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05/09/2001
RH » Desempenho » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

O que o profissional de RH pode esperar do mercado?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A competitividade do mercado está fazendo com que as empresas invistam, cada vez mais, em ações diretas voltadas para o capital humano. Neste momento, entram em cena algumas ferramentas como treinamento, integração, qualificação profissional, melhoria da qualidade de vida e valorização da imagem da própria empresa. Esses são alguns dos assuntos tratados na entrevista concedida pelo consultor Eliseu Eduardo Ely (foto), ao RH.COM.BR. Você poderá conferir, ainda, como o profissional de RH deve posicionar-se diante das mudanças exigidas pela Globalização e se enquadrar às necessidades e exigências das organizações.

RH.COM.BR - Alguns profissionais afirmam que o Terceiro Milênio permitirá que as organizações agreguem valores aos resultados. Qual a opinião do Sr. sobre essa questão?
Eliseu Eduardo Ely - Sem dúvida a empresa necessita não apenas pensar em resultado, entendido como lucro financeiro, mas incorporar outros ganhos para a mesma. Esses novos resultados passam por questões como: integração e comprometimento de todos os componentes da empresa na melhoria contínua, relacionamento interno harmonioso; excelência no atendimento ao cliente; flexibilidade nas ações internas e externas; capacidade de resolução de problemas com criatividade e inovação; clima organizacional saudável propiciando a motivação e a produtividade; agilidade e diferenciação nas ações de mercado; talento humano; relacionamento ético; envolvimento em ações comunitárias, entre outros. Pensar em resultado além de comprar, produzir e vender bem é fundamental. Também é preciso incorporar ganhos na forma qualificada de como são resolvidos as questões acima pontuadas no dia-a-dia da operação. Muitas empresas não medem isso, mas geram resultados não financeiros significativos tanto a nível interno como no mercado e no cliente. Essa capacidade de resolver e qualificar essas ações dependem fundamentalmente das pessoas e como as mesmas estão inseridas nos objetivos globais da empresa. Por isso, é fundamental que a organização estabeleça uma política de RH em que as pessoas sejam o centro de resultados e cujos papéis estarão vinculados diretamente à capacidade empreendedora de cada um no exercício de suas atividades. Agregar resultados ocorre através das pessoas, por isso o investimento no capital humano é estratégico e está relacionado diretamente à sobrevivência do negócio.

RH.COM.BR – Quais os principais valores que se destacarão no mercado?
EEE - Acredito que as empresas serão vistas pelo mercado e clientes que valorizarem internamente e externamente, aspectos como: comprometimento e lealdade dos colaboradores com o negócio, flexibilidade, preocupação com o meio ambiente, capacidade empreendedora da equipe, ética, transparência de ações, imagem da empresa em termos de produtos e ou serviços, trabalho voluntário, ação comunitária, responsabilidade social, lucro social, talento humano, capacidade de liderar mudanças, integração e trabalho em equipes, conhecimento, criatividade, inovação, visão de mercado, agir preventivamente, entre outros. Todas essas questões implementadas serão diferenciais competitivos importantes que a empresa precisa lançar mão para permanecer e avançar no mercado. Seria necessária uma ação efetiva sobre cada uma delas para que os resultados ocorram.

RH.COM.BR – E o capital humano, como ficará diante desta realidade?
EEE - Cada vez mais, as empresas serão diferenciadas no mercado pela qualidade de seus talentos humanos. É neste aspecto, que a empresa precisa investir na sua formação e educação, como forma de garantir produtos e serviços qualificados, atendimento eficaz junto ao cliente. Temos que valorizar o capital humano, pois esse é o único capaz de agregar resultados ao negócio. Aos poucos, as empresas estão descobrindo que são as pessoas que fazem acontecer ou não. Pensar de forma estratégica, através de políticas de Recursos Humanos que vinculem ações voltadas para a qualidade de processos, comprometimento com o negócio, clima organizacional propício para inovação e criatividade, motivação ao trabalho, melhoria contínua, foco no cliente, qualidade de produtos, trabalho em time, desenvolvimento de competências, capacidade empreendedora da equipe e todos com foco no resultado é fundamental para a competição no mercado. O capital humano precisa qualificar-se urgentemente, pois as empresas necessitam de pessoas diferenciadas para se manterem vivas, num mercado cada vez mais exigente. As empresas não podem mais errar, por isso a qualidade do capital humano da empresa será fundamental para buscar eficiência e resultado. Fazer mais e de forma qualificada com poucos recursos, depende do talento humano e não da máquina.

