Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

RH.COM.BR - O que significa ser criativo, principalmente no universo corporativo?
Antonio Carlos Teixeira - Ser criativo significa saber usar esta capacidade que só o ser humano possui: gerar idéias. No mundo corporativo a criatividade está com demanda cada vez maior. A razão disso é que, atualmente, produtos e serviços estão cada vez mais similares e até iguais. A conseqüência disso é que tudo está transformando-se em commodity. A saída para as empresas é criarem diferenciais competitivos. Para isso, é preciso ter equipes com criatividade bem desenvolvidas e bem treinadas.
RH - Por que as pessoas sentem dificuldade em 'pensar diferente'?
Antonio Carlos Teixeira - A dificuldade em pensar diferente começa com o nosso sistema educacional porque, desde pequenos, fomos treinados a buscar apenas uma resposta para cada coisa: o certo ou o errado. O sistema educacional prioriza a memorização e não o questionar, o pensar em alternativas, pensar em novas maneiras. Você pode se lembrar de que existiam professores que exigiam as respostas exatamente como estavam nos livros. Este sistema não permite questionamentos. Sem questionamentos nada evolui, você não tem a oportunidade de exercitar a sua criatividade para apresentar novas alternativas, novas idéias, novas maneiras de fazer as coisas. O ambiente em que a pessoa foi criada também influencia. Um ambiente rígido, fechado não dá a oportunidade para a pessoa desenvolver a sua criatividade. Se o clima organizacional da empresa for fechado, repressor, autoritário as pessoas não se sentirão à vontade para pensar fora da caixa.
RH - O medo de errar é um maior vilão para o pensamento criativo?
Antonio Carlos Teixeira - Só não erra quem não faz. Os omissos não erram nunca. Mas este não é o perfil mais valorizado pelas empresas que têm visão de futuro. A raiz do medo de errar está naquelas empresas ultrapassadas que punem os erros. Aqui quero deixar claro uma diferença: os erros de experimentação e tentativas não devem ser punidos. Não podem ser confundidos com os erros por negligência, falta de atenção. Existem também empresas que querem inovar, mas têm tanto medo de uma idéia criativa, inovadora que ficam paralisadas por excesso de análise. Enquanto isso, um concorrente mais ágil já está lançando a idéia no mercado.
RH - A partir de que fase da vida a criatividade deve ser estimulada?
Antonio Carlos Teixeira - Desde a mais tenra idade. Eu treinei meus filhos com o processo criativo desde que nasceram, praticamente. Sempre estimulei neles o questionamento e os treinei a nunca terem uma idéia apenas porque quem tem uma idéia só não tem nada. Você só chegará a uma ótima idéia se tiver muitas idéias para escolher. O segredo é saber como gerar muitas idéias. E, hoje, fico muito satisfeito com o desempenho profissional dos meus filhos, baseado em muita criatividade que eles usam onde trabalham.
RH - Acreditar nos sonhos é uma 'competência necessária' para quem é criativo?
Antonio Carlos Teixeira - Sim. Se você não for o primeiro a acreditar nos seus sonhos como você irá realizá-los? Se você não acreditar neles quem irá?
RH - O que dificulta as pessoas em levarem suas idéias para o plano da realidade?
Antonio Carlos Teixeira - A autoconfiança para acreditar que uma idéia que ninguém teve antes pode ser um grande sucesso. É por isso que existem idéias maravilhosas no fundo das gavetas. Até que o criador da idéia vê uma idéia, similar à sua, ser lançada e fazer sucesso.
RH - Quais as características de um ambiente corporativo que estimule a criatividade dos profissionais?
Antonio Carlos Teixeira - Desafiar, construtivamente, as pessoas a melhorarem produtos, serviços e tarefas. Estimular a experimentação, dar liberdade para as pessoas proporem idéias inovadoras. Estimular a geração de idéias para redução de custos, melhoria de produtividade, simplificação de processos. Não ridicularizar ou criticar uma idéia quando ela é apresentada. Este procedimento inibe as pessoas a usarem sua criatividade em benefício da empresa.
RH - Que fatores corporativos inibem a criatividade dos colaboradores?
Antonio Carlos Teixeira - Um dos fatores consiste naquelas famosas frases: "Você não poderia ter uma idéia melhor?"; "Sua idéia vai trazer mais problemas do que vantagens"; "Já fizemos isso no passado e não funcionou"; "Nossa empresa nunca precisou disso"; "Em time que está ganhando não se mexe"; "A matriz jamais aprovará uma idéia como essa" e muitas outras frases que já assassinam muitas idéias. Outro fator que inibe a criatividade na empresa, que não podemos deixar de mencionar, é a existência de uma hierarquia muito rígida. Nesse caso, as pessoas ficam com medo de propor algo diferente daquilo que está sendo feito. Excesso de normas e burocracia também engessa a criatividade dos colaboradores.
RH - Quais os fatores que mais estimulam o surgimento da inovação dentro das empresas?
Antonio Carlos Teixeira - São basicamente os mesmos que já mencionei anteriormente. Isso porque a inovação nada mais é do que a concretização de uma idéia criativa. O primeiro passo da inovação é uma idéia criativa. Agora, uma excelente idéia que não seja realizada nunca se transformará em inovação. E não trará benefícios.
RH - A criatividade pode ser considerada um reflexo da motivação?
Antonio Carlos Teixeira - De certa maneira sim, porque para gerar uma idéia a pessoa precisa estar motivada. Motivada para solucionar um problema, fazer algo melhor, simplificar um processo, melhorar resultados. Motivação, otimismo, coragem estimulam a vontade das pessoas a terem idéias novas.
Serviço:
10º CriaRH
De 19 a 21 de setembro de 2007
Recife/Pernambuco
Palavras-chave: | CriaRH | Antonio Carlos Teixeira | criatividade |
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