal na unidade, onde trabalhava, encaminhando e recebendo da matriz documentos relativos à contrato de trabalho, controle de ponto, movimentos para folha de pagamento, treinamento, entre outras atividades. Em seguida, atuei em uma empresa de tecnologia, agora já diretamente na área de Relações do Trabalho. Nesta empresa e tendo me formado em Administração de Empresas acredito, desenvolvi um grande diferencial competitivo em RH: entender de números, de negócio e do quanto as pessoas fazem a diferença, sobretudo, quando se tem como estratégia de negócio a excelente prestação de serviços. Sem as pessoas e sem ter claramente a noção do quanto elas influenciam o negócio, como profissional de RH eu não teria ido muito longe. Em seguida, trabalhei em um grande grupo econômico de nossa região, a Brasal, e comecei exatamente pela área de Relações do Trabalho. O caminho foi longo, desafiador, mas muito gratificante. Assumi, em seguida, os processos de desenvolvimento, recrutamento e seleção e treinamento, e, daí para frente, foi só construção. Implantamos políticas e práticas de remuneração, de avaliação de desempenho, de gestão por competência, entre outros processos. Aprendi e aprendo todos os dias. Hoje, estou aqui como Gerente Corporativa de RH, atuando contributivamente para que nossas empresas alcancem os melhores resultados. Atuar em RH é ter a certeza de que o que sei e fiz até agora só me trouxeram até aqui. Amanhã é outro dia e a construção desse amanhã eu necessariamente comecei ontem.
RH - O que a fez optar por trabalhar na área de RH?
Nádia Menezes - A certeza e a crença pessoal de que como seres humanos temos um propósito de vida. Sempre gostei muito de me sentir útil, de ter a certeza de que contribuo com as pessoas que me cercam e, de que todos, todos somos capazes de contribuir com o nosso melhor. Sinto-me realizada como pessoa e, certamente, como profissional, quando observo na história de minha vida todas as pessoas que me ajudaram a ser o que sou e, todas aquelas que me dizem o quanto eu contribui com o que elas são hoje. É muito gratificante você ter, por exemplo, colegas de RH, que em um passado não muito distante, foram seus estagiários. Claro, que o mérito é deles, mas confesso: dentro de mim, no meu coração, olho e penso: "Nossa! Tem um pouquinho de minha contribuição nesse ser humano, nesse profissional fantástico".
RH - Na sua visão, qual o significado de ser uma profissional de Recursos Humanos?
Nádia Menezes - Significa que preciso apoiar a empresa com ferramentas e práticas adequadas de gestão de pessoas com o objetivo de desenvolver profissionais competentes que são e serão os pilares de sustentação do crescimento da companhia. Significa que preciso ter muito conhecimento do negócio, entender e participar da formulação das estratégias, olhar o detalhe e enxergar o todo e, sobretudo, cuidar e garantir que as pessoas que conosco estejam, percebam o quanto são necessárias e o quanto esperamos que façam diferença. E, para complementar, ser uma profissional de RH significa ter compromisso com o "Ser Humano", que existe em cada um de nós. Diariamente, no meu "balanço geral" - aquele momento em que fico comigo mesma - paro e reflito: "E, hoje, Nádia? Você atuou de maneira harmoniosa e coerente? Você respeitou as pessoas? Foi atenciosa para com cada um? Agiu com elas, conforme você gosta que ajam com você?" Se respondo positivamente essas questões, termino o dia com a sensação de dever cumprido.
RH - A Sra. sentiu dificuldades para ingressar na área de RH?
Nádia Menezes - Dizer que foi fácil não foi. Não tive problemas para ingressar, tive desafios de me manter e crescer. Como disse, anteriormente, iniciei minha carreira pela área de Relações do Trabalho, área em que tudo é foco em processo, burocracia positiva, racionalidade e cartesianismo, itens que são extremamente importantes dentro do universo de RH, mas que sozinhos, não nos faz crescer e não faz um RH funcionar. Assim como qualquer profissional, se não tivermos conhecimento do todo, as possibilidades de crescimento vertical na carreira ficarão limitadas. Quando assumi a área de RH de maneira integral, tendo que gerenciar outros subsistemas de gestão de pessoas em que o foco deixou de ser tão somente no processo, mas passou a ser necessariamente no comportamento humano tive que buscar muito conhecimento e, ainda hoje, não deixo de buscá-lo. Como sou administradora, fui entender um pouco mais de comportamento, fazendo minha especialização em gestão de Recursos Humanos, formando-se em coaching executivo e me capacitando em programação neurolinguística. E, é importante registrar, que o movimento de busca partiu de mim, porque na minha cabeça para gerenciar plenamente um assunto eu preciso entender muito bem dele e, preferencialmente, vivenciá-lo na prática. Aprender sempre é minha palavra de ordem, meu desenvolvimento depende preliminarmente de mim.
