Por Daniel Stur para o RH.com.br 
Já no Brasil, o surgimento das mesmas se deu apenas na década de 90, quando o treinamento não oferecia nada mais além do que algumas qualificações. A Universidade preocupa-se não somente com o fator "qualificar", mas também com a apresentação de uma maneira totalmente nova de pensar e trabalhar, para que os colaboradores das organizações possam desempenhar papéis muito mais amplos no seu ambiente de trabalho.
Sustentar a vantagem competitiva inspirando um aprendizado permanente e um desempenho excepcional é o que há de comum entre as empresas que adotaram a Universidade Corporativa. O objetivo central é desenvolver meios de alavancar novas oportunidades, entrar em novos mercados globais, criar relacionamentos mais profundos com os clientes e impulsionar a organização para um novo futuro.
A Universidade Corporativa se constitui em um fortíssimo pólo de irradiação e consolidação da cultura empresarial, motivo pelo qual direta e indiretamente deverão fazer parte do seu currículo as atividades ligadas aos princípios, às crenças e aos valores da organização, que funcionem com forte estímulo à consolidação da motivação dos seus colaboradores.
Tornar uma instituição em que o aprendizado seja permanente é, sem dúvida, um dos objetivos fundamentais das empresas que possuem Universidades Corporativas.
Para que os funcionários se sintam mobilizados em formar uma força de trabalho de altíssima qualidade, necessária para que a empresa tenha sucesso no mercado global, existem dez objetivos:
* Oferecer oportunidades de aprendizagem que dêem sustentação às questões empresariais mais importantes da organização.
* Considerar o modelo de Universidade Corporativa um processo e não um espaço físico destinado à aprendizagem.
* Elaborar um currículo que incorpore Cidadania Corporativa (preservação de valores, tradições, cultura da organização, estimulando o orgulho do funcionário e fortalecendo seu vínculo com a empresa), Estrutura Contextual (proporcionar o conhecimento no contexto na qual a empresa opera) e Competências Básicas (fornecer treinamento em várias competências básicas do ambiente de trabalho - aprender aprendendo, comunicação e colaboração, criatividade e resolução de problemas, conhecimento tecnológico, conhecimento de negócios globais, desenvolvimento de liderança e autogerenciamento da carreira).
* Treinar todos os colaboradores internos e externos da empresa.
* Passar do treinamento conduzido pelo instrutor para vários formatos de apresentação da aprendizagem.
* Encorajar o envolvimento dos líderes com o aprendizado, inclusive como facilitadores.
* Passar da alocação corporativa para a fonte de recursos próprios.
* Ter foco global no desenvolvimento de programas de aprendizagem.
* Desenvolver um sistema de avaliação dos resultados e dos investimentos.
* Utilizar a universidade corporativa para obter vantagem competitiva e entrar em novos mercados.
A criação da infra-estrutura de aprendizagem, isto é, o lançamento de uma Universidade Corporativa passa por várias fases, sendo que em geral, cada uma gira em torno de 18 meses. As organizações esperam que a universidade fortaleça a capacidade de aprendizagem de seu pessoal, portanto, todas as etapas são fundamentais para o bom desenvolvimento da universidade.
Para isso, dentro de um contexto empresarial de uma Universidade Corporativa a existência de um órgão controlador é fundamental para dar início ao projeto. Esse controle deve ser feito pela cúpula da empresa. A universidade nunca é criada de baixo para cima, ela precisa ser dirigida pelo alto escalão. Assim, trará os resultados almejados. Porém, além da cúpula estar inserida no controle, é importante que haja o envolvimento também dos gerentes, desenvolvendo uma visão compartilhada da Universidade Corporativa.
É importante que esse órgão identifique primeiramente e priorize as necessidades de aprendizagem. Também são de responsabilidade do órgão controlador, vincular os treinamentos às principais estratégias da empresa, assegurar os projetos, desenvolvimentos, apresentação e avaliação consistentes e oferecer orientação para o desenvolvimento de uma filosofia de aprendizagem.
A criação de uma visão/missão é fundamental para a imagem de grupo, que é o todo da Universidade Corporativa. O efeito dessa visão é o de clarear a direção na qual a universidade deve caminhar. É a defesa e a aceleração da aprendizagem.
As receitas devem ser criadas. Suas fontes são os leques de pessoas atendidas e de programas oferecidos. Os treinamentos voltados às parcerias, aos clientes e aos fornecedores têm como resultados as verbas recolhidas para a universidade.
Algumas funções da universidade são centralizadas (por motivos de custo e eficiência) e outras descentralizadas (proximidade com clientes internos e externos). Para definir qual o melhor critério para essa decisão, deve-se determinar onde se obtém as maiores eficiências de custo, sem perder o vínculo entre a aprendizagem do funcionário e as metas da empresa.
É importante reconhecer as necessidades do cliente e enfocar aquelas que darão à universidade maior projeção.
Desenvolver produtos e serviços é compartilhar com seus clientes um modelo de soluções de aprendizagem, isto é, soluções de desempenho abrangentes e integradas.
A próxima etapa é selecionar parceiros. Estes podem ser consultores, fornecedores de treinamento e até mesmo instituições de educação superior com fins lucrativos. O fato de a universidade estar inserida dentro de um contexto empresarial, não impede que ela receba a colaboração destes parceiros da aprendizagem.
Como a tecnologia faz parte de tudo e de todos, a universidade deve esboçar uma estratégia de utilização da mesma logo no início da fase do projeto. Algumas empresas utilizam aprendizagem à distância através da Intranet. As pessoas podendo estudar durante os intervalos, ditam o ritmo da aprendizagem, se autogerindo.
Faz parte do projeto também criar um sistema de avaliação, que englobe desde a avaliação de reação, diária, até os benefícios que a qualificação do profissional trouxe para a empresa.
Contudo, é fundamental que se divulgue os sucessos da Universidade Corporativa, tanto para os clientes internos quanto para os externos. É importante para que os patrocinadores e os supervisores aprovem o projeto, sabendo o que a instituição está fazendo e como está influenciando o desempenho do trabalho.
A Universidade Corporativa é uma grande quebra de paradigmas dentro da organização. Ela permite o envolvimento total das pessoas que rodeiam as empresas no âmbito interno e externo, possibilitando o conhecimento da organização, cultura, tradições, projeto, qualidade, resultando num envolvimento muito maior com o negocio e os objetivos da empresa.
O ser humano é a base principal para o desenvolvimento da universidade, sendo visto como um diferencial competitivo. Mas para isso, é necessário que as empresas estejam conscientes de seus objetivos e que esses sejam claros e transparentes.
A universidade tem a função de preparar as pessoas para um novo contexto organizacional, caracterizado por mudanças constantes e alta competitividade. A humanidade está inserida na fase da economia do conhecimento. As pessoas estão, cada vez mais, realizando trabalhos que necessitam de maior informação. É nesse patamar que se passa a não considerar mais a qualificação manual, e sim mental.
É preciso ocupar o espaço com idéias, divulgando sabedorias e explorando as formas mais evoluídas de sistemas e tecnologias.
Palavras-chave: | universidade | corporativa |
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