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29/02/2000
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Com a palavra o RH

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Desde o início de fevereiro, o RH.COM.BR produziu matérias que abordaram os problemas que a terceira idade enfrenta no mercado de trabalho brasileiro. Entrevistamos consultores da área que analisaram a atuação, criatividade e produtividade desses profissionais em relação aos mais jovens. Relatamos o exemplo da multinacional Union Carbide que, em 1999, foi apontada como sendo uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil e que mantém, em seu quadro funcional, um elevado número de empregados com mais de 45 anos.

Em outra matéria, descrevemos um programa voltado para a terceira idade que foi desenvolvido pelo Grupo Pão de Açúcar. Esta iniciativa pioneira no setor supermercadista nacional oferece, desde 1997, novas oportunidades de trabalho para quem já alcançou os 60 anos e tem dificuldades de se manter no mercado.

Mas não somos os únicos interessados em abordar esse assunto que, ainda, é tratado com preconceito e discriminação por alguns setores da sociedade brasileira. A revista Exame, de 23 de fevereiro passado, publicou uma interessante reportagem intitulada "A Morte Começa aos 40". O texto revela que de janeiro de 1998 a novembro de 1999, os profissionais com 40 anos e com escolaridade de nível superior perderam 19.538 vagas nas empresas nacionais, enquanto que os trabalhadores de 30 a 39 anos, também com nível superior, conquistaram 10.179 vagas.

A terceira idade, também, foi escolhida, como o tema da nossa pesquisa mensal. Dessa maneira, mais uma vez, conhecemos as opiniões dos profissionais de RH que fazem parte da nossa comunidade virtual. O resultado desse feedback foi excelente, como infelizmente não podemos divulgar todas as opiniões - pois recebemos um grande número de mensagens - conheça a seguir algumas delas.

"Nós verificamos que as oportunidade para esses profissionais continuam escassas no mercado e as que surgem, na maioria das vezes, são para posições gerenciais, tornando a situação engraçada e interessante. Procuram-se profissionais que já sabem como dirigir uma empresa, subtendendo-se que esta experiência tenha sido adquirida durante os anos, mas não existe interesse em contratar profissionais acima dos 50 anos. É preciso compreender que estes profissionais têm disposição, gostam de desafios e são capazes de exercer qualquer função em qualquer área. Precisamos mudar esta tendência discriminatória em nosso país".
José Roberto da Silva

"Quando era estagiário em uma empresa de encaminhamentos (recrutamento e pré seleção), geralmente, as imposições feitas com relação à idade de funcionários partiam, muitas vezes, do pessoal de RH. Uma questão que acho pertinente, seria questionar aos profissionais de RH o que aconteceria com estes profissionais, com toda a experiência adquirida, se as empresas olhassem para estes velhos, como incapazes de serem produtivos. Devemos reformular nossa forma de pensar... passar de velho para experiente, pois velhos são objetos e não pessoas".
William de Jesus Pfeifer

"O tema é interessante, pois nos dias de hoje por mais que falem que não existe o preconceito, isto ainda ocorre. No Japão, quanto mais velha (experiente) - mais valorizada é a mão-de-obra. Por que no Brasil, quando as pessoas chegam aos 35 ou 40 anos não conseguem mais emprego?".
Alessandro Belcorso

"Acredito ser de extrema importância o aproveitamento de profissionais na 3ª idade, pois elas possuem algo muito importante que é a experiência. Porém, como estamos em constante mudança, adequação científica e tecnológica, temos que conduzir sabiamente o assunto, pois sabemos que existirão barreiras do tipo: isto não dá certo; já fizemos assim etc. Devemos dar oportunidade para que os mais experientes participem com suas sugestões. Temos que aproveitar esta experiência e adequá-las ao nosso sistema atual. Só assim teremos colaboradores motivados e participativos".
Elton Silva de Oliveira

"Há um grande preconceito sobre este tema. Acho que na hora que uma empresa requer funcionários, ela deve saber perfeitamente qual selecionamento que deverá efetuar, porque se for para um trabalho que necessite precisão deverá contratar o mais experiente, no caso, o mais velho. Mas, se for um emprego que passa por vários processos que requeira treinamento e recrutamento, principalmente se for sobre tecnologia, deverá ser o mais jovem, porque tem uma mente mais adequada para sofrer as mudanças obrigatórias".
Rodrigo Sabel

Palavras-chave: | Terceira Idade | Mercado de Trabalho |

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