Por André Duarte para o RH.com.br 
Um bom ponto de partida é alterar a falsa percepção de que a Educação a Distância (EaD) seja mais fácil do que a educação presencial. A conveniência de o aluno estipular seus horários, um dos grandes trunfos da EaD, esconde uma armadilha: ou ele se organiza no tempo (com horários flexíveis, porém constantes) e no espaço (com o imprescindível-e-quase-impraticável local de estudo apropriado), ou as atividades e os prazos acumulam-se impiedosamente, transformando-se em baixo rendimento e engordando as estatísticas de desistência.
Um dos argumentos que você pode utilizar quanto a EaD ser apenas um "modismo" é que o seu início deu-se na Inglaterra do Séc. XIX, veiculada pelos correios. Admitamos que, até os dias de hoje, muitas críticas continuam referindo-se aos conteúdos "resumidos" da EaD e à "falta de contato pessoal". Tais argumentos, porém, desconsideram as pesquisas para a evolução das ferramentas de interação, os avanços da tutoria a distância, o uso da linguagem dialógica e muitos outros aperfeiçoamentos tecno-pedagógicos.
Experimente debater sobre, afinal, o que é um bom curso. Como se dá um aprendizado eficaz? Teorias pedagógicas à parte, conscientize-o de que ele mesmo é o principal agente da sua aprendizagem. A qualidade do ambiente sensorial certamente é importante, mas o futuro profissional será avaliado muito mais por seus méritos do que pelos do seu curso e instituição.
Procure também levar o seu interlocutor a refletir sobre a avaliação de um curso a distância: qual a credibilidade e a experiência da instituição? E a qualificação do corpo docente? E quanto à abordagem pedagógica e às metodologias utilizadas? Quais são os materiais didáticos? Há um ambiente virtual? Os prazos estipulados são flexíveis? Como funciona a tutoria? E a interação entre os alunos? Será que o curso é reconhecido pelo MEC? É fundamental obter estas respostas, antes de qualquer decisão.
E que tal conversar sobre os aspectos financeiros? Os custos de se estudar pela EaD tendem a ser mais atrativos que os dos cursos presenciais. Esclareça, porém, que se além das atividades a distância, estejam previstos momentos presenciais, estes envolvem gastos adicionais. Outros possíveis custos: o colaborador terá que adquirir um computador, ou atualizá-lo? Haverá a necessidade de um acesso à Internet por banda larga, caso o curso utilize videoconferências? Terá que comprar livros? E quanto às apostilas? Quem arcará com as despesas decorrentes das impressões?
Procure enfatizar a importância da auto-avaliação, talvez o principal dos aspectos a ser considerado. Quais são os seus fins? Ele deseja apenas obter o diploma, visando talvez um aumento salarial ou mesmo reconhecimento social, ou sua expectativa é ampliar os horizontes profissionais, incrementando as competências já adquiridas e se apropriando de outras, ainda latentes? Sua resposta deverá situar-se entre estes extremos.
Seu colega possui os pré-requisitos para estudar a distância, ou precisa adquiri-los? Tem hábitos de estudo? Lê regularmente? Ele se considera digitalmente alfabetizado? Caso seja necessário, saberá acessar e pesquisar na Internet? Terá problemas, caso o curso exija leituras extras em outro idioma?
E quanto ao apoio da sua organização? É provável que, mesmo a empresa destinando horários para o seu estudo, estes períodos sejam insuficientes e o colaborador tenha que abrir mão de muitas horas de lazer para o seu aprimoramento.
O que remete à questão da conscientização familiar. Os entes queridos deste profissional estão preparados para conviver, quase todas as noites, com alguém envolto em livros, computador e muitas das vezes com a linha telefônica ocupada? Tente convencê-lo a dialogar previamente com eles, pois os mesmos serão elementos-chave do seu sucesso nos estudos.
E então? Vamos incentivar o aprimoramento à distância? Ajudar os colaboradores a vencer os preconceitos que envolvem o assunto, avaliar o curso desejado e os custos envolvidos, empenhar-se em uma auto-avaliação rigorosa e na conscientização familiar são fundamentais para esta decisão. Você estará contribuindo muito mais em aprimorar os recursos humanos de sua empresa, se conseguir convencê-los da importância de utilizar a EaD como mais uma ferramenta para o sucesso. E, você sabe, descobrir como empregá-la é o que faz a diferença. Vamos ajudá-los a fazer a diferença!
Palavras-chave: | e-learning | ensino a distância |
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