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01/06/2010
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Aventuras de um instrutor de treinamentos

Por Ricardo Alexandre de Oliveira Mendonça para o RH.com.br

Hoje não vou escrever sobre nenhum tema técnico ou teórico. Quero falar sobre aspectos pitorescos e até bizarros de minha atividade como instrutor de treinamentos.

Por força do vínculo como consultor e instrutor de uma grande organização que atua em muitos projetos de cunho social, vejo-me constantemente em estradas desconhecidas, pequenos hotéis, locais com parcos recursos e, uma grande expectativa minha, de conhecer as turmas e acompanhar seu desenvolvimento no período em que estivermos juntos.

A cada viagem, a cada pequenina cidade, comunidade carente atendida, um verdadeiro caleidoscópio de emoções, conhecimentos, dúvidas e quebra de certezas se faz presente.

Cachoeiras resplandecentes em meio a serra prometem uma semana de conversas informais com a turma sobre as belezas do lugar. Árvores solitárias em meio ao enorme campo da planície nas laterais da pista sugerem fazendas e casarões invisíveis aos nossos olhos curiosos. O pequeno hotel sem telefone no quarto, mas, muitas vezes com TV a cabo, nos surpreende com a tecnologia e a sensação de alívio por podermos ter acesso aos jornais e um bom jogo de futebol na falta do que fazer...

O boteco é o companheiro tradicional da noite no interior. Lá se revela a alma da cidade e mesmo um forasteiro de rosto absolutamente desconhecido é bem recebido. Pode-se também conhecer detalhes mundanos, sociais e históricos jamais imaginados durante a atividade diurna.

Que dizer do local onde entra um rapaz na turma portando algo como um fuzil, e, pergunta se eu sou o professor? Com as pernas tremendo, confirmo minha posição e recebo a sugestão de encerrar a aula duas horas antes... Ao fim da tarde, começaria a "guerra" entre as facções rivais e o local do curso localizava-se na chamada "zona neutra", onde se daria o conflito mais tarde. No dia seguinte, a sala estava toda furada. Devo dizer que quando recebi a sugestão do rapaz, aceitei imediatamente! Em outro local semelhante fui repreendido pelos alunos por sair do local do curso no intervalo e falar ao celular. Disseram que se a polícia chegasse, os traficantes locais poderiam pensar que eu a chamei e, para todos nós, as consequências poderiam ser terríveis.

Como bom carioca, o frio não faz parte de meu cotidiano, apenas como companheiro de fins de semana na serra ou viagens maiores.

Nova viagem e "casaquinho" a bordo. O casaquinho não contava com um frio de 6 graus. Nem eu... Volta rápida para o hotel depois de alguma comida à noite e dormida, de calça jeans, casaco e cobertor.

Mas, nem só tragédias acontecem!

Nada como um "Festival do Camarão" em Recife pelo preço de três sucos de laranja, na praia da Boa Viagem, após o dia todo de palestras. Feliz também é o instrutor que ganha um fim de semana num resort em Búzios, sorteado pela Secretaria de Turismo local, após um treinamento.

Caminhadas por parques e trilhas, centros culturais e museus de pequenas cidades, comidas, folclores, estações de trem, blitz policiais, celular sem sinal, aeroportos, piscinas chiques, táxis, cartões, entrevistas.

Dinheiro no bolso, bolso sem dinheiro.
Felicidade pelo conhecimento transmitido.
Potencial sempre lapidando.
Certeza de sempre aprender.
...de criatividade e improvisos funcionais...
...da serra e do mar...
...do aprender e do empreender...
...do frio e do calor...
...do Yin e do Yang...
...Vida leva eu...

 

Palavras-chave: | aprendizagem | consultoria |

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COMENTÁRIOS (2)
Marly Regina Macaneiro em 29/07/2010:
Parabéns, Ricardo pela forma como você encara todas as suas "viagens". Trabalhar com pessoas é dignificante e compensador. Acredito que as "situações" encontradas ao longo desse abençoado "caminho" fortalecem nossos conhecimentos, nosso espírito, nossa alma. Também trabalho com palestras. Faço de cada viagem, de cada contato com as pessoas, por mais simples que sejam, uma oportunidade de aprendizado. Parabéns por nos brindar com sua bela história. Sucesso. Marly Regina

Bárbara Borges em 02/06/2010:
E é assim mesmo, não é? Muitas vezes, ali na hora, não temos a noção exata de tudo o que vivenciamos além da sala de treinamento. Seu texto me fez lembrar de algumas histórias especiais, também, e do quanto eu gosto desse tipo de trabalho. Que bom. Compartilhar conhecimento é muito mais que trocar informações técnicas... E quanto aprendemos nessas grandes "viagens" que fazem parte dessa nossa escolha, que é trabalhar com gente. Belo texto. Parabéns.

 
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