Armando Correa de Siqueira Neto 
Muitos dos problemas existentes numa organização podem ser oriundos da falta de comunicação ou das distorções nela contidas, tais como o re-trabalho, que pode ser evitado se as funções de cada colaborador forem informadas minuciosamente, cabendo sempre a sua atualização, dadas às mudanças cotidianas, através de novas comunicações; de liderança para seus subordinados e entre os próprios colegas. Outro exemplo é o clima que impera em determinados ambientes, onde as "panelas" disputam entre si o poder, onde acaba imperando um jogo silencioso, causando mal-estar constante.
A liderança finge que nada está acontecendo e permite que a situação se mantenha desta forma, por vaidade ou simplesmente pela inabilidade em administrar este bicho de sete cabeças que emudece e faz calar cada vez mais, provocando, de forma crescente, uma animosidade entre os funcionários, que acabam por se sentirem desamparados e ansiosos pelo risco do imprevisível que a situação provoca.
O estado de tensão constante provoca um aumento de estresse, desencadeando vários comportamentos, incluindo-se os bate-bocas tão comuns, rotatividade profissional, além do desestímulo em ter de acordar diariamente e se dirigir ao local de trabalho e não produzir como fora outrora. A falta de comunicação mantém o estado de alerta e não viabiliza os ajustes necessários para a sua remoção.
Um fato importante a ser lembrado é que constantemente estamos nos comunicando por variados meios além do verbal, tais como as expressões faciais, postura, escrita etc. Ao nos expressarmos, entramos em contato com o mundo, que nos devolve o que achou de nós, e assim nos constituímos a partir das impressões externas e sobre o refletido internamente (variando conforme cada tipo de personalidade). Caso encontremos dificuldade em manter estas atividades importantes de nossa personalidade, criaremos um mal-estar em nós, que em qualquer momento se insurgirá, não agüentando tal obstrução.
Situações como estas, e muitas outras, ocorrem com freqüência nas empresas e podem gerar uma ruptura ainda maior entre as suas divisões, departamentos e de pessoa a pessoa, o que influenciará diretamente a produtividade e os resultados, exemplificado no fluxo interrompido de informações internas entre os setores da empresa e externas, junto aos fornecedores, levando a um gasto superior (coisa evitável se houver previsão e comunicação de demanda, planejada momento a momento), e conseqüentemente, impedindo o direcionamento do capital para outros pólos prioritários, como o investimento tecnológico ou humano, quiçá em muitos casos, na própria sobrevivência.
Ao abordar a questão humana temos em mente o aperfeiçoamento ininterrupto e, sobretudo, a qualidade de vida deste profissional, seu bem-estar. Então, nos deparamos com a já conhecida situação de convivência humana fragmentada pelas falhas de comunicação existentes, levando-nos a buscar as soluções mais apropriadas para esta finalidade.
Para melhor evidenciar este cenário de desarranjo interpessoal, lançamos mão da pesquisa de clima, que abre portas para a expressão e compreensão dos anseios ou satisfações dos colaboradores. Tais resultados podem apontar sintomas da "doença" presente no corpo empresarial, devendo ser interpretado o mais imparcialmente possível, para abstrair o essencial e relevante na detecção dos fatos.
Isto posto, nos atemos em equacionar os entraves levantados, montando para isso, um planejamento de ações corretivas, nas quais, todo o pessoal deverá estar envolvido, iniciando-se pela devolutiva da pesquisa feita. Cônscios do mal que afeta individual e coletivamente, os colaboradores passam a ter certo alívio, à medida que compreendem mais claramente a porcentagem de participação nas causas geradoras dos problemas diários de relacionamento e se sentem motivados em atacá-las para recuperar ou aprimorar o seu nível de convivência e comunicação.
Algumas estratégias podem ser utilizadas conforme cada caso, a exemplo das dinâmicas de grupos com foco na construção grupal, nas vivências situacionais de liderança, no exercício da comunicação, no estimular a participação de cada colaborador nas reuniões e na coleta de sugestões para melhoria e solução de problemas.
Outra forma de trabalhar com esta demanda são as palestras, onde é possível apresentar quadros de funcionamento a respeito de liderança, entrosamento e formação de equipe e seus resultados superiores, além de apresentações feitas a partir das possibilidades da própria empresa, demonstrando as recompensas atingíveis quando a união e a harmonia estão presentes.
Uma ferramenta interessante e atraente é a utilização de filmes que contenham situações equivalentes às questões em pauta. Assisti-los e levantar os pontos-chave neles encontrados, faz refletir e ponderar acerca de si mesmos. Uma roda de discussão com propósito sério em resolver os seus problemas pode ser de vital importância.
Dependendo, a combinação entre os instrumentos estratégicos deve ser levada em conta e, sempre, procurando avaliar os resultados obtidos. O pessoal acaba comunicando sobre os efeitos obtidos e também sobre a necessidade de se continuar ou não as atividades de treinamento.
Problemas de comunicação devem ser avaliados sempre, gerando o hábito de impedir o seu retorno, mantendo livre a expressão de cada membro, criando canais de manifestação (jornal, rádio, correio internos, reuniões), realizando pesquisas de clima, propondo encontros de treinamento que antes de ser profissionais são humanos e dizem respeito à esfera gregária de nosso todo.
Ao tratar da comunicação estaremos solucionando, em muitos casos, antigos e persistentes problemas, que podem dar lugar a pessoas e ambientes mais leves e motivados, proporcionando mais e melhor de si, com produtividade e desenvoltura de quem percebe que é possível crescer e gerar crescimento conseqüente.
Palavras-chave: | pesquisa | clima | comunicação |
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