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19/07/2004
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Mind Map - estimulando a criatividade

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

O estímulo à criatividade pode significar um diferencial para o mundo corporativo. Através do surgimento das idéias, por exemplo, alguns profissionais solucionam problemas considerados complicados ou lançam até mesmo produtos inovadores que podem se tornar campeões de venda. Mas a criatividade não se restringe apenas a isso, ela também pode ser usada em situações consideradas simples, mas que influenciam diretamente a produtividade de uma equipe. Uma boa dica para quem quer ser criativo é a adoção de ferramentas práticas como o Mind Map - mapa mental - uma metodologia que pode ser usada na resolução de problemas ou no acompanhamento de um projeto importante. Criada pelos ingleses Tony e Barry Buzan, essa ferramenta surgiu a partir de estudos e pesquisas sobre a fisiologia e o funcionamento do cérebro humano, neurolinguística, semântica, teorias da informação, mneumotécnica, percepção e pensamento criativo. Para explicar como o mapa mental pode ser usado, o RH.com.br entrevistou a consultora e pedagoga Maria Rita Gramigna, mestre em Criatividade Aplicada Total, pela Universidade de Santiago de Compostela - Espanha. Confira!

RH - Qual o conceito do Mind Map?
Maria Rita Gramigna - O mapa mental é uma expressão do pensamento irradiante traduzida em uma técnica gráfica. É uma ferramenta usada em diversas áreas da atividade humana, aproximando o registro de idéias ao ato de pensar, obedecendo a três princípios fundamentais: pensamento irradiante; capacidade multisensorial do cérebro e a ssociação de idéias.

RH - Quais os principais objetivos dessa ferramenta?
Maria Rita - O registro de idéias através dos mapas mentais pode ser adotado para atender a diversos objetivos. No âmbito pessoal, por exemplo, pode exercitar o autoconhecimento, resolver problemas e desenhar a agenda de trabalho. Na educação, pode registrar planos de aula, resumir temas e conteúdos de livros. No ambiente de trabalho pode ser usado para desenhar plano de reunião, resumir palestras, acompanhar projetos, gerar idéias e auxiliar na tomada de decisões. Já nos estudos sobre probabilidades e visão de futuro pode ser trabalhado para elaborar prognósticos de melhorias.

RH - Como os mapas mentais são aplicados na prática?
Maria Rita - Normalmente quando queremos memorizar, apresentar uma idéia, planejar, analisar ou tomar decisões, registramos as informações com padrões lineares: uma informação abaixo da outra na forma de linhas. Os mapas mentais são elaborados a partir de uma estrutura não linear, obedecendo aos princípios da irradiância, da multisensorialidade e da associação. A irradiância é representada na estrutura dos mapas similar à dos neurônios. A multisensorialidade faz-se presente nos desenhos, nas imagens, nos símbolos e nas cores. A associação é praticada durante a montagem dos mapas, onde uma idéia pode gerar inúmeras idéias, numa cadeia de conexões infinita.

RH - Quais as características de um mapa mental?
Maria Rita Gramigna - Os mapas mentais apresentam quatro características básicas: o tema principal é representado por uma imagem central; as idéias ordenadoras irradiam da imagem central de forma ramificada; os ramos do mapa servem de suporte para uma imagem, símbolo, desenho ou palavra-chave, associados ao tema central. Já os ramos formam uma estrutura nodal conectada. Antes de começar a desenhar seu mapa, é necessário responder duas perguntas essenciais: "Qual o tema central vou desenvolver?" e "Se o mapa fosse um texto, que subtítulos eu usaria?". O tema central será fonte de inspiração do desenho central. Os subtítulos serão representados nas ramificações.

Para ficar mais claro, veja um exemplo de mapa mental que retrata o programa de um curso de criatividade.

Comece pela imagem central:
* use toda a extensão da folha para desenhar as ramificações do mapa, organizando o espaço;
* use cores na imagem central e nas várias idéias ordenadoras que surgirem no mapa;
* misture imagens, códigos e palavras de forma harmônica, sempre com cores e letras grandes;
* use somente uma palavra-chave por linha;
* escreva as palavras em letras de forma e sobre as linhas;
* o tamanho das linhas deve ser proporcional aos das palavras ou dos desenhos;
* crie imagens e símbolos que retratem o que você quer informar.

