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12/04/2000
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A Conclusão!

Por Paulo Henrique Bolgar para o RH.com.br

Contrariamente à idealização que se propõem com freqüência no mundo do negócios, a organização aparece freqüentemente como um lugar propício ao sofrimento, à violência física e psicológica, ao tédio e ao mesmo tempo ao desespero não apenas nos níveis mais baixos como também nos níveis intermediário e superior. Em um mundo essencialmente dominado pela racionalidade instrumental e por categorias econômicas rigidamente estabelecidas, os homens e mulheres que povoam as organizações, na maioria das vezes, são considerados apenas recursos, isto é, como quantidades materiais cujo rendimento deve ser satisfatório do mesmo modo que as ferramentas, os equipamentos e a matéria-prima. Associado ao universo das coisas, as pessoas empregadas nas organizações transformam-se em objetos. Em alguns casos só acontecimentos extraordinários fazem emergir sua condição humana.

Acontece que no mundo das pessoas, os acontecimentos não seguem uma ordem previsível. O ser humano pela sua essência e características peculiares, tem uma natureza que o faz diferente e único. Não é fácil prever suas reações nem estabelecer uma cadeia de atividades a ser seguida como um autômato. Por isso, o comportamento humano não pode continuar sendo considerado pelos enfoques administrativos e pelas óticas empresariais e gerenciais com a simplicidade mecanicista ainda dominante.

Reunir o que estava até agora separado, colocar em evidência as dimensões esquecidas, reafirmar o papel do indivíduo, da experiência, do simbólico nas organizações e ao mesmo tempo restitui-los ao seu quadro sócio-histórico, é a ambição desta complexidade do seres humanos nas organizações que procuramos construir.

A verdade é que pouco se mudou nestes últimos anos, e um dos fatores que contribuiu para este cenário foi o fato de que durante muito tempo se valorizou o capital financeiro como principal recurso das empresas. Pensava-se que as empresas fossem constituídas principalmente de dinheiro e capital. Contudo muitas empresas com elevado nível de capital financeiro simplesmente desapareceram do mercado nestes tempos de instabilidade e turbulência.

A realidade é que algumas empresas começaram a perceber que elas eram basicamente constituídas de pessoas, mas estas nunca foram adequadamente utilizadas e motivadas e, por isso, a maior parte das empresas administra hoje uma pesada herança do passado; pessoas acomodadas e acostumadas a um baixo desempenho sem nenhuma criatividade ou inovação, preocupadas exclusivamente com a rotina cotidiana e a garantia no emprego, submetidas a uma cultura empresarial inflexível e com lideres igualmente despreparados. São empresas "burras" ou com baixo capital intelectual.

O caminho desta mudança de paradigma se dará com as características da Recursão Organizacional já apresentada, pois será com a evolução dos indivíduos que haverá a evolução das organizações, estas por sua vez fará com que os indivíduos evoluam e este ciclo não terá fim.

E tal processo, invariavelmente evoluirá também as relações sociais como um todo, pois os indivíduos não existem somente dentro dos quadros das organizações e assim a sociedade como um todo terá modificações no relacionamento pessoal e o próprio questionamento de poder, normas e conceitos gerais se darão.

Como resultado espera-se a continuidade e evolução dos negócios das organizações e assim a garantia da subsistência dos indivíduos que aí adquirem seus recursos materiais, mas sem dúvida o que será de grande importância neste novo paradigma será o reconhecimento dos indivíduos como sendo o grande diferencial a receber investimento nas organizações e o principal reconhecimento será o respeito a visão de todo (bio-psíquico-social) que eles terão, além de terem suas opiniões sendo ouvidas, sendo atendidas ou quando não, recebendo argumentações que defendam os padrões e aceitação pelo consenso e pela ética discursiva.

Finalizando, as organizações não têm vida própria, são os indivíduos que lá estão que dão a ação e a cultura a elas, o que se tem então são vários níveis de poder, e os processos decisórios se mantêm apenas em níveis mais altos, e assim para a aplicação e aceitação deste novo paradigma deverá fazer o reconhecimento de todo o grupo de trabalho, de todos os indivíduos, para que se evite a imposição de uns em relação aos outros. E para reforçar, tais modificações são urgentes e delas dependerá o sucesso das organizações que existem hoje, pois sem a valorização do indivíduo, não se pode garantir como elas estarão no futuro.

