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05/11/2002
RH » Desempenho » Matéria Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Sua empresa foi contaminada pela apatia?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Alcançar e até mesmo superar as metas traçadas pela organização. Este, a princípio, seria um dos principais objetivos de qualquer equipe que deseja apresentar um bom desempenho. Mas para que isso seja possível, é preciso que os líderes estejam atentos à "saúde" da corporação. É necessário que as lideranças fiquem em "estado de alerta" para identificar os sintomas de uma enfermidade que pode comprometer a sobrevivência do negócio: a chamada apatia corporativa.

Apontada como uma das responsáveis pela desmotivação dos colaboradores, a apatia corporativa vem chamando a atenção dos profissionais de Recursos Humanos. "Ela é uma doença organizacional que se caracteriza pela sensação de letargia, desinteresse, abatimento moral ou físico, falta de ânimo, de coragem e de ação entre os colaboradores e que acaba refletindo-se nas relações internas e externas, nas operações, no ambiente e até nas condições gerais das instalações e equipamentos", afirma o consultor especializado em Gestão Estratégica, Carlos Alberto Zaffani.

Segundo ele, inúmeros fatores podem ser apontados como sendo os causadores da apatia corporativa. Os sintomas, complementa Zaffani, podem ser ocasionados tanto por questões internas, quanto externas ao ambiente de trabalho. Em relação aos funcionários, ele aponta como responsáveis pela "doença" o desequilíbrio no contexto familiar, condições de vida, remuneração insuficiente para satisfazer às demandas básicas, violência urbana, nível de espiritualidade, educação, falta de perspectiva e medo em relação ao futuro.

Por outro lado, a apatia corporativa também pode surgir em decorrência de fatores ligados aos dirigentes como, por exemplo, falta de sensibilidade, ausência de abertura e de diálogo com os colaboradores, centralização de poder, egocentrismo, individualismo, visão de curto prazo, inexistência de metas claras ou objetivos mal conduzidos, ética questionável e exteriorização de riqueza ou poder.

"Outros fatores que também estão relacionados aos dirigentes são os níveis de espiritualidade e de educação. No que se refere ao mercado de atuação, destacaria a qualidade e atuação da concorrência, mercado informal, excessiva capacidade ociosa, baixa demanda dos produtos ou serviços e remuneração e benefícios abaixo do mercado", complementa Zaffani.

No que se refere à cultura organizacional, o consultor afirma que, em princípio, esta poderia contribuir para a manifestação da "enfermidade", mas que se a empresa preservar valores como ética, moral, respeito ao ser humano, à sociedade e ao meio ambiente, maiores serão as chances de imunidade ou de tratamento contra a apatia.

"Tenho observado que muitas organizações contraem a doença e convivem com ela, durante anos. Na maioria das vezes, isso se torna possível quando a empresa atua num mercado com forte demanda. No entanto, é preciso ter em mente que a apatia é como muitas doenças humanas nas quais, quando detectadas, já se encontram em estado tão avançado que, quaisquer que sejam os tratamentos, a recuperação será muito difícil ou até mesmo impossível. Em outras palavras, a apatia corporativa pode levar uma organização à morte", destaca Carlos Zaffani.

De acordo com o consultor de Gestão Estratégica, não existe um mecanismo específico para diagnosticar a apatia corporativa. Mas, a empresa deve ficar atenta aos seguintes sintomas: instalações, em geral, mal conservadas; clientes e fornecedores que não são atendidos adequadamente; comunicação precária entre os funcionários; dirigentes com pouca acessibilidade; expressão facial das pessoas denotando tristeza ou preocupação e grupos de colaboradores que se dispersam com a aproximação de um superior.

Também são característica de uma empresa que sofre de apatia: má organização de um modo geral; processos e controles inadequados ou insuficientes; lentidão na solução dos problemas; divergências entre diretores/gerentes divulgadas dentro da corporação; remuneração e benefícios muito abaixo dos concorrentes; inexistência de planejamento ou quando há, são mal elaborados e não divulgados; metas e objetivos não claros; inexistência de medidores de performance apropriados e colaboradores sem acesso aos resultados.

Como nas enfermidades humanas, a profilaxia também é uma boa alternativa para evitar a apatia corporativa. Para isso, Carlos Zaffani comenta que a empresa pode adotar determinadas ações como realização de palestras de esclarecimento, orientação, conscientização, motivação e auto-estima para seus colaboradores.

Em relação aos fatores internos, ele aponta a busca pelo aprimoramento dos canais de comunicação em todos os níveis, aperfeiçoamento das relações humanas, melhoria das condições gerais de trabalho, evidenciamento de práticas éticas e de responsabilidade social, planejamento e estabelecimento de metas e objetivos claros com divulgação de resultados avançados, disponibilidade de medidores de performance factíveis e compreensíveis que possam ser acompanhados por todos e incentivo às atitudes pró-ativas e ao desenvolvimento espiritual.

No que diz respeito à atuação do profissional de RH, no combate à apatia corporativa, Zaffani salienta que este também tem um papel fundamental para impedir o surgimento da "doença", devendo sempre estar atento aos primeiros sintomas da mesma.

"Embora reconheçamos que, muitas vezes, o RH tem poderes limitados nas organizações, tal fato não deve redundar na aceitação pura e simples das circunstâncias, mas isto sim, deve servir como um estímulo a mais para firmar sua posição estratégica e fundamental para sucesso de qualquer empreendimento", finaliza.

Palavras-chave: | apatia | corporativa | doença |

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