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04/09/2012
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O que atrapalha o desempenho de um talento recém-contratado?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Normalmente, quem chega a uma organização traz consigo muitos planos com vista a uma boa ascensão profissional e vencer desafios, afinal está disposto a mostrar valor à empresa que acreditou em seu potencial. Contudo, nem sempre à realidade do talento recém-contratado corresponde às expectativa que ele esperava e quando isso ocorre, o profissional pode ficar "chocado" diante daquela realidade corporativa que passará a fazer parte do seu dia a dia. Confira abaixo alguns fatores que chegam a preocupar os novatos que ingressam no campo corporativo.

1 - Propaganda enganosa - O que foi dito da empresa no processo de seleção não corresponde à realidade que ele vivenciará na sua rotina de trabalho. Não são raros os casos em que ávidos por realizarem uma contratação imediata, alguns selecionadores "vendem" uma imagem utópica da empresa com a finalidade de encantar um talento e atrai-lo para o quadro funcional da organização.

2 - Treinamento é supérfluo - Um funcionário chegou à empresa, então ele que "se vire para aprender sozinho". A ausência, por exemplo, de um treinamento direcionado para que ele entenda melhor qual a importância do seu trabalho diante daquela realidade organizacional, torna-se um grande diferencial estratégico. Pessoas que compreendem o seu valor para a empresa são mais propensas a serem comprometidas com o negócio.

3 - Integração é coisa do passado - Quem imagina que integração é coisa do passado é melhor que siga o exemplo dos avestruzes e esconda a cabeça embaixo da terra. É inconcebível esperar que um recém-chegado sinta-se ambientado à organização apenas porque foi contratado. Ele precisará, mesmo que por curto espaço de tempo, apoio para se ambientar com sua nova realidade e uma ação de integração sempre será bem-vinda.

4 - Chefias autoritárias - Quando um talento ingressa na organização e ao invés de um líder, depara-se com uma chefia autoritária que só sabe delegar tarefas de forma arbitrária, no mínimo, ele se sentirá "pisando em ovos" e não terá espaço para demonstrar seu valor. Logo no começo, o profissional será podado do seu potencial de entrega.

5 - Clima organizacional pesado - O clima organizacional influencia diretamente o comportamento de qualquer profissional seja ele recém-contratado ou não. Vivenciar um ambiente de trabalho saudável traz impacta nos índices de absenteísmo, turnover, produtividade, entre outros fatores que são uma constante preocupação para os dirigentes organizacionais.

6 - Grupos e não equipes - O colaborador que ingressa numa organização logo identificará se aquelas pessoas que agora fazem parte do seu dia a dia formam apenas um grupo ou um time que vale à pena vestir a camisa. Na primeira alternativa ele será apenas mais um número, já na outra o colaborador poderá dar o melhor de si e sentirá orgulho de fazer parte de uma equipe onde o somatório de cada atividade integra o todo.

7 - Infraestrutura - Um dos fatores que influencia negativamente a imagem da empresa diante daqueles que chegam à organização é a falta de infraestrutura adequada para a realização das atividades laborais. Não se pode esperar que um profissional ultrapasse as expectativas do negócio, se ao invés de equipamentos adequados, a empresa oferece apenas recursos ultrapassados.

8 - Atribuições não pertinentes - É fundamental que durante o processo de seleção, o candidato saiba quais serão as atribuições que ficarão sob sua responsabilidade. Isso porque, ao ingressar na empresa, logo no início ele pode decepcionar com a empresa por ter recebido uma atividade que acredite não ser pertinente à sua função. Deixar esse tipo de "lacuna" em relação às futuras atividades do talento, poderá resultar em um desligamento em curto espaço de tempo. Nesse caso, perde o profissional e a empresa.

9 - Falta de comunicação interna - Um talento que ingressa em uma organização que não possui uma comunicação interna eficaz, se sentirá como em uma ilha isolada. Ele deixará de ter um norte a seguir, não conseguirá assimilar a cultura da empresa e se tornará vulnerável aos boatos, ou seja, às informação não oficiais que circulam pelos corredores da companhia.