Concluímos então que, administrar pessoas vem antes, durante e depois da administração do capital ou qualquer outro recurso empresarial. Segundo Thomas A. Stewart(*), as empresas que se deram conta disso e voltaram-se para seus funcionários, são hoje as mais bem sucedidas do mercado.

"O verdadeiro investimento na sociedade do conhecimento não é em máquinas e ferramentas, mas no conhecimento do trabalhador do conhecimento... - o trabalhador industrial precisava infinitamente mais do capitalista do que o capitalista precisava dele... Na sociedade do conhecimento, o pressuposto mais provável das organizações – e certamente aquele que elas tem que se guiar – é que as empresas precisam muito mais dos trabalhadores do conhecimento do que eles precisam delas". Peter Drucker - "The Age of Social Transformation"

(*) STEWART, T.A. Capital Intelectual – A Vantagem Competitiva das Empresas, Rio de Janeiro, Ed.Campus, 1998.

Palavras-chave: | Desenvolvimento | Comportamento | Conclusão |

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COMENTÁRIOS (1)
Wéllington em 16/05/2013:
Em compensação ao crescimento obtido das novas concepções promovidas por sistemas de gestão de pessoas, a autoridade de chefes ou gerentes de empresas tratava os funcionários como pessoas abaixo de seus cargos, observando todos com grande soberba social. Agiam pensando ter construído lugares altos e bem edificados e que nunca poderiam conversar com “menores”. Mas os estudos mostram a tendência no aumento do comportamento entre relações humanas e a conscientização das pessoas, pois está área da vida social abrange também, não somente nas organizações empresariais, uma expectativa maior de metamorfose nos mecanismos desenvolvidos na elaboração de atividades realizadas. É correto afirmar que existe atualmente a preocupação com a relação interpessoal. Existiu a fase de obrigação das pessoas em trabalhar e progredir em excesso desprezível, mandados e rendidos a chefes autorais que não permaneciam em contato com demais operários. Para eles o dever era mandar e a presteza deveria ser mantida em constância laboral sem o direito algum de propor ideias no rendimento trabalhista e redução da carga horária. Os profissionais continuam em direção a construção e a maturidade de ideia e seguindo rumo à perfeição de climas recíprocos e atuantes da era legal de trabalhos funcionais. Portanto, essas afirmações fundamentadas especificam as motivações suficientes para a satisfação do trabalho mostrando diferentes necessidades humanas apresentadas por cada pessoa em si. Como acreditar que as condições subumanas vão proporcionar-nos melhoria no desempenho, se o que sabemos é que as relações com supervisores estão sendo desumanizadas moralmente, ou seja, as pessoas estão a baixo do nível humano em algumas organizações. O desrespeito e desvalorização profissional não são capazes de dar suporte e estrutura desejável ao meio social dentre os empregados. Isso envolve diversos setores de um clima organizacional. Não exercem as competências sugeridas que atendam as necessidades básicas de conforto e o enriquecimento do cargo em ambas as partes. Será que estão esperando a chegada de colegas, como trabalhadores desafiantes nas oportunidades de emprego? O mesmo acontece na atualidade humanizada onde se vê somente aparências de empresas sócias econômicas que por intermédio de muitas técnicas provocam nos espectadores um falso alarme de que a economia está crescendo juntamente com os recursos humanistas e mão de obra avançada, e ainda avançam o sinal dizendo que são responsáveis pela demanda que lhes intervém dos profissionais atuantes. Mas, porém, o que se passa nesse momento exato é uma persuasão de ideias não bem planejadas. Pois, está ficando escassa a mão de obra de especialistas profissionais que poderão dar resultado ideal como se existia uma vez. Entenda que se trabalham poucas horas por dia com boa remuneração salarial até satisfacientes na população. Agora e no futuro, pretende-se substituir tudo isso por tecnologias que fazem obras e delegações movidas pelo sistema de máquinas evidenciadas fisicamente provocando a grande insatisfação do trabalhador, porque as tecnologias estão avançando verdadeiramente e deixando o pessoal responsável pela demanda sem retorno algum. É por isso que a companhia desses fatores influencia tanto na desvalorização de pessoal. Gastam bufunfas com esses utensílios modernos que há hoje e no amanhã propriamente dito. É preciso prestar mais a atenção nesses comparativos, a gestão está evoluindo e precisa ser bem exata e gerida com sucesso!!!! Até breve....

 
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