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25/06/2007
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A comunicação no êxito do planejamento estratégico

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Apesar de cada indivíduo apresentar crenças e características que o diferem dos seus pares, sempre é chegado o momento em que ele precisa parar e entender o que ocorre ao seu redor. E isso não acontece apenas na vida pessoal, no meio social. Nas organizações, também é de extrema importância que as pessoas se relacionem umas com as outras, se façam compreender e transmitir de forma mais clara e objetiva as informações que norteiam os assuntos relacionados diretamente ao dia-a-dia organizacional. No entanto, nem sempre a comunicação interna acontece de forma eficaz e os resultados podem ser negativos para a empresa e, é claro, seus colaboradores.
Mas quem deve ser o principal canal transmissor durante um processo de comunicação que dissemine, por exemplo, a execução de um planejamento estratégico? Para o consultor organizacional Marco Antonio Lovizzaro, o líder deve assumir esse papel de agente central nas transmissões da comunicação e cabe à área de Recursos Humanos, quando essa possui uma atuação estratégica dentro da empresa, dar suporte de educador, de desenvolvedor de programas, de estruturador de canais e principalmente de sensor dos efeitos do processo, ou seja, do clima organizacional.
“O canal mais simples de comunicação interna é sem dúvida a liderança, mas existe uma regra de ouro nesta afirmativa. Os profissionais que vão receber as informações relacionadas a um planejamento estratégico, por exemplo, devem ter credibilidade e confiança na pessoa que vai transmitir, pois sem isso qualquer processo está fadado ao insucesso”, alerta Lovizzaro. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Marco Antonio dá ênfase à condução de um processo de comunicação interna, principalmente quando esse é voltado para a divulgação de um planejamento estratégico e que envolverá o futuro de todos que formam o organismo vivo de uma corporação. Aproveite a leitura!

RH.com.br - A preocupação com planejamentos estratégicos tornou-se uma constante para as empresas. No entanto, muitas não conseguem o êxito esperado. A falta de uma comunicação interna consistente pode ser apontada como um fator decisivo para esses fracassos?
Marco Antonio Lovizzaro - Primeiramente, é importante esclarecer que planejamento estratégico é uma das importantes ferramentas de Gestão Empresarial que temos neste mundo competitivo e globalizado dos negócios, mas que sozinha não consegue garantir a competitividade de uma organização, e como, planejar estrategicamente significa idealizar algo que ocorrerá no futuro, a comunicação passa a ser um instrumento poderoso para o que se idealizou possa ser efetivamente colocado em prática, ou seja, não interessa planejar se não conseguimos transformar o planejado em ação. Desta forma, a falta de uma política e, principalmente, da prática de um processo de comunicação é sem dúvida alguma, um fator que prejudica a implementação com sucesso um planejamento estratégico.

RH - Onde as empresas mais comentem erros ao executar um processo de comunicação interna?
Marco Antonio Lovizzaro - As organizações erram, porque na grande maioria das vezes, acreditam que apenas implementar um processo de comunicação formal é o suficiente, não levando em consideração os aspectos informais do processo, ou seja, o produto da relação interpessoal harmoniosa de todos na organização, que se não é o mais importante fator, é sem dúvida alguma a base para o sucesso da comunicação organizacional, que sabidamente deve ser baseada em confiança e credibilidade entre todos os interlocutores organizacionais.

RH - Geralmente, que fatores comprometem a comunicação entre empresa-colaboradores?
Marco Antonio Lovizzaro - Diversos podem ser os fatores, mas sem dúvida alguma, dois são fundamentais: falta de confiança e credibilidade. Estes dois fatores estão intimamente relacionados com a figura dos líderes de uma organização, pois são eles que representam o que ela significa. Se os colaboradores não confiam e não acreditam em seus líderes no presente, como vão acreditar na organização e o que ela pretende ser no futuro? Desta forma, ficará muito difícil não ser contaminada a relação organização–colaborador, criando muitas vezes barreiras subjetivas que impedirão o sucesso da implementação de um planejamento estratégico.

RH - Que participação os líderes devem ter em um processo de comunicação interna?
Marco Antonio Lovizzaro - A participação dos líderes no processo da comunicação é prioritária e fundamental, pois sem esta participação nada vai acontecer, pois gostaria de ressaltar que a liderança é baseada em exemplo, e as pessoas não acreditam mais em discursos, mas na prática do discurso. Se uma organização deseja ver as diretrizes definidas em um planejamento estratégico serem transformadas em realidade ou ação, tem que garantir que o discurso dos seus líderes seja adequado a essas diretrizes. Não adianta o líder informar que custo é um fator fundamental para o sucesso da organização. Caso, no dia-a-dia a preocupação demonstrada por ele ou por outros líderes não seja a de dar prioridade aos mesmos, fazendo crer que a importância dos custos se dará só no futuro e não na transição do presente para o futuro como estabelecido no planejamento estratégico.

RH - Os processos de comunicação são obrigatoriamente complexos?
Marco Antonio Lovizzaro - Na realidade o processo da comunicação não é complexo, pois vejamos: alguém transmite codificando a mensagem, alguém recebe decodificando a mensagem e depois retorna informando o que entendeu e assim por diante. Então, onde está a complexidade da comunicação? Está nas barreiras que filtram e distorcem o entendimento e nos pressupostos que vamos desenvolvendo ao longo de nossas vidas. Quanto mais barreiras e pressupostos, mais complexo será o processo da comunicação. Em grande parte das vezes, essas barreiras são internas, e os interlocutores não têm consciência de como elas foram desenvolvidas.