RH - Que recursos ou ferramentas a Sra. utilizou para desenvolver as competências exigidas pela área de RH?
Nádia Menezes - O recurso primário e necessário foi a vontade de fazer e de ver as coisas acontecerem. Acredito que quando temos um objetivo definido, uma missão a cumprir, a motivação está dentro de nós, basta que a localizemos. Por outro lado, querer, por si só não irá nos levar aos objetivos que temos e, portanto, precisamos nos planejar, definir etapas e ter metas muito claras de onde queremos chegar e, principalmente, como faremos. Tive sorte de contar em meu caminho com líderes que foram e são pessoas que admiro, que atuaram como verdadeiros mentores e parceiros do meu desenvolvimento, pessoas que realmente me inspiram. Tenho certeza de que eles também foram um recurso importantíssimo para que eu desenvolvesse, sobretudo, visão estratégica, conhecimento do negócio e gerenciamento de equipes. Aprendi vivenciando na prática a oportunidade de ter líderes que me motivaram pelo seu próprio exemplo e, finalmente, não posso deixar de citar como recursos a busca incansável do conhecimento e, sobretudo, a interação com as pessoas. Aqui, não tenho dúvida, foi e é a minha maior fonte de desenvolvimento de competência. Cada interação com as pessoas nos leva a ter que desenvolver ou potencializar uma competência ou muitas. E, registro, para mim o profissional que se diferencia é aquele que tem competência técnica apenas como um arcabouço de conhecimento, mas que é muito habilidoso e competente nos aspectos comportamentais. De nada adianta você saber tudo do ponto de vista técnico, mas não ter habilidade de compartilhar, de trabalhar em equipe, de atuar de forma sinérgica com as demais pessoas. O homem foi feito para interagir, faz parte de nossa natureza. Portanto, precisamos muito desenvolver competências voltadas para o relacionamento humano.
RH - Existe a possibilidade de Nádia Menezes mudar de área de atuação?
Nádia Menezes - Não digo que não, porque também sou uma pessoa que aprendeu a estar aberta às mudanças e conviver bem com elas. Tirar das situações de mudança aprendizado e crescimento. Entretanto, adoro o que faço e acho que ainda tenho muito a fazer dentro da área de RH como um verdadeiro parceiro estratégico da empresa, com vistas a ajudar a empresa alcançar seus resultados. Me energiza a dinâmica da área de RH. O nosso dia-a-dia que mescla de tudo um pouco, ora estamos focados nas estratégias de RH para apoiar o negócio, ora estamos desenvolvendo ou refinando políticas, ora estamos conversando com os colaboradores sobre questões até simples do ponto de vista empresarial, mas que do ponto de vista humano são muito significantes. Busco investir boa parte do meu dia para simplesmente ouvir as pessoas, entender o que as motiva, o que elas esperam da empresa, como elas se enxergam dentro do todo e dessas conversas tiro grandes oportunidades.
RH - De que forma a Sra. passou a fazer parte da equipe da Brasal?
Nádia Menezes - Foi num momento de verdadeira transição de vida. Havia casado há poucos meses, estava estável no meu trabalho anterior, mas incomodada com a estagnação. Tinha a sensação de que eu precisava alçar novos voos, me testar em outros cenários, aprender coisas diferentes, sentir-me de fato desafiada a pensar, a construir algo diferente. Foi aí que em um domingo, olhando os classificados de emprego, deparei-me com um anúncio fechado, mandei o currículo e fui chamada para a seleção. Foi uma surpresa muito feliz saber que era para a Brasal, porque para quem é ou foi criado em Brasília, ter a oportunidade de trabalhar na Brasal é uma satisfação. A Brasal faz parte da história de nossa cidade e, necessariamente de nossa vida. Crescemos tendo a Brasal como referência, porque é uma empresa sólida, confiável, competente. Lembro que quando menina eu ia à Brasal Veículos - foi a primeira concessionária Volkswagen em Brasília - com meu pai arrumar o carro e, nunca podia imaginar que um dia eu estaria participando da história dessa empresa e ela da história da minha vida. Minha vida sim, porque em dez anos de empresa não tem como não dizer que essa organização faz parte da minha vida.
RH - Como foi sua trajetória dentro da organização até assumir a gerência de RH?
