O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Conheça os cursos online e os eventos virtuais do RH.com.br
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »






30/04/2013
RH » Desempenho » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Zona de conforto: perda significativa para empresas e colaboradores

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Ninguém está livre de, em determinado momento da sua trajetória profissional, passar por alguma fase em que o desempenho não seja dos melhores. Contudo, isso pode ser algo passageiro e o talento, por sua vez, reage naturalmente e volta a apresentar uma boa performance diante de suas atividades laborais. Algumas vezes, ele chega a precisar a ajuda do líder e também da área de Recursos Humanos para reverter a situação. Por outro lado, há aquelas pessoas que ao se sentirem seguras por já terem conquistado um relativo conforto param e pensam: "Por que vou me desgastar mais, se já cheguei a onde desejava?". Quem se passa a adotar essa linha de pensamento apresenta sinais claros de que está na chamada zona de conforto - fator de grande preocupação para quem vivencia o dia a dia das organizações.
Para falar sobre esse assunto de grande relevância, o RH.com.br entrevistou Rogerio Martins, consultor empresarial e sócio-diretor da Persona Consultoria & Eventos. Segundo ele, existem fatores pessoais, como também aqueles relacionados à organização que podem levar um profissional a "mergulhar" na zona de conforto. "O talento pode entrar no comodismo devido a fatores associados à baixa autoestima e à falta de objetivos pessoais de longo prazo, por exemplo. Há também fatores relacionados ao ambiente da organização que podem contribuir para este processo. Entre eles, um dos principais é o perfil de liderança e seu impacto nos funcionários", explica o consultor.
Rogerio Martins participará do 7º ConviRH (Congresso Virtual de Recursos Humanos) - evento promovido pelo RH.com.br, no período de 16 a 31 de maio de 2013. Na ocasião, ele irá proferir a palestra virtual "O Poder da Motivação - Autoestima e as sete leis do sucesso". Confira a entrevista na íntegra e tenha uma agradável leitura!

 

RH.com.br - O que caracteriza um profissional que se encontra na zona de conforto?
Rogerio Martins - O ser humano é curioso, pois ao mesmo tempo em que busca crescimento, melhorias em sua vida e ao seu redor, também se acomoda quando alcança algum patamar que lhe traz relativo conforto. Isso é o que chamo do paradigma do não sofrimento. Muitos buscam apenas o mínimo necessário para não sofrer e quando conquistam entram na zona de conforto. Isso ocorre, em geral, por falta de objetivos mais significativos, por uma visão limitada da vida. Obviamente que há momentos onde a presença de uma certa acomodação é necessária e positiva, pois pode permitir um desenvolvimento futuro. O problema acontece quando há possibilidade de crescimento e a pessoas não enxergam ou não agem de forma a sua progressão. Saber distinguir quando é preciso parar por um tempo ou entrar na zona de conforto é mais complexo, pois o fato de estar envolvido nos acontecimentos pode dar uma visão distorcida sobre si mesmo e sobre os fatos.


RH - Quais os principais fatores que levam um profissional seguir em direção à zona de conforto?
Rogerio Martins - Em geral os fatores são mais pessoais. Pode estar associados à baixa autoestima e falta de objetivos pessoais de longo prazo, por exemplo. As características de personalidade associadas à criação que teve em casa e às experiências profissionais anteriores contribuem para que algumas pessoas desenvolvam este comportamento de acomodação. Porém, não é só isso. Há também fatores relacionados ao ambiente da organização que podem contribuir para este processo. Entre eles, um dos principais é o perfil de liderança e seu impacto nos funcionários. Um gestor que também é acomodado gera profissionais semelhantes. Um gestor que tem medo ou vergonha de cobrar resultados também pode gerar este processo perigoso para a produtividade e resultados de todos. Além disso, as políticas internas podem contribuir ao não valorizar a meritocracia. Quando a organização não distingue e não valoriza os melhores acaba criando uma falsa ideia de que ser mediano é bom.


