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19/11/2002
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Teatro empresarial - Uma ferramenta alternativa

Por Helenita Fernandes para o RH.com.br

Vivemos uma época onde os aspectos profissionais estão voltados para a busca de crescentes níveis de qualidade, produtividade, ampliação de mercados, competitividade. Vivemos uma época em que as empresas, de quaisquer fins, têm que investir numa nova mentalidade, onde o profissional seja qualificado, valorizado e sempre esteja em constante atualização.

A proposta do Teatro Empresarial facilita e inova os meios convencionais de treinamento, buscando sempre a possibilidade de um processo de crescimento humano e de mudança de paradigmas na organização. A dramatização é um excelente veículo de aprendizagem e de mudanças de comportamento, pois propõe situações em que as pessoas possam identificar-se com os personagens e ações, facilitando a sensibilização dos funcionários para a reflexão e solução de problemas, promovendo aprimoramento da qualidade de seus produtos e serviços.

O Teatro - cujo diferencial entre outras artes, é a presença do ator ao vivo, permite a representação entre os espectadores (no caso, funcionários), estabelecendo contato direto com esta platéia, construindo situações entre estes, incluindo-os na arquitetura da ação, estimulando-os à participação e à conscientização dos problemas internos.

O Teatro Empresarial não deve ser entendido como mero entretenimento, mas como uma ferramenta alternativa, um verdadeiro dispositivo, atrelado às demandas da empresa e à possibilidade de um diagnóstico mais amplo e transversal (transversal no sentido de fazer a empresa perceber a teia das circunstâncias internas, apreendendo-a no sentido ativo, problematizando questões, permitindo observar as redes que se cruzam, as relações que se constroem (ou desconstroem); perceber em toda a sua estrutura onde algo esbarra, atravessa, desconecta ou interrompe o fluxo contínuo).

O Teatro torna-se uma ferramenta eficaz porque lida com diversas linguagens, com uma variedade múltipla de signos e também porque se constrói fundamentalmente através da relação grupal. Quando se fala em qualidade total, em metaferramentas, em empresa de sucesso, a condição sine qua non é o ser humano e a valorização de sua criatividade, imaginação, habilidade, percepção de situações novas, raciocínio sistêmico, tomada de decisões, aspectos estes comuns no fazer teatral.

Uma das maneiras de se trabalhar com o Teatro na empresa é através da apresentação de uma cena como estímulo para debates e cuja temática é desenvolvida para abrir questões e não para encerrar "verdades". A cena busca ser provocadora, mobilizadora, capaz de aquecer o público para uma leitura que forneça subsídios para reflexões e mudanças.

Uma outra maneira de se trabalhar é fazer a platéia Ver/Refletir uma cena para, em seguida, através de um processo interativo, estimular o funcionário para Viver a situação (muitas vezes inconscientemente produzida por ele no dia-a-dia de seu trabalho). Ele, agora, passa de espectador à protagonista da ação dramática, de objeto a sujeito, de observador a agente. Assim, ao viver a história do outro (por exemplo, de atendente a cliente), ele tem uma nova ótica do processo, das tessituras do mercado, uma visão mais ampla da cadeia das relações e da emergência do outro. O Teatro, dessa maneira, permite uma expansão de seus atributos, abrindo portas para Diagnósticos na Empresa, Seleção/Recrutamento, Avaliação Psicológica e Treinamento. A trilogia VER/DEBATER/VIVER estabelece uma dinâmica rica, concreta, viva e de mudanças imediatas.

Os papéis agora se invertem. Mais do que a empresa que patrocina o Teatro, é o Teatro que ajuda a "patrocinar" o crescimento humano na empresa. A empresa que aposta no desenvolvimento do seu funcionário, encontra no Teatro Empresarial uma ferramenta de grande valor, pois as cenas servem como um "envolvimento" para uma seqüência de trabalhos.

VIVER o processo de transformação é a única forma de mudança de comportamento almejado pela empresa. Nesta abordagem, outras ferramentas como Psicodrama, Arteterapia, Dinâmica de Grupo, Teatro Interativo, etc, fazem uma perfeita união com a proposta do Teatro Empresarial.

No Teatro damos a oportunidade do indivíduo de identificar-se com os personagens, sem uma exposição direta. As pessoas colocam-se para o personagem e não para o "problema real. Caminhando um passo além, consegue-se inverter papéis no plano do "como se", o que dá uma nova roupagem a antigos tabus. Dados de realidade emergem mais facilmente de forma "lúdica" e isso fica totalmente claro no momento dedicado a um debate ou a um compartilhar de sensações experimentadas.

Como diria Charles Chaplin "Mais do que máquinas, somos humanos" e é na esteira desta humanização que o Teatro Empresarial pretende caminhar, levando a mudança de postura individual, grupal e empresarial.

Também colaborou com este artigo: Angela Bocchetti - Diretora Teatral do Grupo de Teatro Empresarial da Rotation Recursos Humanos.

Palavras-chave: | teatro | dramatização |

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