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09/04/2007
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Viciados pelo trabalho

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Muitas pessoas são consideradas determinadas quando traçam objetivos, pois fazem de tudo para superar obstáculos - abdicam de momentos de lazer, destinam horas da sua vida aos estudos, têm constante preocupação com o desempenho em tudo aquilo que fazem, enfim, realizam uma série de ações que visam alcançar o sucesso principalmente no mercado de trabalho. Até aí, tudo bem, pois é perfeitamente compreensível que um indivíduo queira obter êxito, destacar-se dos seus pares e alcançar degraus cada vez mais altos dentro de uma corporação.

Se por um lado esses indivíduos são alvo de elogios e se tornarem fonte de inspiração para muitos profissionais, por outro podem extrapolar os próprios limites e serem considerados workaholics - viciados no trabalho. Por mais que a profissão seja importante para uma pessoa, é fundamental que o indivíduo reserve parte do seu tempo para realizar outras atividades que podem gerar prazer e aliviá-lo das tensões como, por exemplo, momentos com a família, práticas de esportes, uma leitura não relacionada obrigatoriamente ao trabalho, viagens, entre tantas outras. Hoje, torna-se cada vez mais comum encontrar profissionais que chegam à organização bem cedo, fiquem horas após o final do expediente e, ainda, ao chegarem à sua casa, sentam-se diante do computador para adiantar algumas atividades que podem perfeitamente esperar para o dia seguinte. E quando a área de Recursos Humanos convida o workaholic para acertar o mês que ele irá gozar do período de férias, isso logo o deixa de cara feia e com um péssimo humor, pois certamente a empresa enfrentará dificuldades com a sua ausência.

Mas, o que leva uma pessoa ser um workaholic? Os motivos são variados: competição movida pela ganância de dinheiro, vaidade, sobrevivência, alguma necessidade pessoal de provar algo à família, aos amigos ou a si mesmo, além, é claro do ritmo acelerado e acirrado do mercado corporativo. O foco da vida do viciado no trabalho sempre é a carreira, o sucesso, a glória, a fama, custe o que custar. De acordo com a consultora organizacional e especialista em aconselhamento de carreira, Maria Bernadete Pupo, algumas características marcam o perfil desse profissional, pois em primeiro lugar ele não se desliga do trabalho, mesmo fora do ambiente corporativo. Com isso, abre mão da companhia da mulher e dos filhos, dos pais e dos amigos, uma vez que seus melhores momentos são com pessoas relacionadas ao trabalho.

“Se lhes tiram o trabalho, arrancam-lhes tudo e essa pessoa não sabe o que fazer com o tempo. Sua compulsão pelo trabalho é tão grande, que uns dias de descanso representam um problema grave. A sua cabeça não consegue desligar-se do dia-a-dia corporativo e o workaholic só consegue descontrair-se quando, finalmente, regressa ao trabalho”, destaca Maria Bernadete. A consultora faz, ainda, um alerta e diz que o vício pelo trabalho tem manifestado-se também como um reflexo do aumento das constantes cobranças feitas ao trabalhador.

Essa exigência do mercado cobra da pessoa total competência, o máximo de envolvimento e lucro, além da constante superação do indivíduo. Tal situação faz com que o mercado estimule o aumento do número de viciados no trabalhado, que parece relacionar-se à carga excessiva de trabalho mental e de tarefas solicitadas nas mais diversas áreas. O reflexo dessa realidade faz com que o profissional sinta-se, em determinados momentos, apavorado por não conseguir manter sua energia física e mental adequada para seu desempenho na organização. Esse pavor é uma das formas em que se apresenta o sofrimento psíquico que pode ser representado de várias formas e uma delas é a compulsão obsessiva pelo trabalho, fazendo com que o sujeito não tenha controle de si mesmo, perca a referência entre a importância de trabalhar e se divertir.

Ainda não é possível padronizar as profissões que mais evidenciam a presença dos workaholics. Contudo, é notório que existem funções que são mais exigentes do que outras, destacando-se as que demandam mais disponibilidade de horários a serviço da empresa. Esse perfil é mais freqüente nos cargos executivos e de chefia com elevado grau de responsabilidade e em decorrência das exigências que são impostas no ambiente e que ultrapassa o limite de capacidade de adaptação. Dentre os fatores que resultam na sobrecarga no trabalho e que colaboram para evidenciar a presença dos workaholics, estão: urgência do tempo; responsabilidade excessiva; falta de apoio e expectativas contínuas do profissional e daqueles que estão à sua volta.

As conseqüências – Para Maria Bernadete Pupo, as exigências que o mundo do trabalho impõem ao profissional estão em algumas situações levando-o ao sofrimento psíquico, sendo que muitas vezes isso acontece sem que ao menos o profissional perceba. As cobranças constantes fazem com que o trabalhador apresente estresse elevado e o medo de fracassar o força a priorizar o trabalho em demasia, tentando superar a si próprio, tornando-o uma pessoa intransigente, sem paciência e com péssimo humor. Em alguns casos, os workaholics desenvolvem até doenças patológicas.

Quando questionada se o vício pelo trabalho é, de fato, uma doença, a consultora explica que o termo workaholic vem da língua inglesa, tratando-se de uma “gíria” derivada da palavra alcoholic, que quer dizer alcoólico. Recentes estudos de casos clínicos em consultórios psicológicos, comenta Maria Bernadete, concluíram que o vício no trabalho é similar ao vício do álcool ou da cocaína e a principal característica desse profissional é a compulsão. Para o workaholic, o trabalho torna-se uma verdadeira obsessão e em alguns casos é necessário o apoio psicológico.

