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15/01/2002
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Aprendizagem dos adultos

Por Luiz Carlos Moreno para o RH.com.br

Uma série de condições são exigidas para que ocorra a aprendizagem nos seres humanos adultos e compreendem:

* Significação – O adulto busca sempre uma resposta para a questão: o quê isso significa para mim?
* Compreensão inicial – Tem que ficar compreendida, desde o início a atividade de ensino aprendizagem, a determinante inicial, o caminho a ser percorrido e o objetivo.
* Ritmo – O respeito ao ritmo individual é um fator de fundamental importância. Os adultos gostam de atuar e rendem mais quando essa característica individual é respeitada.
* Expectativas – A definição das expectativas precisa ser considerada no diagnóstico inicial e claramente delimitada.
* Participação – As atividades de ensino – aprendizagem com adultos, podem e devem proporcionar momentos de participação ativa.
* Ajuste – Todos os componentes do planejamento e da ação devem ser avaliados e ajustados conforme as necessidades.
* Desenvolvimento – A referência deve ser de onde se parte para onde se quer chegar, acréscimo ou ganho, ascensão para um nível superior de práticas, informações e conhecimentos.
* Ordenação – A seqüência, senão lógica, pelo menos coerente, precisa ser observada.
* Interdisciplinaridade – Como essa atividade se inter-relaciona com as demais, trabalhada por outros profissionais, outras formações.
* Integração – Formação de um todo compreensível de como a informações, práticas e conhecimentos integram-se.

Dentro destas condições, o objetivo da comunicação educacional é modificar:
* estado do saber
* do saber fazer
* do comportamento do receptor
* de levá-lo a compreender e posteriormente realizar bem alguma coisa.

O educador de adultos tem a autoridade funcional de um conselheiro técnico e não um poder autoritário, fonte de conflitos com a hierarquia da organização.

Alguns Princípios Gerais Psicopedagógicos para uma Didática da Andragogia

Aprendizagem. No processo de aprendizagem só aprende verdadeiramente aquele que se apropria no aprendido, transformando-o em apreendido, podendo por isso mesmo reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido - apreendido às situações existenciais concretas.

Nas últimas décadas várias teorias da aprendizagem têm sido propostas por diferentes educadores e psicólogos. Uma teoria da aprendizagem seria aquela planejada para explicar em termos conceituais o que acontece quando a aprendizagem ocorre, como a aprendizagem se processa e que variáveis facilitam o processo de aprendizagem.

Depois de muitas controvérsias surgidas em torno do conceito do mecanismo de aprendizagem, chega-se a admitir unanimemente com as mais diversas formulações que "aprender equivale a modificar comportamentos". Para que se possa falar em aprendizagem, isto é, para que possa dizer que o indivíduo aprendeu, deve-se observar no seu comportamento uma mudança real e permanente.

A maioria das pessoas aprende melhor de maneira experimental, quando envolve participação pessoal, física, mental e emocional em atividades e oportunidades para descoberta e realização pessoal. Aprende-se melhor quando são apresentados conceitos em um contexto no qual são envolvidas relações que estão próximas do estudante.

A maioria das pessoas relaciona-se melhor com exemplos tangíveis e experiências ao invés do abstrato, de modelos conceituais. A maioria das pessoas é extrovertida e aprende melhor por meio da comunicação, das relações interpessoais, de dinâmica de grupo, aprende compartilhando, através de apoio mútuo.

Memorização é uma estratégia de aprendizagem ineficiente e ineficaz. Transferência de aprendizagem de uma situação para outra não é constantemente previsível, e a habilidade para assim proceder é uma habilidade em si mesma e deve ser adquirida. Só recentemente, em função da demanda social, surgiram publicações onde o objeto de estudo é o adulto com suas possibilidades e potencialidades para a continuação de um processo educativo. Na elaboração de alguns princípios psicopedagógicos de uma didática para adultos deve-se partir do pressuposto de que o adulto - como aluno - é alguém que traz consigo uma gama de conhecimentos e de experiências anteriores que devem servir de ponto de partida e enriquecimento para a elaboração de situações de aprendizagem tanto no que se refere ao conteúdo quanto às técnicas.