RH.COM.BR – O Sr. acredita que os profissionais generalistas ganharão mais destaque no mercado de trabalho?
EEE - Sem dúvida alguma. As pessoas precisarão fazer mais coisas para se manterem competitivas no mercado. Trata-se de uma imposição de mercado e de sucesso profissional. As empresas buscam pessoas que saibam “chutar com os dois pés” e não "só com um". As situações de mercado e os processos internos necessitam que tenhamos pessoas prontas para resolver todas as situações que se apresentam, de forma rápida e qualificada. Essa agilidade é necessária e fundamental. As pessoas precisam ter e desenvolver a capacidade de aprendizagem contínua e não parar no tempo, pois a tecnologia, o mercado e o cliente estão cada vez mais exigentes, fazendo com que sejamos generalistas para que possamos resolver as questões do cotidiano e agregar resultado ao negócio. O interesse em aprender a fazer mais tarefas significa um plus na carreira profissional. As empresas estão valorizando a multifuncionalidade das pessoas na hora de contratar. Um exemplo disto é aquela empresa, que tem uma pessoa apenas para tirar a nota fiscal. Quando esta não vem trabalhar gera um caos interno, fecha o estabelecimento e diz para o cliente voltar amanhã, pois não tem alguém na empresa que saiba substituí-la. E como fica o cliente? O exemplo apresentado retrata como a inexistência da multifuncionalidade das pessoas pode inviabilizar um negócio. O pior que ainda vemos situações semelhantes acontecerem.

RH.COM.BR – Como o profissional de RH deve trabalhar para que os colaboradores tornem-se competitivos?
EEE - As empresas somente sobreviverão daqui para frente, se fizerem um forte investimento interno para valorizar o ser humano como centro de resultados. Iremos diferenciar aquelas empresas que têm como prioridade o desenvolvimento das pessoas e as que não fazem isto. Será tão nítido essa diferença que isso será apresentado em forma de produtos e ou serviços oferecidos, qualidade de atendimento, clima interno saudável, diversidade do capital humano, imagem positiva da empresa, qualidade de vida das pessoas que trabalham na organização, foco voltado para o cliente, crescimento no mercado, lucratividade do negócio, preços competitivos, quebra de paradigmas para se adaptar às exigências do mercado e ao relacionamento ético com o mercado. Essa diferenciação qualifica a empresa para enfrentar a competição do mercado com mais segurança e de forma motivadora. O desafio é fazer com que as pessoas entendam seu verdadeiro papel como gerador de resultado. Às empresas cabe o papel fundamental de criar e estimular um clima organizacional saudável, através de políticas e ações que possam inserir o ser humano na participação diária das decisões das empresas, seja rotineira ou estratégica, conferindo-lhes mais autonomia e responsabilidade pelo sucesso do negócio. As pessoas precisam sentir que são valorizadas e integradas à gestão do negócio como se a empresa fosse deles. Isto cria vínculo e gera resultado, desde que a empresa entenda que o resultado é obtido só através das pessoas.

RH.COM.BR – Como o profissional de RH pode enquadrar-se às mudanças da Globalização e atender às necessidades das organizações?
EEE -Inicialmente, é preciso entender o que é verdadeiramente o processo de Globalização e o que isso irá afetar a empresa e o segmento em que atua. Estar atento às mudanças da tecnologia, processos de fabricação, atuação dos concorrentes, comportamento e exigência dos clientes, fornecedores, vendas, responsabilidade social, ambiente de trabalho, custos de produção, comércio eletrônico, informática, remuneração, diversidade de talentos humanos para agregar conhecimento entre outras, é fundamental para o profissional de RH estabeleça políticas e ações concretas para deixar a empresa em condições de competir. Para tanto, é necessário que o profissional de RH saia de seu mundo rotineiro e passe a conhecer a empresa e a operação como um todo. Isto permitirá ao profissional de RH colher subsídios importantes para realização do seu trabalho. Só assim o profissional de RH estará em condições de oferecer produtos e serviços adequados à estratégia estabelecida pela empresa. Atualmente, precisamos de ações que sejam imediatamente implantadas e não experimentadas, face à velocidade das mudanças que ocorrem no mercado. A demora na implementação de alguma ação pode ser fatal para a sobrevivência do negócio. O concorrente pode ser mais ágil que nós.

