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18/06/2009
RH » Criatividade » Coluna ABRH Nacional Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Brasileiro não é criativo

Por ABRH Nacional para o RH.com.br

O mito de que o brasileiro é "criativo por natureza" é apenas isso, um mito. Em essência, o perfil autocrático da sociedade brasileira, que desestimula a iniciativa das pessoas, faz com que o brasileiro, de modo geral, tenha pouca criatividade. A afirmação é do consultor Paulo Benetti, da empresa Inteligência Natural, que em agosto vai falar dos paradoxos da criatividade no CONARH 2009 - 35° Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, promovido pela ABRH-Nacional.

"Frequentemente ouvimos que o brasileiro, famoso por seu ‘jeitinho', é uma pessoa criativa. Por outro lado, quando promovo encontros em empresas, o que mais escuto das pessoas são queixas sobre o fato de que elas não se sentem pessoas criativas. O fato é que em praticamente todos os países pobres acredita-se que o povo ‘é criativo', mas essa afirmação não se comprova na prática. Basta ver o número de patentes registradas no Brasil todos os anos, comparativamente a países como Estados Unidos ou muitos outros asiáticos", assinala Benetti, que também integra a Associação Brasileira de Criatividade e Inovação.

Segundo Benetti, as relações sociais no Brasil são autocráticas, ou seja, espera-se que as ideias e as respostas venham sempre do chefe, do líder, do presidente. Isso inibe drasticamente a criatividade, pois não ser criativo passa a ser um fator de sobrevivência em um mundo que exige a acomodação.

"A criatividade está em todos nós, mas precisa ser estimulada. É importante que as empresas percebam que a inovação, a criatividade dependem não apenas das pessoas, mas também de um ambiente que as estimule, de processos que as viabilizem e da sua materialização em um resultado, um produto, uma ação", explica.

Benetti assinala que em empresas extremamente hierarquizadas, onde as pessoas são instaladas a procederem segundo normas mais ou menos inflexíveis, é praticamente impossível esperar que aconteça o fenômeno da inovação, pois os empregados, de modo geral, vão evitar as situações de conflito.

Ele ressalta que, dependendo da indústria, do segmento onde a empresa atua, cerca de metade das boas ideias que a empresa adota pode vir dos empregados. "Mas há setores onde 90% das melhores ideias vêm dos clientes, o que revela a importância de programas que deem aos clientes oportunidades de se expressar e interagir com você", recomenda.

Autor de um dos artigos do livro "Da criatividade à inovação", a ser lançado pela Editora Papirus em Campinas (SP), no próximo dia 25/06, Benetti assinala que a capacidade de uma empresa de inovar sua posição no mercado será cada vez mais determinante do sucesso no futuro. "Notamos que as empresas criativas, inovadoras, trazem isso em seu DNA. Elas não têm problema algum para inovar, sabem como fazê-lo. Sua maior dificuldade está somente em encontrar uma boa ideia", explica.

DNA da inovação - Para Benetti, a empresa criativa e inovadora faz isso naturalmente e dispensa o apoio de comitês de inovação ou criação. Ele adverte que o primeiro passo para inovar de fato é atuar no sentido de criar um ambiente que favoreça a inovação e isso passa por profundas mudanças nas relações de trabalho. "É por isso que o tema da inovação afeta, diretamente, as áreas de Recursos Humanos, pois cabe a elas criar o ambiente ideal, que vai favorecer a criatividade. Isso passa pela revisão de modelos de gestão de pessoas e é algo que demanda tempo, perseverança e, acima de tudo, vontade de ser inovador", enfatiza.

Serviço:
CONARH
Data: 18 a 21 de agosto de 2009
Local: Transamérica Expo Center
Avenida Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387 - Santo Amaro - São Paulo

Fonte: e-Press Comunicação

Palavras-chave: | ABRH | inovação |

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COMENTÁRIOS (5)
Wellington em 08/03/2013:
O Brasil não é um país criativo, por falta de informação. Quem tem informação é criativo. Criatividade é enviar um homem a lua, criar Realidade Virtual. Veja o Canadá, passa metade do ano no gelo e outra metade no frio, mesmo assim é um país muito rico e desenvolvido que é quase inexistente a presença de analfabetos. O índice de mortalidade infantil no Canadá é muito baixo, e a renda per capita do país é alta. É demograficamente vazio, abrigando menos habitantes que o Estado de São Paulo. O Brasil, apenas sobrevive com o que sobra ou sobrevive suprindo algumas necessidades destes países enviando matéria-prima.

Marisa em 04/02/2012:
All people deserve good life and business loans or just term loan would make it better. Because freedom bases on money state.

daniella em 27/08/2011:
Cada vez menos criativo. O que falta ao brasileiro é abrir-se a comparações que não sejam com os argentinos e seu futebol. E suas palavras se confirmariam até determinado ponto. Determinado ponto: a avalanche atual de franquias e seus métodos, que minam as possibilidades de modificação e embrulham a capacidade das pessoas, obstaculizando-as em seu potencial e retirando-lhes o desafio às faculdades criativas. Sem desafios, viramos autômatos. Desumanizamo-nos. Obrigada pelo artigo, enriqueceu-me.

Edilma Rodrigues Tesch Guzzo em 25/06/2009:
Sou profissional de RH hà 17 anos e quero aqui descordar da expressão "Brasileiro não é criativo", como foi dito na matéria. A criatividade é inerente às pessoas, mas cabe ao ambiente onde ela está inserida e às suas atividades promover a sua criatividade. O brasileiro, na maioria das vezes, quer assegurar seu salário no fim do mês, mesmo que seja realizando um trabalho que não motive sua criatividade. Acredito que em alguns casos, fora ambiente da empresa, ele está desenvolvendo algum potencial próprio, porque as pessoas são movidas pela sua satisfação consigo mesma, se não for no trabalho será com alguma outra coisa. O prazer de ver um produto seu recompensa qualquer aborrecimento no trabalho. Quero observar que RH sozinho não é tábua de salvação para todos os males das empresas, modelos de gestão de pessoas são praticados nas empresas junto com todos os gestores, acredito que deva partir muito mais deles, pois boas idéias e boa vontade são muitas, mas se não forem ouvidas viram nada. A cultura brasileira está mudando e acredito que a nova geração de gestores vai alavancar ainda mais os novos modelos de gestão nas empresas. Não quero aqui descordar de pessoas tão bem formadas e com dados apurados, mas as vivências nos fazem formar conclusões, conceitos e observações.

augusto em 25/06/2009:
É realmente uma realidade , é só ver a programação na tv , são cópias e mais cópias de programas do eua e europa. Em rh é pior ainda, todas as inovações vem principalmente do eua. em informática a maioria das soluções vem de fora (google, skype, you tube, linkedin etc). Em relação a pesquisas universitárias é quase nulo, agora que temos noticias que USP e Unicamp estão promovendo algo neste aspecto, projetos com interesse comercial.

 
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