10 - Onde está o RH? - A área de Recursos Humanos possui um papel fundamental para garantir que o recém-chegado sinta-se respaldado em um ambiente estranho. Ao receber o novo talento, é indispensável que o RH mostre-se disposto a manter as portas abertas. Afinal, em momentos de dúvidas o recpém-contratado terá um referencial seguro para se apoiar. Contudo, se o RH não está disposto a estreitar o relacionamento com o colaborador, seja ele novato ou não, mostrará que a Gestão de Pessoas daquela empresa só serve mesmo para enriquecer os discursos que marcam os momentos comemorativos da organização.

 

Palavras-chave: | talento | produtividade | retenção |

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COMENTÁRIOS (12)
Natalia em 15/03/2013:
Estou totalmente de acordo. Acabei de mudar de emprego e estou super frustrada com minha nova empresa, dos 10 itens, 8 se encaixa no que estou vivendo. Sabe que é pior, componho a equipe do RH, dessa maneira nâo tenho muito de onde esperar a solução!

Carolina em 30/01/2013:
Artigo perfeito!!! É complicado. Fiquei 9 anos em uma empresa, porém pedi as contas para ir para uma outra empresa achando que fosse melhor. Me deparei com vários itens listados nessa reportagem. Isso acaba desanimando e desmotivando qualquer talento.

Kátia em 20/12/2012:
Acabei de ser contratada e estou passando por 7 dos 10 problemas listados. Nada fácil.

Cida Kobayashi em 16/11/2012:
Infelizmente isso se agrava quando o talento se depara com o RH ineficaz, quando a liderança deste mesmo RH possui todos os "atributos" da reportagem.

jeverson em 10/09/2012:
Muito bom! Concordo com tudo que foi dito e percebo que as empresas cada vez mais se perdem no momento da concepção de novos talentos.

Sonia Maria Almeida De Lima em 09/09/2012:
Adoro as matérias da Patrícia Bispo. Faço pós em Gestão Empresarial e a matéria fantástica que todos administradores devem ler: "Sua Empresa Oferece um Bom Salário Emocional aos seus Colaboradoresl". obrigada por escrever matérias excelentes. Abraços, Sonia Lima

Thiago Augusto em 08/09/2012:
Vemos em muitas organizações, independente do tamanho e lucro, que muitos novatos recebem integrações e treinamentos supérfluos e se sentem verdadeiros "peixes fora d'água". Como abordado no texto, o RH tem que atuar mais de perto nesta questão, pois esse tipo de situação tem "poder" para acabar com todo entusiasmo, motivação e potencial de contribuição que um recém-contratado traz consigo. Excelente texto. Parabéns!

Paulo Betti em 07/09/2012:
Tenho acompanhado há muito tempo a tese que a Patricia defende em suas matérias publicadas. Gosto muito da linha de pensamento dela. Esta matéria, por exemplo, é um presente para os RH, pois, é um roteiro completo para integração e treinamento de novos funcionários. Parabéns.

Antonio Carlos Garmus em 07/09/2012:
Excelente conteúdo, pois ainda temos uma cultura que precisa mudar, começando por nós. Ou seja, temos e sabemos o que é necessário mudar nas empresas para melhorar essa fase inicial do novo colaborador(a) para obter um bom resultado para ambas as partes, porém por medo ou omissão ninguém se habilita a pelo menos tentar mudar algo tão necessário na empresa. Nunca podemos esquecer que quem faz a empresa é o colaborador, querendo ou não. A imagem e o resultado da empresa final depende na maior parte de quem está nela. A empresa é como uma corrente, onde cada elo é um colaborador. Se o elo for fraco, tudo ficará complicado, mas cedo ou mais tarde a empresa deixa de crescer e muito. Abraço, Antonio Carlos Garmus Profissional da área de Segurança do Trabalho.

Maria do Socorro em 06/09/2012:
É maravilhoso perceber que faço parte de uma empresa que segue os passos para atingir o conceito de "Empresa Ideal", sem fazê-lo por obrigatoriedade. Parabéns, Patrícia!

Kellen Andrade em 06/09/2012:
Parabéns, Flávio! Muito bom seu artigo.

Gilberto C. Olgado em 06/09/2012:
Parabéns, Flávio! Muito bom seu artigo.

 
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