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19/12/2005
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O efeito da competitividade na Gestão de Pessoas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Que a competitividade está presente no dia-a-dia das empresas não é mais novidade. A questão, no entanto, é saber como as empresas estão lidando com essa realidade e como a competitividade impacta no desempenho do capital humano. Na prática, podemos observar duas vertentes: uma positiva e outra negativa. Na primeira, a competitividade trouxe refinamento e foco aos processos industriais e interpessoais. No segundo caso, gerou falta de ética em determinados processos e estimulou o estresse nas pessoas devido às constantes pressões. Para falar sobre a influência da competitividade nos recursos humanos, o RH.com.br entrevistou Maria Elisa Menezes, pedagoga, consultora e coordenadora de projetos em Gestão de Pessoas. Segundo ela, para conviver com a competitividade, o profissional de RH deve desenvolver ações práticas e não somente ficar preso ao discurso. Confira a entrevista e boa leitura!

RH.com.br - Que conseqüências a competitividade tem gerado para a rotina organizacional?
Maria Elisa Menezes - A competitividade trouxe tanto o refinamento quanto o foco nos processos industriais e interpessoais. Do ponto de vista dos processos industriais, os olhos dos empresários e investidores se voltaram para outras realidades, como os países desenvolvidos, a procura de maquinário mais moderno, mais eficiente e mais econômico. Assim, os investimentos nesta área foram reavaliados ou pelo menos antecipados. A rotina das organizações foi afetada mais na questão "tempo". Esta questão tem sido tratada com muito mais seriedade, em todos os cantos das organizações, onde ele entra. Hoje o tempo é que determina o quanto será investido, como será e para onde irá, dentro das empresas. A rotina também foi afetada no quesito disponibilidade e flexibilidade para mudanças.

RH - A competitividade compromete a qualidade funcional?
Maria Elisa Menezes - Sim, e de modo positivo, principalmente quando os processos e as relações nas organizações são mais dinâmicos. O processo de tomada de decisões nunca foi tão rápido. Hoje, não temos lugar para o "vamos pensar, deixe o tempo resolver". Atualmente, se uma máquina não é substituída por outra mais econômica, menos poluente ou mais rápida, a empresa corre um sério risco de não ser mais uma concorrente no mercado. Da mesma forma, se as pessoas que formam o capital humano numa organização não se derem conta de que as mudanças são constantes e de que elas precisam estar preparadas a todo tempo para enfrentar essa situação, estarão fora do processo. O alinhamento de tudo isso é o mais penoso.

RH - Que efeitos negativos a competitividade tem gerado nos recursos humanos das empresas?
Maria Elisa Menezes - Se a empresa entende que o processo de competitividade não é apenas o de colocar mais produto ou serviço no mercado, mas sim agregar a esses produtos ou serviços mais qualidade, preço e quantidade apropriados a sua clientela, os efeitos negativos que aparecerão podem ser rapidamente reconhecidos, tratados e superados. O mais nocivo é a falta de escrúpulos, de ética entre as pessoas. Para alcançar os objetivos, qualquer meio se justifica. A falta de ética é o único efeito negativo que pode aparecer em qualquer momento do processo e que, a meu ver, é irreversível para quem o pratica. O estresse pessoal e de grupo é comum, porque o tempo de adaptação e de preparo a uma nova situação é muito pequeno. Isso pode gerar complicações físicas e emocionais nas pessoas, aparecendo aí o aumento do número e a real necessidade de licenças e dispensas médicas. Pelo fato do tempo ser pequeno e as mudanças constantes, as pessoas também deixam de se dedicar às tarefas familiares, sociais e atividades físicas, causando mais estresse e conseqüentemente mais doenças, como exemplo as cardiovasculares decorrentes do quadro. Resolvidos estes negativos, se bem resolvida e conduzida a questão da competitividade para a empresas, todos os envolvidos na organização, inseridos num processo industrial, empresarial ou comercial têm a mesma responsabilidade de apresentar melhores resultados constantemente.

RH - Que efeitos positivos acompanham a competitividade, em relação ao capital humano?
Maria Elisa Menezes - Como efeitos positivos podemos destacar o maior cuidado e a responsabilidade nas relações dentro das organizações, a constante reciclagem, o surgimento de técnicas novas de aprendizagem, maiores investimentos nos setores de produtos e serviços. As pessoas têm buscado mais informações não só dentro da organização, mas fora dela. Elas estão mais habilitadas, inclusive para serem preparadas ou até descartadas. Se uma pessoa que trabalha a área de RH de uma empresa não correr atrás e muitas vezes antecipar aos outros departamentos o que a empresa deve oferecer ao seu capital humano, ela sabe que não está sendo competitiva no seu mercado. Será uma questão de tempo seu descarte. Da mesma forma, os outros departamentos devem correr atrás e solicitar deste mesmo RH, os requisitos e os caminhos necessários para que as ações se dêem no tempo certo e de forma certa.