RH.COM.BR – A imagem da empresa é outro fator que pode interferir nos Resultados Estratégicos. Como uma organização pode preservar a imagem?
EEE - A imagem é uma conquista diária e envolve todas as nossas ações e pessoas neste processo. Conquistá-la é um trabalho demorado e árduo, enquanto perdê-la é em fração de segundos. Por isso, é fundamental que todas as pessoas dentro da empresa façam bem e corretamente seu trabalho, oferecendo satisfação de “110%” aos clientes. A imagem é um ativo importante que a empresa dispõe para enfrentar a concorrência. Lapidá-la diariamente é dever de todos os componentes da empresa, para buscar sua diferenciação no mercado. Por este motivo, é fundamental estar ligado com o mercado para identificarmos como o mesmo nos percebe. Correções de rota devem ser implementadas imediatamente e nunca postergadas. Isto dá credibilidade junto ao mercado e ao cliente. Evidentemente que só a satisfação não resolve a questão da imagem da empresa, ela necessita de outros ingredientes fundamentais, tais como: produtos de qualidade; cumprimento da legislação em todas as esferas; transparência de ações; ética no relacionamento com fornecedores, colaboradores, clientes, governo; programas voltados para a comunidade; capacidade de reconhecer o erro e pedir desculpas; substituir produto reclamado pelo cliente sem criar dificuldades; cumprir o prazo de entrega; divulgar o balanço social da empresa; dar participação nos resultados aos colaboradores, proteger o meio ambiente; investir na educação do seu time de colaboradores. Não devemos esquecer de educar o colaborador sobre a imagem e alertá-lo das conseqüências que traz para os resultados do negócio se as ações cotidianas forem desqualificadas. Isto é importante para criar o comprometimento de todos.

RH.COM.BR - E quanto aos programas de Responsabilidade Social, especificamente, o que o Sr. acha deste caminho?
EEE - Toda e qualquer empresa tem embutido a responsabilidade social no seu negócio, seja na geração de emprego, renda e de impostos. É necessário primeiramente que a empresa tenha a noção exata de sua responsabilidade social para a construção de uma sociedade e país mais justos. A empresa necessita gerar resultados para crescer e criar o que chamaria de lucro social. Cada vez mais, as empresas investirão em ações sociais e comunitárias como forma estratégica de fortalecimento da imagem, para a conquista de novos clientes e crescimento de mercado, de divulgação da marca e do produto, além de contribuir com a sociedade. Parte do lucro está sendo investido nestas ações para fazer frente à ineficiência do Estado para atender de forma qualificada os anseios do cidadão. A empresa ao incentivar seus colaboradores, por exemplo, para o trabalho voluntário, estará contribuindo decisivamente com o aspecto da sua responsabilidade social. Todavia, as ações precisam estar focadas em ensinar a pescar e nunca dar o peixe. Cada vez mais o cliente irá valorizar a empresa que tem incorporado à sua estratégia de negócios o investimento em ações sociais, gerando com isso o chamado lucro social. As empresas, através de seus empreendedores, ao investirem em ações comunitárias têm claro o seu papel de responsabilidade social, não devendo ser confundido com bondade e sim, visto sob o aspecto da contribuição efetiva à sociedade. Acredito que as ações que resgatem o papel da responsabilidade social das empresas sempre será válido e útil.

RH.COM.BR – A satisfação dos colaboradores é sempre uma preocupação para alguns profissionais de RH. O Sr. acredita que as pesquisas de clima organizacional oferecem resultados seguros?
EEE - A ferramenta da pesquisa de clima organizacional é válida, embora necessite de constante aperfeiçoamento para deixá-la atualizada. Através deste instrumento pode-se obter informações relevantes que possam estar minando o relacionamento interno, clima ruim e gerando custos invisíveis para a empresa. A credibilidade deste instrumento está no fato de divulgar, claramente, para todas as pessoas que participarem o seu real objetivo, a forma de realizá-lo, a criação de um clima de confiança para buscar a melhor informação, a divulgação dos pontos levantados e a continuidade em termos de ações a serem implementadas pela empresa para busca da melhoria organizacional. Desta forma, podemos ter informações relevantes para a empresa medir efetivamente seu clima organizacional. Os pontos levantados e verdadeiramente trabalhados e implantados, além de ser visível aos olhos dos participantes, geram confiança para futuros trabalhos onde a participação do colaborador é essencial. Fazer a pesquisa só por fazer e para dar uma “resposta” a eventuais demandas internas sem a efetiva ação, é um erro estratégico. Pois, além de gerar desconforto entre os participantes, piora o clima interno e desacredita o instrumento de pesquisa. Os prejuízos são imensos tanto na motivação como nos custos. O que se vê em muitos casos é que a pesquisa é feita e nunca mais é aplicada. Fora a pesquisa, a empresa deve criar ou ter informações que possam contribuir para agregar aos resultados da pesquisa. São exemplos disto, a rotatividade, o absenteísmo, a devolução de produtos, o desperdício, o retrabalho, a falta de cumprimento do prazo de entrega e a insatisfação do cliente. Ter um clima organizacional saudável é fundamental para melhorarmos nossos produtos e serviços, aumentarmos nossa produtividade, reduzirmos custos e sermos diferenciados no mercado.

Palavras-chave: | resultado | Globalização | mudança |

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