Nádia Menezes - Como disse anteriormente comecei como analista de Recursos Humanos na área de Relações do Trabalho, no departamento pessoal em nosso maior negócio, a Brasal Refrigerantes - franquia Coca-Cola. Em pouco tempo, mais precisamente em três meses, assumi a coordenação da área. Dois anos depois fui indicada para assumir a equipe de Relações do Trabalho que atendia as outras empresas Brasal - Veículos, Combustíveis, Incorporações, Holding e Hotéis -, além do processo de Recrutamento e Seleção. Foi um desafio e tanto, já que eu tinha pouca experiência como gestora. E mais, não conhecia tecnicamente o subsistema Recrutamento e Seleção. Foi minha primeira grande vitória: gerenciar o Recrutamento e Seleção, além de melhorar os processos sem necessariamente tê-los vivenciado. Quando a empresa percebeu que o modelo apresentava resultados e, em uma mudança estrutural interna assumi a área com um todo e para todas as empresas. Isso foi há quase sete anos e hoje temos e continuamos a buscar sinergia e alinhamento das práticas de gestão de pessoas para todas as empresas, guardando, é claro, as características de cada uma, sua área de atuação, seu tamanho, sua capacidade de investimento.
RH - O que mais marca a sua gestão na Brasal?
Nádia Menezes - Acredito que a minha preocupação com o negócio, mas com o olhar voltado para as pessoas, a consistência técnica do que fazemos e a simplicidade no como fazemos sem, contudo, sermos simplistas. E, o meu desprendimento em relação a compartilhar tudo, desde a estratégia, passando pelo conhecimento e chegando às decisões. Para mim, as decisões compartilhadas nos levam a construir e a alcançar resultados muito mais consistentes.
RH - Quais os principais diferenciais da Gestão de RH da Brasal, se fizermos uma comparação em relação a outras organizações que atuam no segmento de distribuição de refrigerantes?
Nádia Menezes - A coerência de objetivos entre a empresa e os processos de RH, o não apego aos modismos, a simplicidade e a adequação das políticas e práticas de gestão de pessoas. Como exemplos, citaria alguns projetos: avaliação 360 graus, programa de desenvolvimento de lideranças e coaching executivo com foco em resultado.
RH - Recentemente, a Sra. recebeu o prêmio de Gestora de RH mais admirada no Sistema Coca-Cola Brasil. Essa premiação foi recebida com surpresa?
Nádia Menezes - Sim, sem dúvida. É uma honra participar e contribuir com a história de Coca-Cola no Brasil e, sobretudo, ter sido reconhecida no quesito "Inconformismo Construtivo". Para a Coca-Cola Brasil esse é o comportamento que se destaca por algumas características que admiro muito como: acreditar que sempre dá pra fazer algo diferente, que questiona positivamente o porquê das situações, que procura compreender e dar sentido aos processos, que se apropria da empresa como um verdadeiro dono transformando a crença no resultado em ações e planos reais com coragem para assumir riscos com o compromisso individual de buscar sempre as melhores soluções para os acionistas, os clientes e os colaboradores. Quando fiquei sabendo do prêmio pensei: "Nossa, as pessoas e a empresa me percebem assim?". Fui ao céu, com a certeza de que estou contribuindo. Durante toda minha vida fui muito questionadora, nunca deixei de perguntar o porquê das coisas, de procurar entender, de sugerir, de participar e, por muitas vezes, fui incompreendida, pois pessoas com essas características podem passar por chatas. Mas, quando recebi o prêmio, ele funcionou como um bálsamo em meu coração, de que o impacto que tenho causado tem sido positivo.
RH - O que esse reconhecimento profissional significou para a sua vida?
Nádia Menezes - A certeza de que aquilo que construímos até o momento precisa ter sustentabilidade e que a responsabilidade de fazer um RH que atenda e entregue resultados adequados ficou maior ainda. Significou também que humildade e simplicidade são atributos dos quais não devemos nos desviar e que respeitar as pessoas e trabalhar para integrá-las focadas em um objetivo comum é verdadeiramente um dos principais papéis de RH.
RH - Se hoje, um profissional no início de carreira perguntasse qual a "receita" para chegar ao sucessor na área de RH, que palavras a Sra. diria a ele?
Nádia Menezes - Encontre a sua real motivação como ser humano, pergunte a você mesmo quais são seus sonhos, aonde você quer chegar. Em seguida, encontre sua motivação dentro da missão de RH. Sempre acredite que temos algo a aprender e que conhecimento nunca é demais. Dedique-se às pessoas e saiba muito sobre gestão de negócios. E, acima de tudo, seja autêntico, seja você mesmo lançando mão de suas características diferenciadas e buscando corrigir suas falhas. Afinal, somos humanos e estamos aqui para nos desenvolver.
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