Enquanto uma didática voltada para crianças é montada em situações sensoriais perceptíveis, a dos adultos já tem uma carga simbólica baseada em suas experiências. Este princípio, entretanto, não invalida a montagem e seleção de experiências de situações que facilitem o processo de aprendizagem, voltados para uma prática. A prática andragógica deve procurar refletir uma ação compreendida nas experiências concretas do indivíduo. A didática do adulto deve pois, necessariamente, partir da situação específica em que se encontra o aluno.

Motivação

Quando os adultos estão motivados, aprendem mais facilmente. A motivação está na ação. A didática do adulto deve partir necessariamente de considerações da situação em que se encontra o "aluno".

A estimulação na perspectiva de superação da situação em que se encontra o adulto deve ser o projeto original no planejamento didático das situações incentivadoras. Crie um clima de aprendizagem positivo, onde o aluno possa sentir a experiência do sucesso, isto é, respeitando suas estruturas prévias.
Manifeste seu entusiasmo pelo conteúdo trabalhado.
Desafie os alunos à superação, ao fazer melhor.
Faça-os conhecerem o que se espera deles.
Crie um ambiente divertido, mas respeitoso em sala.

A ênfase a ser dada na interação andragógica não é a forma do conhecimento, mas na riqueza da situação propiciada pelo "aluno" e nos seus significados. A finalidade da ação andragógica é não somente fornecer uma informação preestabelecida, mas criar condições indispensáveis para que ele possa tornar-se um agente de seu desenvolvimento. Uma situação didática assim planejada é extremamente incentivadora, reforçadora.

Pesquisas mostram que boas práticas diárias de ensino são mais eficientes que esforços especiais concentrados em gerar motivação. Pessoas adultas respondem melhor a cursos bem organizados e ministrados por professores interessados. Esta é a melhor motivação: a própria ação, envolver o aluno no trabalho intelectual.

No caso específico do ser humano adulto, podemos destacar:
* A necessidade de saber
* O sucesso pessoal
* A prova de si mesmo, o desempenho
* A necessidade de realização própria
* A competição
* A presença do grupo

Associadas a essas motivações comuns, os adultos acrescentam outros fatores determinantes de atenção e atividade:
Percepção da utilidade: (para si e para aqueles pelos quais somos responsáveis para o trabalho a executar, para a consecução dos objetivos pessoais) é motivadora.
Percepção clara da finalidade: "saber para onde se vai" é uma necessidade adulta, que justifica o caminho proposto e faz aceitar os obstáculos eventuais.
Percepção da facilidade: no campo da instrução, a clareza da exposição, a ordem racional, a facilitação do conhecimento a ser adquirido, a inteligibilidade, são fatores motivantes. O contrário desanima.
Percepção da conformidade: o fato de pertencer a grupos (ou a grupos dos quais desejaria fazer parte) determina atividades e aquisições com a finalidade de "colocar-se no nível".
O prestígio social: é um valor e, como tal, motivante. A procura de ascensão social, profissional, de promoção, de consideração, estimula os esforços pessoais perseverantes.

Palavras-chave: | adulto | educação | aprendizado |

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COMENTÁRIOS (2)
Mauricio em 21/07/2010:
Gostei do texto pela abrangência referida. No entanto, senti que as palavras citadas fazem exclusão do adulto acometido de distúrbios. Estes, a meu ver, possuem maior e específicas necessidades que, às vezes inclui até mesmo não compreender que necessita aprender, que desacredita na sua capacidade e que vive por viver. Neste caso aquele que pretende ensinar algo será, muito provavelmente o motivado de tudo. Mas a teoria geral, ficou muito bem estruturada, apenas achei que não foi abrangente nas diversas realidades possíveis.

Carolina Palombini em 22/09/2009:
Boa tarde, gostei muito do texto e gostaria de poder obter uma bibliografia mais extensa sobre didática para educação corporativa. Grata.

 
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