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26/11/2002
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É hora de investir na escola corporativa? Sim, mas somente se o "todo evoluir"

Renilda Ouro

Dotar um negócio com o que há de mais avançado em tecnologia, qualquer organização poderá fazer. No entanto, o que vai diferenciar as empresas, seja em que ramo de atividades for, fazendo com que o consumidor tenha preferência por uma ou outra, será, sem dúvida, a importância que cada empreendedor ou executivo, dá à área de Recursos Humanos.

Entendemos que viabilizar iniciativas de sucesso está diretamente relacionado com as oportunidades que uma empresa dá para que seus "talentos invisíveis" (considerados aqueles conhecimentos existentes dentro das organizações que não estão sendo utilizados, na maioria dos casos porque, quem os têm não sabe como aplicá-los e quem precisa deles não sabe onde procurá-los) venham à tona. Transformar conhecimento tácito em explícito, utilizando aqui um conceito de gestão do conhecimento, é muito mais efetivo para o sucesso empresarial do que garantir a modernidade de sistemas que, por serem copiáveis e disponíveis a todos, daqui a pouco estarão sendo caracterizados como commodities.

É certo, por exemplo, que logística faz uma grande diferença, e é um dos fatores de vantagem competitiva. Segundo dados atuais, as empresas brasileiras têm uma perda em torno de 15% de eficiência, o que se traduz em potencial de ganhos não realizados, em função do baixo rendimento dos processos de logística aplicados nos negócios. É tão verdade quanto se considerarmos níveis de desperdício, propriamente ditos, e despesas, assim definidas quando investimentos não retornam sob a forma de ganhos esperados, e deixam de agregar valor ao capital econômico ou ao capital intelectual, principal fator de sucesso das empresas de hoje.

Queremos quebrar o paradigma da constatação de que métodos eficientes aplicados, sejam eles relacionados a processos de produção ou a sistemas de recompensas de pessoas, ou um bom treinamento por si só bastam. Temos visto que as empresas investem numa expectativa de ganhos cujos resultados sempre ficam aquém. Temos visto que independentemente do processo que estudamos, é o aspecto humano que faz a diferença: um processo de distribuição inserido no negócio logística, por mais eficiente que seja, se não houver a compreensão, por parte das pessoas envolvidas, do "todo organizacional e do impacto que a ação de cada parte causa nesse todo", agregado à verdadeira consciência sobre isso (que enfim, é o que faz as mudanças acontecerem), com certeza estaremos falando de mais um processo que estará sendo implementado muito abaixo do seu potencial!

Satisfazemo-nos com o mínimo e, por exemplo, quem lida com o varejo, setor aqui citado em função da fácil compreensão por parte de todos, sabe bem disso. Vejamos o tradicional acompanhamento de metas por vendedor, ou por equipe, indicador comum em alguns negócios dessa área. O "bater a meta" significa, para muitos colaboradores desse negócio, missão cumprida; aí toma lugar o relaxamento e a felicidade pelo atingimento daquilo que é e sempre foi entendido como o possível, até porque não deixamos nossas zonas de conforto quando as estabelecemos! E o "algo mais", o "impossível viável", o "por que não" desejado por todo acionista?

Voltando ao satisfazemo-nos com o mínimo, que parece verdadeiro para a nossa cultura: comemos habitualmente batatas fritas banhadas em gordura, e satisfazemo-nos pelo simples fato de não morrermos de imediato, e sequer visualizamos possibilidades de um organismo mais sadio, melhor qualidade de vida, melhor utilização do nosso potencial biológico e o que isso tem de impacto no sistema orgânico como um todo! Claro que não vale para todos, como tudo na vida.

Iniciar um processo de melhoria empresarial requer a compreensão do contexto e de tudo aquilo que se passa na interação entre as partes do sistema organizacional, assim como a sensibilidade para inventariar os custos invisíveis presentes: baixa motivação; pouca compreensão da contribuição de determinadas tarefas/atividades para o propósito empresarial; pouco entendimento sobre as consequências da geração de riquezas para a sociedade como um todo; baixa consciência sobre o papel dos empreendedores e lideranças no mercado competitivo e na prosperidade, para não dizer sobrevivência; níveis deficientes de compreensão sobre o negócio e seus fatores de sucesso; pouca percepção sobre integração e impactos de umas ações nas outras; baixa sensibilidade com relação à visão da empresa como um todo e o papel de cada colaborador para a satisfação de clientes e mercados; pouca disposição para assumir desafios, além de pouco entendimento sobre o papel do líder como educador, da deficiência nos níveis de comunicação e relacionamento humano, suportados pelo desconhecimento da responsabilidade de cada pessoa sobre o tamanho do seu prórpio ego.

