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23/11/2009
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Você seria seu próprio cliente?

Marianne Kellner Haak

Quando pensamos em termos de competitividade nos dias atuais, percebemos que seu foco está fortemente voltado ao desenvolvimento de estratégias direcionadas ao cliente e à sua plena satisfação. No setor de serviços, esta realidade é reforçada.

Com a igualdade cada vez maior da oferta - que quase sempre é maior que a procura -, a qualidade do serviço prestado apresenta-se como o maior diferencial competitivo, relacionada fundamentalmente à forma pela qual cada cliente é recebido e tratado, tanto no momento da venda como no pós-venda. Afinal de contas, a impressão que uma pessoa tem de um serviço depende quase que unicamente da "qualidade do atendimento" que recebeu. A qualidade de serviços pressupõe a existência de cinco componentes básicos:

1- Confiabilidade: entregar ao cliente o serviço acordado, comprometendo-se com os termos acordados e suas condições.
2- Prontidão: ter estrutura e disponibilidade para atender pronta e eficientemente.
3- Garantia: competência, cortesia, credibilidade e capacidade de inspirar confiança no trato com o cliente.
4- Empatia: atenção e cuidado, boa comunicação, disponibilidade e capacidade de compreensão, individualizando o serviço para cada clientela.
5- Aspectos tangíveis: parte "visível" do serviço oferecido, tais como apresentação pessoal, instalações; é o conforto oferecido ao cliente.

Várias organizações que buscam medir a qualidade de seus serviços e garantir o nível de atendimento das necessidades e expectativas do cliente utilizam-se de ferramentas específicas para este fim. É o caso, por exemplo, do "Cliente Misterioso" - metodologia de pesquisa que identifica aspectos como prontidão, garantia e empatia no relacionamento direto do cliente com um colaborador, assim como os aspectos tangíveis do local de venda. Muitas organizações se utilizam deste instrumento como forma de saber a percepção do cliente em relação à prestação do serviço da empresa, gerando com isso informações a respeito do atendimento, da cortesia, interesse em tratar o cliente, conhecimento do portfólio de produtos e serviços, entre outros.

Existe um símbolo nacional que nos dá mais pistas interessantes de como trabalhar a qualidade de serviços. Um dos fatores presentes neste símbolo - a bandeira brasileira - é a palavra "Ordem", que representa o cuidado com a eficiência e o funcionamento das coisas para que o objetivo seja atingido. É preparar a empresa em termos de processos, responsabilidades e, fundamentalmente, cuidar das pessoas para que, em conjunto, gerem confiabilidade aos serviços ofertados. Ordem tem a ver com compromisso, precisão, agilidade.

A segunda palavra importante de nossa Bandeira é "Progresso", que nos remete a crescer o relacionamento com o cliente, a partir de condições - ferramentas de trabalho, ambiente - e de atitudes - empatia, criatividade, empowerment -, para que se consiga ir além do desejado pelo cliente, surpreendendo-o. É a postura do ouvir, da solução, da agilidade no atendimento, do rapport. Ordem e Progresso significam, em suma, colocar recursos e estrutura em prol das pessoas, para que estas possam oferecer seu melhor desempenho e, com isso, encantar o cliente.

Em termos de desenvolvimento desses atributos, as áreas de Recursos Humanos podem alinhar-se à estratégia de excelência em serviços, promovendo treinamentos e ações de desenvolvimento que venham a trabalhar competências essenciais em seus colaboradores, tais como habilidades no trato com pessoas, na agilidade do atendimento sem perda de qualidade, até mesmo em relação à criatividade, e a atitude de buscar, sempre, a solução, e não o problema.

Sem dúvida alguma, de todos os fatores que compõe a prestação de um serviço, o componente humano é o mais importante, estando presente em todas as categorias mencionadas. É necessário conscientizar-se, portanto, que o papel de cada colaborador na qualidade do serviço oferecido é significativo.

Cada pessoa deve estar consciente de que contribui diretamente para a percepção da qualidade final, através da qual o cliente formará uma opinião da organização como um todo, não apenas tornando-se fiel a ela, mas também se transformando em um agente de promoção para outros clientes. Pensando agora nos atributos que tratamos de uma boa qualidade de serviços, fica aqui para você, leitor, uma pergunta final: você seria seu próprio cliente?

Palavras-chave: | competitividade | estratégia |

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COMENTÁRIOS (3)
Gilberto C. Olgado em 24/11/2009:
Parabéns pelo texto Marianne! Realmente esta pergunta serve como ponto de partida para uma avaliação do empreendedor da qualidade dos serviços prestados pela sua empresa, ou a empresa que ele dirige. Digo isto porque vejo as empresas com vida própria, o "dono" ou "patrão" teve a competência de criá-la e dirigi-la, mas a empresa tem vida própria caminhando através de seus colaboradores e clientes, mas este é outro assunto. O setor de serviços é diferente de um comércio onde os produtos podem "as vezes" suprir o mau atendimento do vendedor, caixa ou outro atendente. Quando você entra em um restaurante e o garçom te recebe com um sorriso, cortesia, te serve com o maior prazer do mundo, sempre atento ao que você gosta e não mede esforço pra te satisfazer. Isso não tem preço, você pode pagar caro pelo almoço, mas com certeza vai voltar novamente, pois o prazer do atendimento te conquistou de pronto, além é claro da comida que "precisa" estar de acordo com as qualidades oferecidas pelo restaurante. O setor de serviços é assim, e para isso a empresa precisa investir no treinamento dos colaboradores, formar um padrão de atendimento e execução dos serviços. É fundamental que por exemplo, no restaurante todos atendam da mesma forma, que os cozinheiros ao fritar um simples bife, o façam da mesma forma, com o mesmo tempero e paladar. Com isso consegue-se atingir a excelência do serviço prestado e a satisfação de todos, desde colaboradores, empreendedores e clientes. Grande abraço!

dalva L.Lazari em 24/11/2009:
Marianne, parabéns pelo texto. Conheço muitas pessoas que não indicam a empresa na qual trabalham, para seus amigos! Isso é no mínimo, muito constrangedor. A pergunta que você faz é a chave que abre ou não a nossa conciência para a nossa própria realidade. Acreditamos de fato na nossa empresa? Se tivermos dúvidas e partirmos para o processo de reinventar nossa história, isso será sempre possível, mas custa caro ! Dalva Lazari

Ademilton Alves dos Santos em 24/11/2009:
Sou mestre em gestão de pessoas e acredito muito nessa visão de que cada parte da empresa é direta e indiretamente, responsável pela sobrevivência da mesma. Para isso é preciso nos conscientizarmos do nosso papel como colaborador. Parabéns

 
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