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23/03/2009
RH » Desempenho » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Estar envolvido ou comprometido. Eis a questão

Por Washington Luis Silva de Souza para o RH.com.br

Dias atrás acompanhei uma cena que me fez pensar no dia-a-dia das organizações. Estava entrando em uma determinada empresa e notei que uma das luzes da recepção estava apagada. Perguntei à recepcionista, que muito educada respondeu-me: "Parece-me que a lâmpada queimou. Nós já chamamos o pessoal da manutenção, mas por se tratar de uma empresa terceirizada, eles demoram uma média de três dias para comparecer". Pensei: nossa! Está escuro aqui! No local onde o cliente aguarda para ser atendido tinha até umas revistas para leitura, mas, sinceridade, não dava para ler.

Isso acontece com frequência nas companhias. Não é difícil, por exemplo, um colaborador ter um móvel em sua frente, atrapalhando a passagem e o fluxo do seu trabalho, deixá-lo ali, porque não é a sua função tirá-lo, ou porque não consegue enxergar além do horizonte. No caso da recepcionista, será que não seria mais fácil pedir para alguém ajudá-la a resolver o problema?

Eis aqui a grande duvida de hoje em dia: como fazer a minha equipe estar comprometida com o trabalho e não somente envolvida em suas tarefas? Pessoas envolvidas apenas com as suas atividades, não conseguem enxergar além daquilo que os olhos veem. São simplesmente cegas, isso mesmo, cegas. Trata-se de uma cegueira causada pelo envolvimento com tarefas e não pelo comprometimento com o resultado.

Comprometimento é algo muito superior ao dia-a-dia; é fazer sempre o melhor, da melhor maneira possível. É a famosa diferença entre ser eficiente e ser eficaz; ser eficiente nem sempre significa ter eficácia naquilo que faz. Por exemplo: um colaborador muito eficiente que transportava móveis para o caminhão de entrega diariamente. No trajeto, havia espalhados pelo estoque empilhadeiras, paletes e carrinhos hidráulicos, que dificultavam seu percurso. Durante o dia, esse funcionário conseguia carregar 50 móveis. Como tinha que desviar de todos aqueles objetos para atingir a marca, ele acabava fazendo uma hora-extra no período da noite; além disso, tirava apenas 30 minutos de intervalo no almoço, enquanto que o correto seria uma hora.

Pois bem, apesar de todo o esforço do profissional, a empresa necessitava de que 60 móveis, em média, fossem conduzidos ao caminhão para serem entregues todos os dias.
Como a demanda estava superior à oferta de trabalho, a organização resolveu contratar um ajudante por meio período, para auxiliar no transporte.

Passado algum tempo, aquele colaborador continuava eficiente, sempre trabalhando duro, mas houve uma troca de gestor. Logo que o novo líder assumiu, a primeira providência foi fazer o rearranjo do estoque, para que o fluxo das atividades fossem otimizadas.

Todos os objetos que não fossem utilizados deveriam voltar ao local de origem, geralmente no fundo do estoque, não atrapalhando o fluxo das mercadorias. Conclusão: o ajudante teve que ser realocado na área de reposição de matéria-prima. O nosso profissional não precisou mais fazer horas extras, sobrando tempo para aprender o novo sistema integrado, dando baixa no estoque de material acabado, auxiliando assim nos processos contábeis e financeiros da empresa.

Ficou claro que o funcionário estava sendo eficiente e não eficaz. Por outro lado, mesmo tendo boa vontade, acabava gerando um custo extra, desnecessário para a organização. Já o líder, com apenas poucas idéias, acabou sendo eficaz, gerando ótimos resultados para a organização.

Não importa se você é um líder ou um colaborador, o importante é pensar além do dia-a-dia, ser eficaz em suas atividades e comprometido com o resultado da organização. Não dá mais para dizermos "essa não é a minha tarefa, não fui contratado para trocar a lâmpada da recepção", coisas tão simples, mas que atrapalham nosso desempenho.

Esse texto me faz lembrar uma metáfora que fala mais ou menos o seguinte: A galinha e o porco montaram uma empresa de omelete. A galinha entraria com os ovos e o porco com o bacon. Nessa história fica claro que a galinha está envolvida e o porco comprometido.

Por isso, digo que não dá mais para estar apenas envolvido com as tarefas e com a empresa, é necessário estar comprometido de corpo e alma, maximizando os resultados da organização, sendo eficaz em todas as atividades, buscando atingir a excelência todos os dias.

Palavras-chave: | comprometimento |

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COMENTÁRIOS (4)
Marlene Marques em 21/12/2009:
Washington, adorei seu artigo! Vou fazer um trabalho sobre 10 dicas para uma pessoa ser comprometida em 2010. Você teria mais material para que possa ter sucesso? Obrigada Marlene

Deilza em 25/06/2009:
Ainda precisa trabalhar muito para que essa mudança aconteça, a maioria das pessoas ainda pensam dessa forma "não estão me pagando para fazer isso", com esse pensamento, só se perde. Nunca é demais aprender.

Gilberto C. Olgado em 30/03/2009:
Realmente, o comprometimento dos colaboradores dentro da empresa é imprescindível e creio que o líder, ou chefe de seção deva ficar atento à produção e satisfação dos seus colaboradores. A motivação deve ser fato constante na empresa, pois as vezes ela tem prazo de validade, um fato negativo seja ele gerado na empresa ou na vida particular faz com que o colaborador caia novamente de rendimento. A empresa deve ficar atenta e ter um RH voltado para o colaborador e sua liderança para que sempre se possa focar à todos com o comprometimento e satisfação ; da empresa e colaboradores, que irá certamente influenciar no ótimo rendimento da empresa.

Renata em 25/03/2009:
Se existe estímulo... existe o comprometimento...nem sempre é o que ocorre quando vemos algum colaborador não tão comprometido... a falta de estímulo, o baixo salário gera pouco comprometimento... precisa-se ter olhos para os dois lados da questão.

 
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