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05/10/2009
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Talentos norteados por feedbacks

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Raro, muito cobiçado pelas organizações que se destacam no mercado, visto como privilégio de poucos, ambicionado por muitos profissionais que têm uma visão inovadora, gostam de enfrentar desafios e ficam longe da zona de conforto. Esse "produto" do meio corporativo certamente já foi ouvido uma quantidade incalculável de profissionais e é denominado de feedback - um processo que permite que o colaborador saiba exatamente o que a empresa deseja dele, as competências que ele precisa desenvolver, o caminho que pode trilhar para obter uma melhor performance, bem como os seus pontos fortes.

Contudo, para que o funcionário tenha consciência de todos esses fatores, ele necessita manter com a organização um canal aberto, transparente e direto. Isso, na prática, ocorre quando os gestores estão aptos para conduzir o feedback. Ao contrário do que muitas pessoas possam imaginar, esse processo não é aquele temido momento em que o superior chama o subordinado para dar uma "bronca", tecer críticas infundadas e menos ainda dar um simples conselho. O feedback vai além - passa informações valiosas para o colaborador, que o faça ser um diferencial estratégico para o negócio.

Para analisar os fatores que permeiam esse processo, o RH.com.br, entrevistou Denise Vieira, psicóloga que atua como gerente de Recursos Humanos na empresa Nova Piramidal Termoplásticos Ltda. "Atualmente, usamos o processo de feedback atrelado à avaliação por competências. Os resultados são positivos, pois os colaboradores sentem que são importantes para a empresa e que a organização está preocupada com o desenvolvimento e o crescimento de cada um", comenta a gerente de RH. Na entrevista ela enfatiza a importância de se conduzir o processo de forma adequada e menciona a importância das lideranças nesse contexto. Confira a entrevista na íntegra logo abaixo e aproveite a leitura.

RH.COM.BR - Qual a importância do processo de feedback para as organizações e a área de Gestão de Pessoas?
Denise Vieira - Nos dias de hoje, na Era do Conhecimento, se a empresa não tiver uma política de Gestão de Pessoas adequada, dificilmente sobreviverá. Quem faz o sucesso da empresa são as pessoas e são elas, as pessoas, o ativo mais valioso de uma organização. Uma empresa de sucesso consegue obter os resultados organizacionais almejados através das pessoas e é neste momento que uma boa Gestão de Pessoas faz a diferença, pois fica impossível obter êxito, sem a utilização deste instrumento tão essencial que é o feedback alinhado à avaliação de desempenho. As pessoas precisam saber onde estão e para onde elas devem ir, a fim de chegar ao objetivo proposto e o feedback é uma ferramenta poderosa para nortear o comportamento de cada colaborador. O feedback é necessário, pois as pessoas não têm certeza de que todas as ações ou os comportamentos que estão tomando são, realmente, os recursos que irão dar o resultado adequado.

RH - Então, o feedback tornou-se fundamental na vida das pessoas?
Denise Vieira - É através desta técnica que as pessoas certificam se estão realizando corretamente ou não. Todos nós temos objetivos e sem feedbacks, ficamos: sem informação; se estamos atuando corretamente; se atingimos ou não a meta ou o resultado. Sem feedbacks, corremos o risco de ficar repetindo comportamentos desnecessários e improdutivos. Enfim, nossa vida é norteada de feedbacks. Recebemos feedbacks positivos e negativos sobre nossos comportamentos desde criança, mas na vida profissional o feedback deve ser utilizado com técnica e direcionado para o crescimento profissional e pessoal de cada colaborador em prol do sucesso da organização.

RH - Quem deve conduzir o processo de feedback é sempre o gestor?
Denise Vieira - Digo que, geralmente é o gestor. Pois, é ele que tem condições de compreender a situação como um todo e também por conhecer o colaborador, afinal de contas é o seu subordinado. Toda empresa tem suas diretrizes, sua missão e uma visão, ou seja, onde ela está e onde pretende chegar, o que pretende alcançar e o papel do gestor é traçar o caminho para que esta visão seja alcançada. Não é a empresa que alcança a visão, mas sim seus colaboradores. O feedback dado pelo gestor neste sentido é a base para esta realização, pois cabe ao gestor transmitir a informação ao colaborador, sobre o caminho, o objetivo a ser alcançado e o desempenho que ele precisa ter para atingir o alvo. O colaborador deve entender e compreender a informação passada pelo gestor e em seguida, agir para que a meta proposta seja realizada. Durante a trajetória, é papel do gestor passar a informação, dando o feedback, ao colaborador se ele está tendo um desempenho correto ou errado. O colaborador deve saber que ele precisa seguir adiante se estiver agindo corretamente em direção ao alvo, visão da organização, ou mudar de atitude se estiver desviando-se do caminho.

RH - Para conduzir um processo de feedback é necessário que o líder receba um treinamento específico?
Denise Vieira - Sem dúvida que precisa. Como eu disse antes, o feedback é uma técnica e os gestores precisam ser treinados sobre o que, como, quando e porque passar as informações ao colaborador. Volto a destacar que o feedback é informação e não é opinião, bronca ou conselho. Por isso, existe a necessidade de todos serem treinados. Além do líder, os colaboradores também precisam ser treinados para saberem como receber o feedback, pois é muito difícil uma pessoa receber um feedback se ela não estiver preparada. Tanto os lideres e os colaboradores precisam saber qual o verdadeiro objetivo de um processo de feedback, que nada mais é, do que fornecer dados ou informações aos colaboradores, com segurança, respeito, equilíbrio, ajudando-os a melhorar o desempenho no sentido de atingir os objetivos.