Fugir do vício pelo trabalho - O ideal é que todo o indivíduo sempre procure manter o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional para evitar os males causados pelo excesso de trabalho. Porém caso haja esse descompasso, algumas manifestações podem facilmente ser identificadas, a exemplo de: esgotamento emocional; diminuição da sensibilidade afetiva; ausência do senso de humor, perda de memória, cansaço permanente, dificuldade para se levantar ao acordar; esgotamento profissional, sentimento de frustração, baixa auto-estima, perda da concentração, e constantes conflitos interpessoais tanto no trabalho como no próprio ambiente familiar.

Infelizmente, afirma Maria Bernadete, muitos profissionais acabam descobrindo o vício pelo trabalho quando é tarde demais, pois a rotina do dia-a-dia o consome de tal maneira que ele desconsidera, seus próprios sentimentos, estabelecendo mínimo contato consigo mesmo, para resolver seus conflitos. E, quando ele menos espera, vê-se abandonado por tudo e muitas vezes não há como recuperar o tempo perdido. “Pare, repense e reflita sobre sua vida e coloque um limite em suas ações enquanto ainda há tempo”, destaca.

O papel da área de RH – Como não poderia ser diferente, a área de RH deve ficar atenta ao comportamento dos profissionais e isso inclui os workaholics. Nesse contexto, profissionais de Recursos Humanos precisam empenhar-se no desenvolvimento de programas voltados à melhoria da qualidade de vida, no sentido de encorajar os trabalhadores a equilibrarem a vida profissional e privada. Em casos extremos, quando surgem problemas patológicos como insônia, estresse, alteração de humor, atitudes agressivas, pressão alta ou problemas cardíacos, os colaboradores devem ser encaminhados para tratamento clínico e, muitas vezes, psicológicos no caso de sintomas como depressão e síndrome do pânico.

Um exemplo clássico - Click, uma produção que inspira risos, mostra um caso de um viciado pelo trabalho que deveria ser visto com mais atenção por quem atua no mundo corporativo. No filme, o personagem principal Michael Newman, interpretado Adam Sandler, é um arquiteto workaholic e como não poderia deixar de ser, apresenta nível de estresse muito elevado. No decorrer do filme, ele decide a qualquer custo conquistar a aprovação do seu chefe com o objetivo de ser nomeado sócio da empresa.

Entre uma pausa e outra, Michael tenta dar atenção à família, porém não consegue ser verdadeiro. Sem que ao menos perceba, o trabalho acabou transformando sua vida, a qual foi pautada pela competição, pela vaidade, tornando-o uma pessoa extremamente mal humorada e sem paciência com tudo e todos. A história do personagem toma dimensões drásticas e ele acaba não só perdendo o “controle remoto”, mas o controle da própria vida, uma vez que já abandonado por tudo e por todos, envelheceu, adoeceu e quando acordou no leito de hospital, já era tarde demais. “Ao lado dos filhos e da ex-esposa, faz uma reflexão sobre o que fez da vida e se arrepende por não aproveitado os bons momentos, acompanhado o crescimento dos filhos, não ter vivido mais e permitido a si uma vida digna de vive”, finaliza Maria Bernadete Pupo.

 

Palavras-chave: | dependência | estresse | QVT |

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COMENTÁRIOS (1)
Luiz Carlos. em 21/01/2011:
Moro em uma pequena cidade de Minas Gerais, Muriaé MG, consegui um bom emprego em uma grande Transportadora nível Brasil, nesta cidade. Logo no começo, descobri através de um Gerente de uma das Empresas do Grupo que a intenção da Empresa era fechar todas as Filiais em cidades do interior. Pensei, logo agora que consegui um bom emprego, sou recém casado, é muito azar, e á partir daí, decidi que trabalharia dia e noite se possível, mas que faria com que a Filial se tornasse muito rentável para que nunca a Empresa viesse a fechá-la. E assim foi feito, trabalhei de sol a sol, Sábados, Domingos e feriados, sempre tive hora de entrada, hora de saída e quando era possível, normalmente entrava as 08:00 hs e saia 00:00. Consegui realmente manter a Empresa funcionando com um excelente faturamento por 16 anos, ganhei várias promoções que me fizeram chegar ao cargo de Gerente, vi inúmeras Filiais serem fechadas e a Filial que eu era o Gerente sempre forte. Mas em Outubro de 2002, eu que já vinha sentindo várias mudanças no meu corpo, de uma hora para outra, comecei a sentir que quando largava o trabalho, ao caminhar ao ponto de ônibus, sentia uma dor no peito, e que queimava bastante, foi assim por vários dias até que um dia, começou a acontecer durante o horário de trabalho, fui a uma Farmácia tentar um remédio, mediram minha pressão arterial, e decidiram que eu teria que procurar urgente um hospital, fui ao Hospital e ao chegar lá, fui internado as pressas, pois estava tendo um infarto. Sendo assim, a Empresa colocou alguém no meu lugar, em 2 anos fui Aposentadoo por Invalidez, alguns dias depois da minha Aposentadoria a Empresa fechou a Filial, e demitiu todos os funcionários. Fui a pessoa mais nova que teve infarto neste hospital. Hoje tenho 50 anos, estou há 6 anos Aposentado e sinceramente nem andar consigo mais, por isto falo que não vale a pena trabalhar deste jeito. Atenciosamente, Luiz Carlos de Freitas.

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