Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

Em muitas situações, principalmente as consideradas inesperadas, as pessoas manifestam comportamentos que surpreendem tanto a elas próprias quanto aos que estão presentes naquele momento. O lado comportamental é uma verdadeira "caixinha de surpresas" e pode ser considerado positivo ou não, dependendo da reação que o indivíduo manifesta. Isso, vale salientar, não é restrito apenas à vida pessoal. No campo profissional, por exemplo, são inúmero os talentos humanos que encontram dificuldades de desenvolver uma melhor performance e até mesmo chegam a entrar em conflito com a empresa e seus pares, porque não conseguem administrar bem suas emoções.
Quem enfrenta esse problema ou já presenciou algum colega "explodir" ou tomar decisões aparentemente incoerentes, sabe bem a repercussão que isso causa tanto ao profissional quanto à equipe que convive com ele. Diante disso, as empresas e as pessoas têm buscado alternativas para trabalhar o lado comportamental e uma das vertentes é investir no autoconhecimento. Isso porque através dele, a pessoa mergulha dentro de si, encontra respostas que as levam a adotar determinadas reações seja em casa ou no trabalho. Para falar sobre a importância do autoconhecimento para as pessoas, inclusive as que desejam uma carreira promissora, o RH.com.br entrevistou Orlando Pavani Júnior, consultor organizacional e especialista em Recursos Humanos. "O RH pode estimular o autoconhecimento, incluindo nos diagnósticos de necessidades de treinamentos anuais", defende Pavani, ao ser questionado sobre a contribuição que a área de Recursos Humanos pode dar a quem procura conhecer melhor a si próprio e desenvolver as competências comportamentais. Confira a primeira entrevista publicada pelo RH.com.br em 2010 e aproveite a leitura!
RH.com.br - O que podemos compreender por autoconhecimento, quando levamos em consideração o ambiente corporativo?
Orlando Pavani Júnior - Podemos afirmar que o autoconhecimento representa o verdadeiro renascimento, típico de um primeiro olhar inteligente sobre si próprio, como forma de justificar um aprendizado efetivamente recontextualizante e resignificante no relacionamento consigo e com todas as pessoas que o cercam, tanto no âmbito pessoal, familiar e preponderantemente profissional.
RH - Quem não investe no autoconhecimento, perde a oportunidade de desenvolver competências comportamentais?
Orlando Pavani Júnior - As chamadas competências emocionais só podem ser desenvolvidas quando são plenamente reconhecidas. É exatamente neste ponto que reside uma lacuna, uma vez que a grande maioria das pessoas intelectualizadas, especialmente sob o ponto de vista eminentemente acadêmico, sequer admite que este tipo de reflexão emotizada sobre si mesma pode trazer algum tipo de resultado positivo para sua vida. A lacuna de competência existente nas organizações não é mais técnica nem tampouco acadêmica, mas essencialmente comportamental.
RH - No momento, quais os principais recursos utilizados para quem investe no autoconhecimento?
Orlando Pavani Júnior - A psicologia e a psiquiatria sempre foram bastante exploradas, mas recentemente algumas técnicas alternativas têm sido muito mais utilizadas e com melhores resultados. Dentre essas, podemos destacar: neurociências, programação neurolinguística, análise transacional, emotologia, dianética, entre muitas outras que também permitem que a pessoa trabalhe e o autoconhecimento.
RH - Os profissionais que trabalham o autoconhecimento têm mais chances de garantir a empregabilidade?
Orlando Pavani Júnior - Sem dúvida que sim, No entanto, devemos destacar que o foco do indivíduo, prioritariamente, é o de estar em paz consigo próprio. Em decorrência desta paz conquistada pela pessoa, tudo fica mais fácil e menos estressante, mesmo que se esteja diante de um ambiente competitivo e sob pressão exacerbada, característica inevitável no mundo corporativo.
RH - Para obter sucesso na carreira, o profissional também deve focar-se no autoconhecimento?
Orlando Pavani Júnior - Claro que sim e isso é de fundamental importância. Uma pessoa, por exemplo, que não tem tempo para olhar sincera e profundamente sobre si mesma, não saberá compreender os fatos que acontecem em seu cotidiano nem tampouco replicar os sucessos e evitar os fracassos que porventura ocorram na sua própria vida.
RH - Qual a grande dificuldade que as pessoas enfrentam quando investem no autoconhecimento?
Orlando Pavani Júnior - Bem, eu destacaria principalmente a falta coragem de muitos indivíduos para esta viagem, para dentro de si próprio, que pode revelar um ambiente muitas vezes hostil e completamente desconhecido. Aceitar que tudo que acontece na vida de uma pessoa, tanto no aspecto positivo quanto negativo, é de absoluta e exclusiva responsabilidade dela própria. Aceitar isto nem sempre é tão fácil quanto parece. Por isso, surge o receio, o medo.
RH - Que fatores contribuem para que alguns profissionais desenvolvam o autoconhecimento?
Orlando Pavani Júnior - Enfatizo principalmente o encorajamento e a disponibilização de treinamentos que sejam vivenciais, em detrimento dos cursos teóricos tão comuns e que não possuem poder para alterar comportamentos que estão inseridos através de raízes profundas dentro das próprias pessoas.
RH - De que forma prática a área de RH pode estimular autoconhecimento entre os colaboradores?
Orlando Pavani Júnior - A área de RH pode estimular o autoconhecimento, incluindo nos diagnósticos de necessidades de treinamentos anuais, feitos normalmente em dezembro e em janeiro de cada ano. Podem-se instituir treinamentos que trabalhem este tipo de vertente e que submetam as pessoas a uma viagem para dentro de si próprias. Apenas para exemplificar, posso citar: o OT1 Awake - um treinamento de impacto motivacional e que combate o comodismo que atinge grande parte das pessoas; o OT2 Rising - que tem como objetivo oportunizar aos treinandos ferramentas que possibilitem descobrir seus sonhos e destruir todas as posturas e atitudes que o impedem de se realizarem e o OT Corporate - desenvolvido para empresas que desejam e precisam promover mudanças em seu ambiente organizacional, com novas formas de incentivo à suas equipes. Esses são exemplos de conteúdos vivenciais que o mercado vem adotando cada vez mais.
RH - Os líderes podem ser considerados agentes estimuladores, para que os liderados acreditem e trabalhes o autoconhecimento?
Orlando Pavani Júnior - Sem dúvida alguma. Os líderes são, ou deveriam ser os primeiros a darem seus próprios exemplos de entrega pessoal, para se submeterem a estes tipos de treinamentos. Se eles fizerem a sua parte, certamente os seus liderados se sentirão encorajados para se entregarem também ao processo de mudança, de autoconhecimento.
RH - Quais os benefícios diretos e indiretos que o autoconhecimento traz à carreira de uma pessoa?
Orlando Pavani Júnior - Os benefícios são vários, contudo destaco a felicidade, na acepção mais literal da palavra. O ambiente organizacional já comprovou que não existe profissional produtivo, de excelência, de alta performance, se ele não estiver feliz em todos os seus estados e circunstâncias.
RH - Uma empresa que estimula seus colaboradores a desenvolverem o autoconhecimento também é beneficiada?
Orlando Pavani Júnior - Com a minha experiência como consultor, cada vez mais observo que empresas bem-sucedidas têm pessoas, além de competentes tecnicamente, auto-motivadas e não motiváveis, fato este que só é possível com equipes formadas por pessoas que se desenvolveram, trabalharam o lado comportamental. É a diferença que está fazendo a diferença no ambiente corporativo.
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