Por Meiry Kamia para o RH.com.br 
Por incrível que pareça, e ao contrário do que imaginava, assumir a supervisão tornou sua vida um verdadeiro caos. Marcos começou a se sentir pressionado, tenso, irritado e com trabalho demais. O que mais o incomodava era sua falta de controle sobre seus subalternos. Simplesmente, não conseguia liderá-los. Sentia um misto de raiva, frustração e ansiedade toda vez que alguém não lhe obedecia, ou quando concordavam em ficar até mais tarde de mal grado. A situação foi ficando cada vez pior, pois ele passou a agir com certa indiferença com algumas pessoas.
Seguindo orientações de seu diretor, Marcos decidiu fazer um curso de liderança com metodologia tradicional, focado em negociação, gestão de conflitos e delegação. Entretanto, ao voltar para o ambiente de trabalho, ele simplesmente não conseguia colocar em prática aquilo que havia acabado de aprender. Sentia-se ansioso, e viu-se repetindo o mesmo comportamento. Foi aí que resolveu desabafar com seu amigo Ricardo.
Ricardo, que já havia percebido a dificuldade de Marcos, o aconselhou a fazer um tipo de treinamento diferente, vivencial, focado no comportamento e nas emoções. Marcos seguiu o conselho. O treinamento foi bastante proveitoso. Ao invés de participar passivamente apenas ouvindo dicas de como se comportar, como ocorreu em sua experiência anterior, Marcos pôde vivenciar de forma ampla as situações de trabalho que lhe causavam tanta angústia.
Pôde sentir e reconhecer o medo, a raiva, a frustração e a expectativa que o aprisionavam, fazendo com que se comportasse de maneira cega, automática e sem benefícios para si mesmo e para os outros. Aprendeu, por meio de técnicas psicológicas a controlar e modificar suas emoções de forma a fazê-las trabalhar em seu benefício. Percebeu então, que era livre para escolher ser feliz ou infeliz em sua vida, e ser uma pessoa melhor ou pior. Sentiu-se livre para tomar as rédeas de sua vida e construir o seu sucesso.
Os resultados do treinamento vivencial foram evidentes logo no primeiro dia de trabalho. Marcos aprendera a controlar a ansiedade, havia compreendido qual era a causa de seus medos e isso já não o afetava mais. Percebeu que, ao mudar sua postura, seus funcionários também mudaram suas respostas. A mágica da transformação começou a acontecer na sua vida. Cada pequena vitória era comemorada e sua motivação ia crescendo cada dia mais, juntamente aos resultados. E percebeu que os benefícios também tiveram impacto positivo em sua vida amorosa e familiar.
O caso de Marcos é um caso típico das organizações. Não é raro encontrar pessoas com dificuldade de se adaptarem a um novo ambiente de trabalho, um novo cargo com novas responsabilidades, ou a processos de mudanças. O medo, a ansiedade, são fatores emocionais que impedem o profissional a dar o melhor de si no trabalho, prejudicando a qualidade de vida, o desempenho e o relacionamento interpessoal.
Desenvolver mecanismos psicológicos para lidar com tantas adversidades é uma necessidade do profissional pós-moderno. Os treinamentos vivenciais auxiliam no auto-conhecimento, na aprendizagem de novos comportamentos e, principalmente, a colocar em prática o conteúdo aprendido. Essa é a grande vantagem sobre os treinamentos de capacitação tradicionais.
Ao vivenciar, o indivíduo é capaz de experimentar de antemão todas as sensações que o novo comportamento lhe traz, poder discutir, treinar, refletir, para, por fim, pô-lo em prática, transformando o ambiente e as pessoas que os cercam. Os treinamentos vivenciais devolvem ao indivíduo o poder que ele próprio desconhecia, e devolve ao mundo uma pessoa melhor.
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