Por Paulo Ribeiro para o RH.com.br 
Um estudo feito em 1989 por pesquisadores da fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, com base em mais de dez anos de atuação em empresas no Brasil, destacou características como: predominância de visão imediatista, carência de planejamento estratégico, decisões centralizadas, políticas de controle rígidas, dificuldade de discussão de conflitos, sistema autoritário e tendência de delegação de problemas para os superiores hierárquicos.
Isto mostra que o administrador brasileiro trabalha sem usar uma forma racional, sem um planejamento estratégico. Mas, ao mesmo tempo, como são formados em ambientes instáveis, os brasileiros são reconhecidos internacionalmente por serem ágeis e aptos para mudanças bruscas.
O que os torna mais pré-dispostos à flexibilidade é o ambiente instável em que são formados. As regras são vistas como mutáveis no Brasil. É a taxa de câmbio, são as leis que "pegam ou não pegam", são as medidas provisórias. Isso obriga os executivos a pensar em cenários, fazer planos de contingência, tornarem-se ágeis.
Na cultura administrativa verde e amarela, o que importa é o fato de que o "jeitinho" faz parte da maneira de como o brasileiro enxerga a si mesmo. No Brasil, o herói corporativo é o apagador de incêndios, "resolvedor" de emergências. O planejador, ao contrário, é tido como enfadonho, burocrático, sonhador, ora da realidade. Porém, é óbvio que é melhor para uma empresa ter menos especialistas em resolver problemas e ter mais profissionais capazes de evitar que eles apareçam.
De acordo com Gabriel Bitran, professor e vice-diretor da escola de negócios do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), é a disciplina que faz a diferença em um ambiente de excelência. Para ele, quando há estabilidade, é preciso ter mais ciência e menos intuição. Quem não tem paciência para garimpar os dados, analisá-los e desenvolver serviços vai ficar para trás.
Bitran vê outro perigo para quem tem a cultura da flexibilidade: a autoconfiança excessiva e uma tendência a interpretar os movimentos de mercado como crises que vão passar.
Nas empresas brasileiras, a idéia de hierarquia é muito forte. Existe aqui a ética da desconfiança e o cidadão é culpado até que se prove o contrário. Isso atravanca a administração, que se volta para o controle. O cartão de ponto vale mais do que o resultado. Provando mais uma vez a contradição que é o "método" brasileiro de administrar, os executivos nacionais estão muito mais atualizados com as mudanças do mundo de negócios do que os europeus, por exemplo.
Outro dado que impressiona os estrangeiros é a internacionalização dos executivos brasileiros, que são em média muito mais bem informados sobre o mundo do que os estrangeiros, e costumam falar duas ou três línguas. Para muitos, o fato de não ter um estilo, ser o estilo é algo até charmoso. Mas, sinceramente, até que ponto isto é positivo? Qual é o limite entre a ousadia e o risco?
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