O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Participante, assista e certifique a Jornada de Liderança!
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »






26/03/2007
RH » Desenvolvimento » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Aprendizagem organizacional: a mão única da educação corporativa

Por Orlando Barbosa Rodrigues para o RH.com.br

Não há como negar a importância da educação corporativa dentro do contexto das organizações que desejam manterem-se competitivas no mercado. A educação corporativa está intimamente ligada ao conceito de organizações que aprendem, ou seja, empresas que conseguem desenvolver a capacidade de aquisição, criação e transferência de conhecimento de forma a modificar o seu comportamento dentro de um cenário de incertezas e mudanças contínuas.

Obviamente que não se consegue isso da noite para o dia, num estalar de dedos ou através da instalação de algum software corporativo, ou ainda, criando mecanismos de desenvolvimento e capacitação de pessoas, baseado em técnicas tradicionais de T&D. A organização que aprende, segundo Peter Senge, é aquela que cultiva o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os seus níveis, criando as condições de adaptação contínua às mudanças, valendo-se de cinco processos fundamentais da aprendizagem, tais como: modelos mentais, domínio ou maestria pessoal, modos de pensamento sistêmico, visão compartilhada e aprendizagem em equipe.

Segundo Lacombe, para que se chegue a esse estágio é necessário que a empresa obtenha vantagem competitiva a partir da maneira como ela administra seus recursos humanos. Para tanto, deve estar atenta à formação e à qualificação de seu pessoal, no sentido de provê-los de instrumentos favoráveis ao seu desenvolvimento profissional.

Assim sendo a aprendizagem organizacional deixa de ser um discurso de âmbito estratégico, moldado no formato de treinamento pronto e acabado, para se viabilizar por intermédio de mecanismos de educação continuada, orientado para o futuro, visando melhores resultados para a empresa, mas também com o foco no desenvolvimento da pessoa humana.

Nesse sentido a educação corporativa surge como uma opção viável para suprir as organizações dos instrumentos necessários ao alcance desses propósitos. Esse ensino corporativo tem caracterizado-se como um moderno e inovador instrumento de preparação e capacitação de profissionais dentro das organizações, representando uma estratégia eficaz para o desenvolvimento dos colaboradores das instituições no sentido de proporcionar-lhes acesso continuado a mecanismos de aprendizagem, novas oportunidades de crescimento profissional, bem como, possibilitar às empresas que o dispõe, uma alternativa importante para a atração e retenção de talentos.

A ciência de administração, segundo pesquisadores, por intermédio de práticas empresariais, especificamente ligadas a área de treinamento e desenvolvimento, vem sendo tentada a promover no meio corporativo uma série de quebras de paradigmas relacionados à aprendizagem organizacional e à educação de seus colaboradores, empoderando-se na tarefa de suprir eventuais lacunas existentes no modelo tradicional de educação ligadas ao desenvolvimento profissional e de pessoas, sem contudo perder o foco para a aferição e alcance dos resultados e lucratividade pretendidos, razão de ser das organizações orientadas para esse fim.

Pretendem tais corporações que seus colaboradores possam efetivamente contribuir para o desenvolvimento e o engrandecimento das organizações em que atuam, garantindo a ambos o diferencial competitivo necessário à sobrevivência num cenário de constantes mudanças e transformações. Valorização do ser humano, busca constante do autodesenvolvimento, criatividade, visão sistêmica e senso crítico são palavras-chave encontradas em diversos textos que tratam do assunto.

Trata-se, portanto, de uma abordagem voltada para o reconhecimento dos indivíduos que compõem as organizações, como formadores do capital intelectual das empresas e não mais um mero componente de uma engrenagem, como fora nos primórdios, seguindo as premissas ligadas ao pensamento mecanicista da tríade Taylor, Ford e Fayol. Essa abordagem, focada em preceitos da era da informação, premia o conhecimento como um dos recursos mais fabulosos de que dispõe uma organização, proporcionando a esta, um diferencial tão ou mais importante do que sua capacidade financeira e demais recursos organizacionais. Longe de ser considerado um recurso inerte e estático, dependente da inteligência humana, o conhecimento é criado, recriado e modificado a partir da interação constante obtida por meio das pessoas no ambiente social, no trabalho, estudo ou lazer.

Aplicar e rentabilizar o conhecimento é um desafio que se anuncia para as organizações exigindo instrumentos eficazes para sua mensuração, por se tratar de um componente do capital intelectual e que agrega valor ao negócio.

A educação corporativa surge como um elemento facilitador do processo de gestão do capital intelectual, caracterizando-se por realizar-se em um ambiente não necessariamente físico que proporciona o desenvolvimento da aprendizagem continuada e possibilita a obtenção de vantagens competitivas para as organizações manterem-se vivas em seus respectivos mercados, bem como, favorece a entrada em outros nichos de negócio.

Todavia, o modelo corporativo de aprendizagem organizacional não está livre das ameaças advindas dos modismos e dos pecados capitais a que se sujeitam as empresas, em função de inadequações estratégicas e operacionais, acarretando problemas de aceitação institucional por parte dos colaboradores das instituições patrocinadoras desse modelo.

Em que pese diversos projetos bem-sucedidos onde se verifica grande contribuição para o alcance de resultados organizacionais, inadequações no modo de implantação desse modelo, têm contribuído negativamente para a sua aceitação institucional.

Um fator que, em princípio, é determinante na pouca aceitação institucional é a falta de continuidade dos programas ou aferição das habilidades efetivamente desenvolvidas pelos treinandos ou aprendizes, bem como a aplicabilidade dos instrumentos de reconhecimento e valorização dos profissionais qualificados dentro desse modelo.

Faz-se mister que as organizações não percam de vista o real propósito desse modelo educacional, para que não o transforme em uma via de mão única, baseada apenas em modismo e ancorada na falsa ilusão de competitividade ou lucratividade nos negócios.

Palavras-chave: | aprendizegem | desenvolvimento |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (0)
Ainda não há comentários.

Seja o primeiro, clique no ícone disponível logo acima e faça seus comentários.
 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

3ª Jornada Virtual de Recursos Humanos

Programa de Autodesenvolvimento



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.