Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
RH.COM.BR - Quando e como surgiu a idéia de implantar o Momento da Franqueza?
Cláudio Notini - O Momento da Franqueza surgiu no início de 99, com a iniciativa de alguns gerentes da empresa para estabelecer em seus departamentos um momento exclusivo para um diálogo mais aberto entre as chefias e os subordinados. O sucesso desta ação pôde ser medido com a satisfação dos funcionários, que gostaram muito da experiência e se sentiram muito motivados para expressar sem receios as suas opiniões. O Momento da Franqueza foi aceito pela maioria dos colaboradores como uma boa oportunidade para avaliar seu próprio desempenho, as atitudes gerenciais e pessoais do seu chefe, como também, colocar suas críticas quanto às decisões e práticas da direção da empresa. A partir deste resultado, a empresa adotou o Momento da Franqueza em todos os departamentos, e de forma sistemática sendo aplicado de dois em dois meses.
RH - Esta iniciativa surgiu em decorrência de alguma necessidade específica da empresa?
CN - Não. O Momento da Franqueza foi criado pelo compromisso das chefias em buscar inovações e práticas para uma melhoria constante do relacionamento interpessoal na empresa, principalmente, para incentivar a liberdade de expressão e maior aproximação de subordinados e gerentes no dia-a-dia. O maior intuito, a partir das primeiras experiências alcançadas, foi investir no clima organizacional para possibilitar um melhor o trabalho em equipe, aumentar a produtividade, a criatividade e a identificação de talentos para liderança.
RH - O Momento da Franqueza acontece a cada bimestre. Como estes encontros são realizados?
CN - O Momento da Franqueza acontece sistematicamente, mas sem rigorosidade quanto ao tema, tempo de duração e horários pré-determinados. Ele é realizado desta forma para manter sua legitimidade e descontração. Ele não deve ser encarado como uma reunião, mas sim, como uma conversa que trará bons frutos para ambos os lados ( empresa/funcionário). Cada gerente anuncia o Momento de Franqueza, e primeiramente, aguarda que o funcionário marque seu dia e horário espontaneamente. O funcionário que não toma a iniciativa é convidado para o diálogo. Isto funciona muito bem porque, geralmente, os funcionários com maior necessidade deste momento, são os primeiros a marcarem seus horários. Para o bom funcionamento desta ação, a chefia aguarda a iniciativa do colaborador, mas obviamente estabelece um período limite para sua realização. Assim, é possível avaliar os resultados e tomar ações para melhorias.
RH - A conversa entre chefe e funcionário não deixa o subordinado um pouco constrangido ou com receio de receber alguma reclamação, caso manifeste opinião contrária a do superior imediato?
CN - A experiência da RM Sistemas tem sido muito boa. Os primeiros Momentos de Franqueza foram marcados por certo constrangimento, receio e inibição, o que consideramos muito natural. Com o tempo, a maioria dos funcionários sentiu-se mais à vontade, e até realmente interessado em fazer o seu Momento de Franqueza. É necessário ressaltar que a implantação desta prática na empresa é uma medida muito séria, e que implicam riscos. Um risco alto é um resultado desastroso de uma conversa franca que pode gerar um saldo negativo de muitas críticas, avaliações depreciativas e até discussões por nervosismo e insegurança. A prática de um Momento de Franqueza depende basicamente do preparo das chefias para coordenar o processo e conduzir o diálogo.
RH - Então, o que é necessário para que uma iniciativa desta natureza tenha êxito?
CN - É imprescindível realmente adotar uma postura em que desaparece a hierarquia da empresa neste momento. Não existe chefe e nem subordinado nesta conversa, apenas duas pessoas que buscam um maior entendimento, cumplicidade e aproximação. Os comentários, críticas e opiniões apontados devem ser ouvidos com isenção do ego pessoal. Todas as colocações devem ser feitas, sobretudo, visando um entendimento e um resultado gratificante e construtivo. Muitas pessoas na RM, independente da hierarquia, melhoraram postura, forma de trabalho, visão do coletivo e ritmo de realização das tarefas em função destes diálogos "sem censura". Volto a repetir, é muito satisfatório e entusiasmante o resultado, mas exige maturidade e, acima de tudo, vontade de realizar ações mais democráticas. Nós, da RM Sistemas, estamos, felizmente, colhendo bons frutos da iniciativa.
RH - Caso o colaborador recuse conversar com o chefe, como a empresa procede?
CN - Este tipo de situação nunca aconteceu. No início aconteceram alguns adiamentos que consideramos naturais. Estas pessoas precisaram de um tempo maior para se prepararem para este diálogo franco e aberto. Alguns também preferiram ouvir a experiência de um colega antes de ter o seu Momento da Franqueza, porém ninguém se recusou a fazê-lo. Com esta postura aberta para o diálogo é difícil alguém recusar o diálogo. Em todo relacionamento, o diálogo e o respeito mútuo têm que estar presentes para dar certo.
RH - Que resultados e benefícios o Momento da Franqueza trouxe para a RM Sistemas?
CN - Além dos apontados acima, acreditamos que o nível de cumplicidade e comprometimento entre chefes e subordinados cresceu. Conquistamos um ambiente de trabalho ainda melhor nos departamentos e a comunicação está mais fácil. Um dos maiores desafios das pessoas é o de saber comunicar-se e expressar suas idéias. Acreditamos que o diálogo , principalmente, sem peso de cargos, é um dos melhores exercícios para aprimorarmos esta habilidade. Outro benefício muito importante é que estamos contribuindo para o crescimento pessoal de cada um que faz parte da RM Sistemas. Por exemplo, os funcionários estão, sem dúvida, mais motivados para se posicionarem com mais clareza e mais amadurecidos para buscarem o diálogo em todas as situações , até mesmo, em suas vidas pessoais.
Palavras-chave: | RM Sistemas | franqueza | comunicação |
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