RH - Como se distingue um colaborador que está na zona de conforto, em relação àquele que passa apenas por um breve período de baixa performance?
Rogerio Martins - O colaborador que está na zona de conforto tem este comportamento como padrão. Suas atitudes diárias são comprometidas por um comportamento acomodado, geralmente lento e muitas vezes improdutivo. Porém, há momentos na vida que agimos com menos empenho devido a fatores pessoais ou externos. Podemos caracterizar como os períodos de baixa performance e o funcionário que passa por este período consegue reagir quando há algum estímulo diferente ou, naturalmente, quando é de sua personalidade. Este estímulo pode ser uma mudança de área, uma meta desafiadora, uma recompensa diferente por melhores resultados e assim por diante. A maioria dos seres humanos é movida por desafios, menos aqueles que gostam da zona de conforto. O desafio é um incômodo para estas pessoas. Pessoas mais acomodadas também encontrarão seu espaço em atividades compatíveis e é importante que busquem esta opção ao invés de sofrerem, tentando agir de modo que não lhes é confortável. É preciso entender que cada empresa, cada negócio e cada atividade requer um perfil ou um estilo de ação. É possível encontrar empresa ou área onde este estilo mais acomodado faça algum sentido. Porém, é cada vez mais raro neste mundo competitivo e globalizado.


RH - Quem mais se prejudica com a zona de conforto: a empresa ou o colaborador?
Rogerio Martins - Sem dúvida alguma ambos saem prejudicados de uma situação de zona de conforto. O funcionário perde credibilidade e isso pode prejudicar sua carreira atual e futura. Com o tempo passará a ser conhecido como alguém que não se pode confiar algum trabalho inovador ou desafiador e atualmente estes são grandes diferenciais competitivos. Os colegas de trabalho tendem a se afastar e o isolamento pode reforçar esta condição, gerando mais complicações no ambiente. Para a organização o prejuízo pode ser em larga escala, pois afeta seus resultados, o clima organizacional e até mesmo a relação com os clientes e os fornecedores. Imagine que este profissional que está na zona de conforto atua no contato direto com clientes. Seu ritmo de trabalho é afetado e acaba impactando nos negócios da organização. Gera uma imagem negativa da empresa por causa de sua postura acomodada, ineficiente e muitas vezes descompromissada.


RH - Existe algum perfil de profissional tenha uma tendência mais expressiva a entrar na zona de conforto?
Rogerio Martins - Não acredito em um perfil padrão, mas podemos afirmar que há algumas atividades onde este tipo de situação pode ocorrer com maior frequência. Pessoas que atuam em atividades mais monótonas, repetitivas, com pouco uso da capacidade criativa e menor envolvimento com pessoas podem ser potenciais candidatos a entrar na zona de conforto. Ao mesmo tempo, há pessoas que atuam em atividades menos desafiadoras e ainda assim são motivadas, entusiasmadas e atuantes. Isso ocorre porque elas têm um conhecimento maior sobre si mesmas e, assim, conseguem se perceber quando estão entrando em situações de acomodação. Esses profissionais não são a maioria, certamente, mas conseguem fazer a diferença.


RH - Na prática, como um líder identifica quando um profissional que começa a dar os primeiros passos rumo à zona de conforto?
Rogerio Martins - Este processo rumo à zona de conforto não acontece por acaso e subitamente. Como mencionei é um processo. Vai surgindo aos poucos com pequenas ações diárias. Um atraso aqui, um bate papo de corredor ali, um relatório atrasado acolá, mais um tempinho desperdiçado analisando algo que poderia ser em menor tempo e o gestor que não faz nada para completar o quadro. Na verdade, o líder tem que estar sempre muito próximo de seus funcionários. Precisa conhecer um pouco dos objetivos de cada um para que possa fazer um trabalho verdadeiramente de gestão. Precisa orientar e cobrar quando necessário. O que ocorre com frequência é que a grande maioria das pessoas que ocupam cargo de liderança não são líderes. Em geral, são gerenciadores de processos. Neste perfil nunca irão conseguir identificar quando um profissional começa a dar os primeiros passos rumo à zona de conforto.