RH -Quais as vantagens dessa ferramenta em relação a outros recursos?
Maria Rita - São inúmeras, entretanto três delas merecem destaque. Primeiro, promove a redução de tempo no registro de informações e dados, já que o mapa contém o que é realmente significativo e as idéias essenciais. Estimula a memorização, já que a figura do mapa fica registrada na mente de forma mais duradoura do que a de textos. O uso constante estimula o desenvolvimento de todas as habilidades corticais do cérebro.

RH - O Mind Map apresenta alguma desvantagem?
Maria Rita - A adoção do mapa mental como ferramenta de trabalho só traz vantagens. O que pode ocorrer é uma pessoa não se identificar com esta forma de registro, enxergando-a como algo fora dos padrões normais. Como nossa educação sempre estimulou a forma linear de registros, pode ser difícil romper com este padrão. Nos seminários que desenvolvo, algumas vezes, surgem comentários sob o mapa mental que ilustram esta dificuldade. Já ouvir comentários como: "Para mim é mais fácil escrever todas as idéias", "Não sei desenhar. Prefiro escrever" e "O que meus colegas vão dizer se eu colocar um desses mapas em minha mesa de trabalho?".

RH - Essa ferramenta pode ser usada isoladamente ou deve ser trabalhada juntamente com outros recursos?
Maria Rita - O mapa mental pode ser usado isoladamente ou com o auxílio de outras disciplinas. Por exemplo, se quero registrar em forma de mapa mental um conteúdo a ser apresentado, faço de forma isolada, usando somente este recurso. Quando o objetivo é tomar uma decisão ou resolver um problema e ampliar possibilidades de acerto, pode-se incluir alguma metodologia específica de tomada de decisão ou resolução de problemas, usando-a mediante o mapa desenhado.

RH - Quem está apto para aplicar essa ferramenta?
Maria Rita - Qualquer pessoa poderá aplicar o mapa mental. Dependerá de uma boa orientação e da prática permanente. Sugiro a leitura do livro El libro de los mapas mentales - Editora Urano - Barcelona, ES de Tony e Barry Buzan. Além de trazer um amplo estudo sobre o tema, o livro apresenta diversos exercícios, modelos de mapas mentais e sugestões de desenvolvimento.

RH - A aplicação do Mind Map pede um custo elevado?
Maria Rita - Ao contrário. O material básico para desenho de um mapa mental é irrisório. Basicamente precisamos de uma folha de papel, canetas hidrocor ponta fina, giz de cera e uma boa dose de criatividade. Atualmente, já existem alguns programas de computador que permitem a criação de mapas. Entretanto, ainda sou a favor da criação manual.

RH - No Brasil, as empresas estão usando com freqüência o Mind Map?
Maria Rita - Os mapas mentais ainda não estão sendo usados como deveriam no ambiente de trabalho, talvez por desconhecimento da ferramenta. Aproveito a oportunidade para destacar que o mapa mental é uma das ferramentas mais eficientes no cotidiano de trabalho, quando o tema é acompanhamento de projetos, agenda de trabalho, tomada de decisões, geração de idéias, memorização de conteúdos e desenvolvimento das habilidades corticais do cérebro.

Bibliografia:
* BUZAN, Barry & Tony - El libro de los mapas mentales - Editora Urano, Barcelona - Espanha (1996).
* GRAMIGNA, Maria Rita - Líderes Inovadores - Ferramentas que fazem a diferença - Editora Mbooks - SP (2004).

Palavras-chave: | Mind Map | criatividade |

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COMENTÁRIOS (1)
Claudemir dos Santos em 19/03/2009:
Sou adepto da junção entre criatividade e mudança. Onde posso mudar para melhor, seja profissionalmente ou pessoalmente, não perco tempo. Saber lidar com as dificuldades, é o diferencial entre aqueles que querem verdadeiramente o sucesso, daqueles que são apenas telespectadores de suas vidas. Abraços!

 
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