RH - Que conteúdo os treinamentos devem oferecer ao líder que trabalhará feedback com sua equipe?
Denise Vieira - Acredito que um treinamento básico que o líder deverá receber é como dar e receber feedback. Sim, falo receber também, pois muitos líderes não aceitam receber feedback de seus liderados. O conteúdo deste treinamento deve abordar a importância de uma boa Gestão de Pessoas dentro das organizações e uma das ferramentas poderosas que os líderes podem usar e abusar é o feedback. O treinamento deve abordar primeiramente sobre o que é feedback? Qual a relação do feedback com a estratégia da organização? Por que o feedback do gestor é fundamental? Além de todo esse aprendizado, os líderes deverão conhecer as técnicas de como devem agir, como conduzir um processo de feedback e quais os tipos de feedback - positivo, negativo e corretivo.

RH - Quais os cuidados que o gestor deve ter ao dar início e até mesmo continuidade ao processo de feedback?
Denise Vieira - Digo que antes de qualquer coisa, o líder precisa preparar-se. Um processo de feedback deve ser usado para passar informações com técnica, de modo preciso, sem o envolvimento de emoções e adjetivos, pois se isso acontecer o processo passa a ser qualquer coisa, menos feedback. O feedback deve ser preciso, específico, direcionado, desejado e oportuno. O gestor, na continuidade do processo de feedback, deve ter a certeza que o colaborador está entendendo e compreendendo as informações, caso contrário a finalidade do feedback não será alcançada.
Outro cuidado que o gestor deve ter é não dar feedback somente das atitudes erradas, mas também para o comportamento correto, pois se o gestor não o fizer, o colaborador pode julgar que aquele comportamento adequado está errado e pode mudar de atitude por conta própria gerando problemas no meio do percurso. O processo de feedback deve acontecer em um local adequado, sem interrupções, sem telefones por perto. O colaborador precisa sentir que aquele momento é valioso e importante.

RH - O que um gestor deve focar em um processo de feedback?
Denise Vieira - Num processo de feedback, o líder deve focar sempre nos comportamentos e não no resultado. Não que o resultado não seja importante, pois ele é sim, muito importante, mas porque valorizando o comportamento que o levou ao resultado satisfatório, certamente ele usará o mesmo comportamento para outras atividades ou tarefas que precisará realizar. Agindo desta forma, o colaborador se sentirá importante, valorizado, pois o foco está em seu comportamento e como consequência, o colaborador motivado, desejará e terá a mesma atitude em outras oportunidades.

RH - O feedback também deve ser usado no processo de avaliação por competências?
Denise Vieira - Como disse inicialmente, não é a empresa que alcança a visão, mas sim seus colaboradores. Por isso, uma avaliação por competência é fundamental, pois avalia as competências técnicas e comportamentais tanto da função como as do colaborador que exerce aquela função. O gestor passa a informação de como o colaborador está hoje e o que precisa ser feito, para que ele adquira a competência necessária que o ajudará no alcance do objetivo ou visão da empresa. Neste momento são traçados quais os treinamentos o colaborador precisa receber para desenvolver ou aprimorar determinadas competências essenciais para a organização.

RH - Quais os benefícios que o feedback traz especificamente para a avaliação por competências?
Denise Vieira - Ah, digo vários. Vou citar alguns. O feedback em um processo de avaliação por competências promove ao colaborador: o conhecimento geral da estratégia da organização; o que a empresa espera dele; o papel fundamental que ele tem para que a empresa tenha sucesso: qual o desempenho que ele está tendo atualmente e o que ele precisa melhorar para ajudar a empresa no alcance da visão. O feedback promove um acordo entre líder e liderado, possibilita uma troca de informação não só do líder para os liderados, mas também o inverso. O feedback estimula a atitude de ouvir o outro, promove comprometimento, a mudança de comportamentos e, além de tudo isso, o feedback é o combustível da motivação.

RH - Que consequências um processo de feedback mal conduzido traz à empresa?
Denise Vieira - Se um processo de feedback não for realizado com técnica, considerado como um processo importante para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento do colaborador em prol do sucesso da empresa, então, digo que não é feedback e que, portanto, o resultado será o oposto da verdadeira finalidade do feedback. Este processo feito sem os procedimentos corretos, volto a dizer, que não é um feedback e que, portanto, os resultado serão negativos, insignificantes e até mesmo um desastre, gerando desmotivação ao colaborador. É a desmotivação, vale salientar, tira a energia e o comprometimento do funcionário com os objetivos da organização e os colaboradores desmotivados, por sua vez, levam a empresa pra qualquer lugar, menos para o sucesso.

Palavras-chave: | Denise Vieira | feedback |

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COMENTÁRIOS (3)
Maicon em 20/12/2009:
Abordou o assunto com muito equilíbrio, pois podemos nos fortalecer muito desta feramenta. O que precisavamos saber está claramente relatado. Após a leitura, é colocarmos em prática e obtermos o sucesso.

Bruna em 25/11/2009:
Gostei muito da entrevista. Será que você poderia me enviar o e-mail da Denise? Gostaria de saber sobre bibliografia do assunto.

Lila de Paula em 10/10/2009:
Excelente entrevista! É Impressionante o poder e benefícios de um feedback estruturado e o quanto a falta dele pode ser desvastador para colaborador e organização.

 
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