RH - Uma vez que a liderança constata que o liderado encontra-se na zona de conforto, qual o procedimento imediato a ser adotado para reverter a situação?
Rogerio Martins - Como mencionei anteriormente o gestor precisa estar próximo. Necessita de boas doses de tempo e de atenção com cada funcionário. Tem que conversar frequentemente com sua equipe. Ouvir e falar o que está acontecendo e sua expectativa em relação ao funcionário, suas metas, seu futuro. Traçar um plano de ações e resultados. Deixar claro o que espera de cada um e que irá cobrar isso no dia a dia. Porém, tem que fazer. É fundamental aprender sobre como lidar com funcionários acomodados. Pode fazer isso lendo livros a respeito ou participando de cursos de liderança onde este item esteja presente. Faz-se necessário assumir seu papel de líder que agrega gerenciamento do cotidiano - tarefas - e Gestão de Pessoas - relacionamento.


RH - Um único profissional, que se encontra na zona de conforto, tende a influenciar os demais colegas da equipe a seguirem o exemplo dele?
Rogerio Martins - Certamente pode influenciar. Costumo argumentar que influenciamos e somos influenciados pelo meio e as pessoas fazem parte deste processo. Portanto, nesta interação que ocorre em qualquer organização o contato com pessoas mais acomodadas pode despertar em alguns talentos, este mesmo comportamento. O contrário também. Isso me faz lembrar uma história interessante sobre influência. Conta-se que um jovem recém-casado, ficou curioso, ao perceber a forma com que a sua esposa colocava peixe na frigideira: cortava a cabeça, bem cortada, e o rabo, até quase o meio do peixe. Indagou-lhe o porquê daquilo, ao que ela respondeu: "Mamãe sempre fez assim e aprendi com ela... naturalmente, deve ser a melhor maneira". E assim, sempre que a esposa ia fritar peixe, procedia daquela forma. Afinal, quem era ele para contestar os dotes culinários da sogra? Num dia de domingo, estando eles na casa da mãe dela, coincidiu de observar a sogra preparando peixes para fritar. Viu que ela não cortava tanto como sua esposa, que dissera ter aprendido com ela e, imediatamente, questionou. A sogra riu e lhe respondeu: "Meu filho, eu sempre cortava o peixe daquela maneira porque a minha frigideira era pequena... só isso!".


RH - O senhor acredita que um profissional sai sozinho da zona de conforto ou ele precisa necessariamente do apoio do líder e da área de Recursos Humanos, por exemplo?
Rogerio Martins - Cada caso é particularmente único e, por isso, é possível que algumas pessoas saiam da zona de conforto sozinhas, mas é mais difícil. A dificuldade reside no fato de que a maioria das pessoas não tem o hábito de fazer uma autoanálise de seu comportamento. Em nossa cultura não somos criados para nos observarmos e fazermos melhorias pessoais. A educação tradicional - família, escola e trabalho - nos leva sempre a olhar para fora, para descobrir as falhas e as virtudes dos outros. Poucos são aqueles que conseguem fazer este exercício e que, geralmente, está associado a alguma experiência positiva ou negativa de suas próprias vidas. Com isso, o apoio dos gestores é fundamental, pois são eles que estão no dia a dia e podem ser uma grande referência do comportamento dos seus funcionários. O exercício frequente do feedback é uma das melhores soluções para sair da zona de conforto. A área de RH também pode agir de modo mais estratégico e auxiliar os funcionários que se encontram nesta situação. Porém, é fundamental agir em parceria com os gestores.


