Por Gustavo Gomes de Matos para o RH.com.br 
"Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito etnorracial e socioeconômico com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial. O estudo, divulgado no dia 17 de junho, em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças" (fonte: Agência Brasil).
A transcrição da triste notícia acima chama a atenção para nós, profissionais de comunicação empresarial, atuarmos de forma mais explícita e expressiva, nos ambientes corporativos, para ajudarmos efetivamente a consolidar os princípios do respeito e da convivência das diversidades humanas. Todo comunicador é um formador de opinião, e, como tal, exerce uma crucial função educativa em ambientes tão impregnados por preconceitos, como o mundo corporativo, devido à competição selvagem, em detrimento da cooperação construtiva.
Algumas conceituações básicas poderão ajudar nossa reflexão: A percepção é o filtro da comunicação - a compreensão mútua só se dá quando somos capazes de compreender as diferentes percepções. A ampliação da percepção se dá através do processo de abertura para conhecer o desconhecido, a existência de outras possibilidades, de outras verdades. Para começar a conhecer algo novo, precisamos primeiro perceber que há algo que não conhecemos.
Todo e qualquer relacionamento está baseado em um processo de comunicação entre ambas as partes. Logo, se nos comunicamos melhor, nos relacionamos melhor. Se a questão se coloca na capacidade de comunicação então, o que precisamos aprender para superar as dificuldades e realmente desenvolver esta habilidade?
Para responder, é bom lembrar que não há percepção sem sensação. Perceber é conhecer através dos cincos sentidos. Toda informação é transmitida e recebida por meio dos cinco sentidos sensoriais. E como a percepção é o filtro da comunicação, então como primeiro aprendizado você precisa desenvolver a sua capacidade de percepção sensorial. Abrir mão de crenças e valores limitantes e reaprender a ver, a ouvir e a sentir o outro com profundidade. Desta forma, você estará respeitando o outro e estabelecendo uma relação de confiança.
O modo de relacionamento entre pessoas em um grupo de trabalho é determinado pela forma como as diferenças são encaradas e tratadas. Por exemplo: se houver no grupo respeito pela opinião do outro, se a ideia de cada um é ouvida, se os sentimentos puderem ser manifestados, então o relacionamento entre as pessoas tende a ser diferente daquele onde não existe troca de informações e aceitação do outro como ele é. Se as diferenças são aceitas e tratadas em aberto, a comunicação flui fácil em dupla direção, as pessoas ouvem as outras, falam o que pensam e sentem e têm possibilidades de dar e receber feedback.
Outro ponto importante é reconhecer a importância do feedback como um processo de ajuda para mudança do seu comportamento como um processo de crescimento para você e para o outro. Ou seja, o feedback sempre pode trazer benefícios mútuos, em uma dinâmica de reciprocidade plena.
Como disse Mario Quintana, em um dos seus belos poemas, "cada ponto de vista é a vista de um ponto". Vamos respeitar a maneira de ser, pensar e agir de cada um. Quando for o caso de um ponto de vista torto e preconceituoso vamos tentar mudá-lo pela força do exemplo efetivo dos valores éticos e humanos. Pessoas diferentes, com perfis, pensamentos e comportamentos diversificados, podem trabalhar juntas, voltadas para resultados e metas em comum.
Palavras-chave: | comunicação interpessoal | comunicação interna |



