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30/06/2008
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A comunicação propagada não é a praticada

Mauro Benucci

Estou realizando uma pesquisa de campo, no qual o tema principal é a comunicação; uma vez que ela está mais eficiente em alguns aspectos, mas constato que em muitas outras situações ainda não é praticada. É o momento de pensarmos na comunicação que é propagada. No entanto, corremos o risco de termos o resultado de que nada mais tem de ser melhorado; de chegarmos à conclusão que ela já está pronta e embalada para o consumo de todos nós, o que é puro engano.

Cito um exemplo: depois de várias etapas de um processo seletivo em que restaram dois candidatos, não se sabia quem seria o escolhido; até que o avaliador teve a idéia de pedir um depoimento sobre um veículo que estava do lado de fora do escritório fazendo divulgação de um produto. A escolha foi para o pretendente que trouxe mais detalhes do que realmente aquele veículo estava anunciando. O candidato preterido relatou que havia um caminhão vendendo frutas, enquanto que o que foi escolhido relatou que o carro estava vendendo diversas frutas e que possuía um grande público interessado em comprar, e que provavelmente seria pelo preço e pela qualidade do produto.

Mencionei um exemplo de pessoas que concorreram a um processo seletivo, uma vez que meu interesse na pesquisa é de verificar na prática a dinâmica da comunicação, desde o envio de um currículo até a resposta final, isto é, se ela acontecer. Haja vista que, já ouvimos comentários de grandes empresas de que é impossível dar feedback para todos os candidatos, mas será que não seria conveniente este procedimento?

Outro tema em destaque são os e-mails, que também um grande número deles fica sem resposta. Quanto ao seu envio, talvez os mesmos tenham até sido solicitados, mas como a comunicação propagada não é praticada...

Um outro comentário que faço é do telefone, um meio rápido de comunicação e que até hoje não é bem utilizado. Quem já não ouviu “daqui a ‘x’ minutos você terá o retorno”? Porém esses minutos viram dias, semanas ou até mesmo meses.

Quero aqui deixar um ponto em destaque. A informação emitida para o receptor da comunicação é feita através da empresa ou do seu porta-voz e a falta dela faz com que a organização caia em descrédito. O intrigante é a quantidade de ocorrências nesse sentido, principalmente, o número para cumprir prazos aumenta em proporções assustadoras, enquanto que esse % deveria ser zero ou muito próximo a ele.

Vou relatar dois resultados de processo seletivo que acompanhei. Houve um candidato que teve seu processo de entrevistas inverso. Ele foi entrevistado por dois superintendentes de um grande banco e que já possuía autorização para contratação, restando apenas a complementação do procedimento, que era a encontro com a psicóloga de uma consultoria.

A psicóloga, na entrevista, reafirmou ao candidato que sua contratação já estava certa, restando essa última fase como um complemento final. Na ocasião, ela aproveitou o currículo do candidato para escrever as respostas de seus questionamentos. Chegou a um determinado momento que girava o papel até chegar à utilização dos quatro cantos da folha. Não seria conveniente ela ter um material adequado para suas anotações?

Ela possuía uma folha de perguntas e como não as tinha decorado, fazia a leitura e ao mesmo tempo “escondia” esse material no seu colo, embaixo da mesa. É claro que tal situação ocorreu nas doze perguntas. Fica evidenciado que a comunicação ficou truncada, sem o efeito principal que é o de solução. Ah! No final do processo ela reprovou o candidato. Só para lembrar: os superintendentes tinham aprovado a contratação e a psicóloga falou que o profissional já estava contratado restando apenas essa entrevista, porém o resultado foi outro.

Um segundo relato trata-se de uma consultoria de renome que ficou de se posicionar quanto ao processo seletivo no prazo de sete dias. O que realmente aconteceu? Informaram ao candidato que estava tudo certo, restando apenas agendar a apresentação junto ao gestor da empresa, e que seria nos próximos cinco dias. Mas, acredito que tenham esquecido de mencionar de que ano.

O mais interessante é que no desenrolar do meu estudo de caso e da coleta de dados, vejo constantemente o nome dessas empresas em sites de empregos, revistas de currículos, de headhunters, de Gestão de Pessoas etc. Isso mesmo, “Gestão de Pessoas!”.

Por isso insisto que a comunicação propagada fosse realmente a praticada. Será que já aconteceu fato semelhante com você, de esperar algum contato e não ocorrer? O que é necessário para que determinadas empresas se comuniquem com ética e transparência, disseminando isso para todo o seu coletivo? Afinal, a organização é representada por cada colaborador e naquele momento ele é a empresa, principalmente quando se comunica. Até breve, e boas conquistas!

Palavras-chave: | Comunicação | transparência | comportamento |

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