Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
A retenção de talentos é, sem dúvida alguma, uma das grandes preocupações da empresas que desejam conquistar espaço do mercado e garantir serviços de qualidade ao cliente. Isso tem levado inúmeras organizações a adotarem as mais variadas ferramentas em Gestão de Pessoas. Em 2010, por exemplo, o grupo Cercred adotou o job rotation - um recurso que permite a variação de atribuições ou rotação de trabalho que permite ao funcionário alternar as ações rotineiras, com atividades que resultam em aprendizados a partir da experiência adquirida em outros setores ou cargos.
De acordo com Vanessa Freitas, coordenadora de Recursos Humanos da organização, naquela época a organização precisava vencer dois principais desafios: reter talentos e reduzir o turnover. "Tínhamos excelentes profissionais, com visão do negócio e perfil para ocupar cargos que exigiam maior responsabilidade. Porém, pela ausência de oportunidades internas ou pela falta de divulgação das mesmas, estes colaboradores deixavam o Grupo Cercred em busca de novos desafios no mercado de trabalho", relembra. Foi justamente quando a companhia tomou a decisão de adotar o job rotation que tem como público-alvo todos os funcionários da empresa. No entanto, existe um pré-requisito: os profissionais precisam ter o interesse de aprender e enfrentar novos desafios.
O Grupo Cercred atua nas áreas de cobrança e recuperação de crédito. Fechou o ano de 2010 com um crescimento de 62,7% em relação a 2009, resultado atribuído à captação de novos clientes e à abertura de novas filiais em Fortaleza/CE e Palmas/TO. Em ritmo de expansão, o grupo chegou a Brasília/DF, sua 21ª representação, no final do ano passado. Atualmente, a companhia conta com 23 filiais em várias cidades do território nacional.
Na prática, o colaborador pode participar do processo de job rotation de duas formas: quando o gestor sugere a participação ou quando o próprio funcionário, geralmente, dirige-se à área de RH quando já existe uma oportunidade em aberto. Quando isso acontece, o profissional conversa com a liderança para comunicar que caso surja uma oportunidade, ele gostaria de ser lembrado e participar do programa.
Vale ressaltar que antes de assumir qualquer outra função na empresa, o colaborador passa por um processo de recrutamento interno composto por provas e entrevistas. Em seguida, o funcionário é transferido para o setor, assume o novo cargo e permanece no mesmo até que aprenda o máximo que aquela função pode lhe dar de novos conhecimentos, em geral durante o período de aproximadamente 18 meses.
A coordenadora de RH comenta que o job rotation não deve ser considerado uma simples transferência de função, mais sim um modelo de treinamento e aprendizado. Isso porque, a finalidade dessa iniciativa é permitir que o funcionário incorpore uma visão mais abrangente e dinâmica sobre a empresa, e com isso, aprimore-se no desempenho de suas funções de modo geral.
"O job rotation deve ser gerenciado de forma a dar lógica às mudanças de função. As áreas envolvidas no processo precisam ser preparadas, para que seja dado suporte ao profissional mobilizado para um novo cargo. É indispensável, para o êxito do processo, que os profissionais que vão ser encaminhados aos novos setores sejam previamente avaliados, no intuito de que se verificar suas aptidões e preparo para assumir novas tarefas. Assim, todos saem ganhando com a experiência, tanto a empresa, quanto o colaborador", afirma Vanessa Freitas, ao acrescentar que dessa forma a organização consegue trabalhar com profissionais com amplo conhecimento do negócio e que, no futuro, podem assumir um cargo gerencial com reais condições de sucesso.
O início - Quando o Grupo Cercred adotou o job rotation, a área de RH enfrentou um obstáculo: alguns gestores tinham o receio de ceder seus colaboradores para outro setor, como se estivessem perdendo aquela pessoa para o mercado de trabalho. Para realizar um trabalho de quebra de paradigmas, Vanessa Freitas cita que a área divulgou amplamente o programa, mostrando suas vantagens para a empresa e para o funcionário. "Conseguimos fazer com que os gestores comprassem a ideia", comemora a coordenadora de RH.
Quando indagada sobre os benefícios diretos e indiretos que o job rotation trouxe à empresa e aos seus profissionais, ela revela que o principal resultado já foi alcançado. Para se ter uma ideia, a empresa obteve uma redução da rotatividade: diminuiu 1,77% (referente ao período de janeiro a julho de 2011, comparado ao mesmo período de 2010). Além disso, 90% dos colaboradores admitidos pelo Grupo Cercred em 2011 já passaram pelo Treinamento de Integração Institucional.
Segundo ela, os colaboradores recebem o programa muito bem, ficam motivados por observarem que a empresa está investindo neles e dando uma real oportunidade de crescimento profissional. Ao definir diferentes posições para os colaboradores, avalia a coordenadora de RH, a empresa entende que, em novas funções, os profissionais passam a ter uma visão mais clara do funcionamento da empresa. Principalmente, por conta da natureza da atividade de cobrança, que reúne a atuação de profissionais de diversas áreas, ao mesmo tempo, e não apresenta uma formação específica. "O aprendizado especializado na área depende bastante da troca de informações e experiência entre aqueles que desempenham as tarefas", conclui Vanessa Freitas.
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