RH - O retrabalho pode ser considerado um reflexo da competitividade?
Maria Elisa Menezes - Sim. O retrabalho muitas vezes é o reflexo da dificuldade que as pessoas têm de assimilar mudanças. Elas resistem a ponto de prejudicar todo o processo produtivo. Esse retrabalho, como reflexo da competitividade, só deve existir quando um funcionário está em fase de adaptação na organização. Fora isso, podemos considerar o retrabalho constante como incompetência gerencial e física do indivíduo.

RH - Os gestores podem conviver com a competitividade, sem que essa sobrecarregue as equipes?
Maria Elisa Menezes - A escassez de recursos financeiros e de capital humano existentes nas empresas já é parte do conhecimento funcional dos gestores. Por isso, já estão acostumados com o trabalho diário de equipes sobrecarregadas e nesse caso a competitividade não acrescenta em nada. Essa responsabilidade faz com que as pessoas, independente de estarem ou não locadas no departamento de RH da empresa, reconheçam que todas as ações e os resultados decorrentes obtidos são e serão de sua inteira responsabilidade. Esperar que o departamento de RH seja o responsável pela reciclagem, por meio da capacitação, das novidades na área de treinamento, recompensas ou planos de carreira é muita ingenuidade ou até comodismo das pessoas.

RH - Que dicas a Sra. daria para as empresas que desejam manter a satisfação interna em alta, mesmo convivendo com a competitividade?
Maria Elisa Menezes - O gestor precisa se comunicar com todos seus funcionários seja para delegar tarefas como para buscar soluções para as dificuldades enfrentadas pelos colaboradores. O processo de comunicação tem de ser transparente, sem interferências ou ruídos. O gestor deve praticar e incentivar o feedback entre os grupos, pois essa ferramenta possibilita manter e aumentar a satisfação interna. O contato constante com todos da equipe, respeitando os limites de cada um e ajudando os integrantes do grupo a atingirem seus objetivos profissionais e pessoais, também pode colaborar com esses índices satisfatórios.

RH - Qual a importância da área de RH diante da equação competitividade X capital humano?
Maria Elisa Menezes - O papel do RH deve ser uma ponte entre o capital humano e todas as ferramentas disponíveis no mercado, relacionadas não só ao conhecimento científico e teórico, mas também ao crescimento e ao conhecimento pessoal. A área de RH deve ter o papel de exemplo nas relações, dentro de uma organização e para isso, tem de ter pessoal habilitado, demonstrando isso através de gestos e de ações práticas e não somente pelo discurso.

RH - Que ações práticas o profissional de RH pode sugerir à empresa, para que a competitividade não se torne um pesadelo?
Maria Elisa Menezes - Apesar de, na maioria dos casos, o RH de uma empresa estar tão distante do dia-a-dia empresarial, mais parecendo uma outra empresa orbitando em volta de outra, programas de treinamentos específicos, baseados em princípios de autoconhecimento com certeza, serão muito proveitosos. Com raras exceções, via de regra esta distância gera tanta incredibilidade em suas ações, que fica difícil contar com ele, o RH, quando poderia realmente auxiliar, como no caso de um redesenho da organização visando o aumento da agilidade produtiva e comercial. Facilitar e criar uma aproximação mais efetiva das áreas específicas, visando o entendimento das necessidades reais de cada uma; a criação e a manutenção, junto com as partes interessadas, de uma matriz de habilidades tanto técnicas quanto comportamentais, para os recursos da organização, tudo isso são ações práticas que o profissional de RH pode sugerir à empresa.

RH - Para conviver pacificamente com os efeitos da competitividade, o RH precisa posicionar-se como um parceiro estratégico da empresa?
Maria Elisa Menezes - Nem sempre é possível uma convivência pacífica com a competitividade. Ela sugere disputa, superação de limites, entre outros, inclusive em diferentes áreas nas empresas. Porém, somando habilidades, compartilhando espaços e dividindo responsabilidades temos aí um princípio de parceria. Esse é o caminho que o RH de uma empresa deve seguir. Mesmo sendo excluído de assuntos mais técnicos, o RH precisa provar, por sua competência e persistência, que veio para somar e não para ser mais um departamento. Todo o conhecimento teórico e prático do RH deve ser colocado a serviço de todos os colaboradores, de todas as áreas, incluindo aí os de RH. Sendo parceiro estratégico, estará presente, implicitamente em todas as possíveis e novas estratégias tecnológicas adotadas. Mantendo-se próximo e interessado em outras áreas, o RH pode iniciar um movimento muito positivo de agregação de conhecimento, de pessoas e talentos dentro das organizações.

Palavras-chave: | competitividade | retrabalho | desempenho |

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COMENTÁRIOS (1)
juceliao liveira em 18/05/2010:
SENSACIONAL,GOSTEI BASTANTE DESTA ENTREVISTA,ACABEI DE ME INSCREVER NO VESTIBULAR PARA GESTOR EM RECURSSOS HUMANOS E ESTOU MUITO MAIS SEGURA AGORA.... FOI BOM.OBRIGADA

 
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