Inovação, tem sido o tema central de grandes discussões em fóruns, congressos, seminários, workshops, e até treinamento e programas de desenvolvimento. Discute-se muito o papel de equipes, e até o nível de impacto do desempenho individual, seja através de crenças, valores, ou atitudes; regras para líderes e performance esperadas são ditadas; discutem-se desafios e traçam-se metas e, de planos individuais até coletivos, o planeta reclama e reivindica processos de desenvolvimento mais sustentáveis, menos poluentes!

Apesar dos grandes insights explicitados, compromissos e intenções de mudança, ao final de cada um desses fóruns a situação se repete: o contexto muda no próximo dia útil de trabalho efetivo e a "síndrome da volta" deixa do lado de fora da empresa algumas esperanças, após o enfrentamento da realidade como ela é, acionando ainda o desejo de que aqueles que não estiveram presentes ao evento, seja ele qual for, pudessem ter "escutado tudo aquilo que foi dito para eles", e presenciado algumas performances onde poderiam ter "sacado" o quanto eles têm que mudar, pois são eles (os outros, sempre!) os verdadeiros vilões, motivos porque os sonhos das mudanças inferidas naquele outro contexto, e até planos, não se tornam realidade!

É possível inovar nisso tanto quanto adquirir novas tecnologias, se desempenho e resultados são valorizados na organização, o que não significa que devam ser invalidadas qualquer uma das iniciativas voltadas ao crescimento das pessoas e organizações, hoje existentes no mercado. O que é importante considerar? Que o todo evolua, e as competências individuais venham a somar-se para a construção da competência coletiva, única unidade capaz de mudar a performance empresarial.

Partindo do mapeamento dos custos tradicionais, gastos em treinamento e os tais custos invisíveis, e avaliando a potencialidade da empresa e seu status quo, é preciso que as empresas atentem para investir em processos sustentáveis, que garantam bons resultados empresariais, através da geração de riquezas, do desenvolvimento organizacional, da gestão do conhecimento, da motivação, da eficácia e primordialmente a educação: educação para o negócio, educação para os relacionamentos, educação para a educação de todos, contínua, como princípios básicos da sua filosofia de Recursos Humanos.

Considerar a hipótese de reunir um quadro de instrutores internos, que detém os conhecimentos sobre a realidade empresarial onde atuam e alta competência individual, apoiados por processos de desenvolvimento e aprendizagem e metodologias que garantam a transformação desses conhecimentos tácitos (conhecimento não compartilhado) em explícitos, potencializando competências e vocações através da aposta nos talentos é fundamental.

É importante ainda considerar que esse processo poderá vir a garantir a integração empresarial e a elevação da performance coletiva pois, um instrutor interno selecionado para ministrar seminários de liderança, como exemplo, tenderá a ser um verdadeiro líder, pois esse é o seu requisito primordial, corroborado pela premissa de que o seu exemplo é continuação do processo da Escola Corporativa, objeto principal que queremos colocar nesse texto.

O processo para construção de uma Escola Corporativa será uma iniciativa daqueles que acreditam no potencial dos seus talentos internos, e nas possibilidades de inovar através da oportunidade que é dada ao seu quadro de colaboradores.

Alinhada ao plano estratégico da organização, mais do que perceber o crescimento da performance empresarial, o nível dos diálogos internos, os resultados gerados pela integração do treinamento ao próprio negócio, a implantação de sugestões a partir de assuntos relevantes, vindos à tona em discussões e dinâmicas em salas de aula, e a troca de experiências, por si só valem o investimento.

Essa constatação pode ser percebida dentro das instalações da Elevar, Escola Leader de Varejo, desenvolvida numa parceria entre a Perspectiva Educação Empresarial e a Leader Magazine, empresa de varejo com 26 lojas, atuando no Estado do Rio de Janeiro, que adotou a Escola Corporativa como o seu mais importante instrumento para desenvolvimento de pessoas e gestão do conhecimento. E o seu sucesso tem ido muito além das expectativas iniciais.

É mais do que gratificante constatar o nível de energia residente na empresa, mantido pela motivação de pessoas que tiveram uma oportunidade: agregar valor a si próprio e ao seu trabalho, aumentarem a sua empregabilidade, sua performance e competências, sendo e exercendo-se um pouco mais, multiplicando, dando o seu testemunho de que oportunidade é o maior dos bens, para todos. Mais do que gratificante, é realizador!

Palavras-chave: | escola | corporativa |

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