O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Última chance para se inscrever no 6º ConviRH!
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »
07/06/2001
RH » Desenvolvimento » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Otimização dos investimentos em treinamento: foco nas médias empresas

Por Marcos Antonio Martins Lima para o RH.com.br

Este assunto vem sendo bastante discutido pela imprensa brasileira, principalmente, na área de Administração. A revista Exame em sua edição nº 12, de 03 de junho de 1998, e a revista T&D (Treinamento & Desenvolvimento) publicada em fevereiro do mesmo ano, por exemplo, já traziam reportagens de destaque e artigos relacionados à preocupação das empresas com os investimentos realizados com as ações de treinamento.

Acompanhar a dinâmica e as mudanças que as organizações capitalistas sofrem no mundo inteiro, também, tornou-se uma necessidade de todas as empresas brasileiras, inclusive as localizadas na região Nordeste. A competitividade, em um mercado cada vez mais exigente, transformou-se num fator determinante para a sobrevivência e o crescimento das organizações.

Os enxugamentos de estruturas e de pessoal; o fechamento de unidades produtivas; a otimização e automação de processos de trabalho e de produção, bem como a necessidade de novos negócios, hoje, são consideradas modernas práticas e que vêm sendo adotadas para alcançar a competitividade. Paralelo a essas práticas, as empresas perceberam a necessidade, também fundamental, de qualificar melhor seus recursos humanos, seja reciclando-os ou formando-os através da participação em cursos, seminários e congressos ofertados pelo mercado brasileiro de T&D.

Os artigos citados, no começo deste texto, apresentavam resultados de pesquisas realizadas entre as 500 melhores e maiores empresas brasileiras em 1996 e 1997. Constatou-se que estas organizações gastaram nestes anos cerca de 580 e 650 milhões de dólares, respectivamente, (Revista Exame, 03.06.98). A ASTD (American Society for Training & Development), baseada em pesquisa realizada pelo Bureau of Labor Statistic revelou que as empresas norte-americanas investiram o equivalente a 55,3 bilhões de dólares em treinamento, somente no ano de 1997. Outra pesquisa realizada pela HPPS (Pesquisa de Práticas para Performance Humana) mostrou, em nível de tendência, um crescimento nos investimentos realizados com ações de treinamento nas empresas norte-americanas. Segundo essa última pesquisa, existem variações de setor para setor. Enquanto a indústria pesada consta no rol das empresas que registraram aumentos, os setores de saúde, high-tech e varejo, restaurantes e hotelaria, anotaram queda nos seus gastos com treinamento.

Em vista destas realidades nas grandes organizações mundiais e brasileiras, como também nas nordestinas, torna-se necessário que estas empresas sejam sensibilizadas e que reconheçam a necessidade de melhorar a gerência em seus investimentos na área de Treinamento & Desenvolvimento. Estas ações possibilitariam ótimo resultado nas melhorias do trabalho e no próprio negócio aos quais estão vinculadas.

No caso específico das médias empresas brasileiras, existe um dilema extremamente necessário para ser elucidado. A necessidade da melhoria qualitativa e quantitativa da educação formal e escolar para os recursos humanos é profundamente sentida nas profissões que exigem maiores níveis de qualificação. Aliada a essa necessidade está a educação profissional que também é importante para os negócios e para os processos produtivos e de serviços dessas empresas. Aí está a questão: "A necessidade de investir em treinamento é indiscutível, mas a pouca disponibilidade de recursos financeiros é também uma realidade". Mas, como resolver essa questão?

Através da disciplina Administração Financeira na Pequena e Média Empresa, do Curso de Mestrado em Administração (CMA) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) elaborou-se um trabalho científico que pode ser perfeitamente aplicado em organizações de médio porte (independente do setor em que atuem - indústria, comércio ou serviços) e cujo objetivo visa minimizar esse dilema que vem sendo tratado de forma empírica pelas médias empresas brasileiras, nordestinas e do próprio Ceará.

O trabalho é um modelo de planejamento orçamentário em treinamento de recursos humanos para médias empresas, na classificação do SEBRAE compostas por 100 a 499 empregados. Essa proposta parte do norte traçado pela empresa, seja o seu planejamento ou direcionamento estratégico, seja o pensamento de sua diretoria ou de seus proprietários, priorizando os programas de T&D a serem investidos e o parâmetro máximo de recursos financeiros para T&D no período considerado (semestre ou ano). A partir daí, é feito um diagnóstico de necessidades de treinamentos nas diversas áreas, ofertando-se os programas priorizados pela empresa. Montam-se os Planos de T&D semestrais ou anuais com os programas, os respectivos cursos e as quantidades demandadas pelas diversas áreas e equipes da empresa. Depois, elabora-se o orçamento global e detalhado de T&D.

O orçamento é construído de forma participativa, ou seja, é formatado de acordo com as demandas provenientes das diversas áreas e profissionais da empresa. Porém, para o seu fechamento e validação devem ser considerados os parâmetros de investimentos previamente definidos pela empresa. Dispondo do Plano de T&D, com os programas e cursos ofertados para o período e dos valores "per capita" de cada curso, deve ser feito o cálculo dos investimentos por curso e por programa, a fim de se fazer uma correlação com o valor total do parâmetro selecionado e com as proporções definidas para cada programa em relação ao investimento total.

Constatada qualquer discrepância quanto à formação do orçamento por programa e por cursos, o orçamento deve ser revisto pela diretoria da empresa com o objetivo de realizar e validar os ajustes necessários. Este momento, e na prática é muito provável sua ocorrência, precisa de um tratamento adequado das informações disponíveis e uma revisão dos orçamentos previstos, inclusive com possibilidade de revisão dos parâmetros e critérios adotados.

Este passo pode ser realizado com uso de "software" adequado e que permita a simulação e o uso de análise de probabilidades que facilitem os ajustes necessários aos valores orçados para cada programa e curso.

Com esse procedimento, as médias empresas podem minimizar o dilema e conciliar, de forma otimizada, a necessidade de investimento em T&D com a disponibilidade de recursos financeiros e as suas reais necessidades em ações de treinamento para seus recursos humanos.

Colaboraram com este artigo: Emannuel Ary e Ricardo Homcy – Mestres em Administração.

Palavras-chave: | treinamento | desenvolvimento | média empresa |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (0)
Ainda não há comentários.

Seja o primeiro, clique no ícone disponível logo acima e faça seus comentários.
 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

6º ConviRH

Seminários RH.com.br



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.