RH - Alguma orientação final para os líderes que precisam deixar suas equipes "distantes" da zona de conforto?
Rogerio Martins - Os funcionários - gestores e executores - e as organizações precisam investir incessantemente no aperfeiçoamento das pessoas. Quanto maior o autoconhecimento e a criação de ambientes favoráveis ao diálogo menor a chance das pessoas e de equipes desmotivadas ou fincadas na zona de conforto. É preciso que gestores e funcionários criem o hábito de avaliar seus resultados, suas metas e expectativas. O acompanhamento contínuo evita acomodações e pode auxiliar na orientação de situações que levem a este estado que é perigoso para todos. A ação para deixar as equipes distantes da zona de conforto é investir nas pessoas. Os resultados virão quando todos estiverem satisfeitos e motivados para produzir mais e melhor. Todos são responsáveis por isso: o funcionário que busca continuamente o autoconhecimento e o crescimento; o gestor que está próximo de sua equipe orientando e estimulando os funcionários; a empresa que investe tempo e recursos na preparação de todos os seus colaboradores. Quando todos fizerem sua parte de forma adequada e permanente teremos pessoas e organizações de sucesso.

 

 

Palavras-chave: | Rogerio Martins | zona de conforto | ConviRH | RH.com.br | produtividade |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (7)
Beto Newmann em 28/06/2013:
Parabéns pela entrevista. Esclarecedora e deixa um alerta para que possamos não nos deixar levar por esta acomodação. Parabéns ao Rogério Martins que soube traduzir de maneira prática um comportamento complicado de lidar no dia a dia. Adoro o conteúdo de vocês.

César Augusto Crepaldi em 09/05/2013:
Ninguém deve, nem pode se acomodar, pois estamos em constante formação de aprimoramento e aprendizado!

Denise Ferreira da Cruz em 07/05/2013:
Liderar pessoas significa estimular o envolvimento e o desenvolvimento delas. Quando, na empresa, existe uma relação assertiva entre os colaboradores, o comprometimento e entusiasmo com o trabalho de cada colaborador fluem naturalmente, os problemas são resolvidos sem estresse desnecessário e, evidentemente, a produtividade.

Bernadete em 05/05/2013:
Infelizmente, a realidade é uma só, esse tipo de funcionário deve ser excluído da equipe antes que contamine toda ela.

MARIA TEREZA PREGELI em 04/05/2013:
Muito interessante e produtiva está palestra que sempre enobrece e incrementa nossa aprendizado. Algumas estão em sua zona de conforto e não conseguem ver novas perspectivas de crescimento.

Carina Mena em 02/05/2013:
Muito boa essa entrevista, as empresas realmente devem investir no aperfeiçoamento de seus colaboradores, para que tanto o funcionário quanto a organização melhorem seu desempenho.

Wesley Lucius dos Santos Meneses em 02/05/2013:
O tema abordado é muito bom, pois é um dos fatores que ocorre nos dia de hoje, ja me encontrei participando na zona de conforto quando via que o local de trabalho e as atividades que exerciam não me traziam novos desafios. A parte de cozinhar o peixe é uma das formas mais claras da zona de conforto, pois nela a pessoa utiliza a "desculpa" que aprendi e sempre fiz dessa forma, essa pessoa talvez nunca se perguntou o que será que posso melhorar nas minhas atividades e no setor que trabalho. Outro fator que é bem forte é a questão do líder como dito por Rogerio Martins " O que ocorre com frequência é que a grande maioria das pessoas que ocupam cargo de liderança não são líderes". Para finalizar o meu comentário investir em treinamentos e cursos de especificação são fatores que sempre vão tirar as pessoas da zona de conforto, pois quando é executada alguma nova atividade que a pessoa tem conhecimento que é importante para ela automaticamente vai tentar melhorar suas atividades cotidianas.

PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Curso Online do RH.com.br

Curso Online do RH.com.br



PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.