RH - Qual a origem dessas barreiras que comprometem a comunicação interna?
Marco Antonio Lovizzaro - As barreiras estão muito ligadas com as experiências passadas, diferenças culturais, preconceitos e, sem dúvida alguma, quanto mais barreiras existirem, mais complexo será o processo de comunicação. Então, para que possamos diminuir o impacto destas barreiras, é muito importante que possamos adquirir confiança e termos credibilidade em nosso interlocutor, sem isso nada será conseguido. É bom lembrar que a confiança e a credibilidade são adquiridas, principalmente quando ouvimos e interpretamos o que realmente nos foi comunicado, perguntamos com o objetivo de garantir o nosso entendimento ou o que o nosso interlocutor entendeu e temos confiança de praticar o feedback, sempre que necessário.

RH - Que canais de comunicação o Sr. considera 'simples', mas que podem fazer a diferença na divulgação de um planejamento estratégico?
Marco Antonio Lovizzaro - Gostaria de ressaltar, antes de efetivamente responder a esta pergunta, que a comunicação mais eficaz é a simples, quanto mais complexa for mais distorções teremos. O canal mais simples é sem dúvida a liderança, mas existe uma regra de ouro nesta afirmativa, ou seja, as pessoas que vão receber as informações relacionadas a um planejamento estratégico tenham credibilidade e confiança na pessoa que vai transmitir, pois sem isso qualquer processo está fadado ao insucesso. E esta comunicação pode se dar em reuniões que reúnem gerentes e subordinados, realização café ou almoço com executivos, eventos de negócio, encontros de comunicação e no dia-a-dia da relação líder-colaborador.

RH - Em que momento a área de RH deve ser solicitada para participar da comunicação interna?
Marco Antonio Lovizzaro - Acredito que isso depende muito do estágio de desenvolvimento que a área de Recursos Humanos se encontra na organização. Sempre acreditei que a principal responsabilidade pela comunicação em uma organização é do líder. O profissional de RH deve ter um papel de suporte, de educador, de desenvolvedor de programas, de estruturador de canais e principalmente de sensor dos efeitos do processo, ou seja, do clima organizacional. Se o estágio da área de RH já é o estratégico, esse deverá participar desde o início do processo de planejamento para entender, orientar e suportar os líderes a estruturarem as mais adequadas formas de comunicar as estratégias estabelecidas.

RH - Sem a presença inicial do RH, a comunicação interna corre risco de fracassar?
Marco Antonio Lovizzaro - A presença do profissional de RH é importante, sem dúvida alguma para o sucesso de uma comunicação interna bem feita, afinal o RH tem o papel de dar suporte ao líder e se esta responsabilidade não for bem exercida, o resultado poderá não ser o mais adequado. Mas, a responsabilidade maior pelo sucesso da comunicação interna é e continuará sendo do líder, uma vez que a ele cabe a maior parte da culpa pelo fracasso ou pelo reconhecimento do sucesso. A efetividade desse processo não vai ser medida pela forma, mas pelo conteúdo, e quem transmite o conteúdo é o líder. A forma pode ajudar ou dificultar, mas não será decisiva para o sucesso, o conteúdo sim.

RH - A 'rádio peão' é uma ameaça para a comunicação interna?
Marco Antonio Lovizzaro - Como mencionei no início da nossa entrevista, a comunicação formal sozinha por melhor que seja estruturada não é garantia de sucesso. O desenvolvimento da comunicação informal é fundamental, pois através dela é que o entendimento correto do que se quer comunicar será atingido, os indivíduos se aproximam, as barreiras hierárquicas são diminuídas, e, é através da comunicação informal que a credibilidade e a confiança são conquistadas. Logo, se esta comunicação informal não for eficiente, aparecerá imediatamente a comunicação clandestina, ou mais conhecida como “rádio peão”, que terá como objetivo principal distorcer os fatos, criar ruídos, dificultar o entendimento correto do que se comunicou, atender a interesses individuais e não coletivos, e assim por diante. Se quisermos ter um processo de comunicação interno saudável, devemos investir muito esforço na comunicação informal para que ela seja a melhor possível, diminuindo assim, a importância e o impacto da comunicação clandestina ou “rádio peão”.

RH - Isso significa que as informações extra-oficiais devem ser podadas radicalmente?
Marco Antonio Lovizzaro - Não acredito em radicalismo na relação humana, dificilmente conseguiremos eliminar de uma só vez as informações extra-oficiais, podemos, isto sim, diminuir a sua importância, ou torná-la desnecessária, e substituí-la pela comunicação informal, cujo principal objetivo deve ser o de ajudar a esclarecer e enfatizar as informações oficiais e diminuir as barreiras entre as pessoas no dia-a-dia do ambiente de trabalho, e isto será alcançado quando existe ação efetiva e ela é coerente com o discurso. Para encerrar esta entrevista, gostaria de reforçar que o processo da comunicação é simples, o difícil é manter coerência entre o nosso discurso e prática do mesmo, só assim a sensação de coerência será transmitida e como produto mais importante o desenvolvimento da confiança e da credibilidade.

Palavras-chave: | Marco Antonio Lovizzaro | comunicação | estratégico |

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