Por Lúcia Batista do Nascimento para o RH.com.br 
Há uma enorme expectativa sobre os resultados que o processo de Coaching propicia para vida das pessoas ou grupos que recorrem a esta forma de desenvolvimento. E quando bem conduzido, por meio de ferramentas e técnicas adequadas, cada vez mais é constatado sua eficiência.
Sabemos que este processo pode ajudar e muito na análise de problemas e na tomada de decisões; no controle de estados emocionais; trabalhar crenças limitantes; desenvolvimento de novos comportamentos, habilidades e competências.
E neste contexto muito se fala de como este processo atua sobre o Coachee (cliente/performer), o quanto pode levar o indivíduo a aumentar sua performance, sair do lugar em que se encontra e caminhar, passo a passo, em direção aos seus objetivos.
Entretanto, gostaria de abordar o quanto o exercício desta prática pode e deve afetar o Coach. Para essa reflexão podemos partir da seguinte frase de Martin Luther King, que diz: "Todos os homens estão interligados numa teia sem escape de mutualidade, entrelaçados no tecido singular do destino. O que quer que afete alguém diretamente, afeta a todos indiretamente. Não posso nunca ser o que deveria ser até você ser o que deveria ser e você não pode nunca ser o que deveria ser até que eu seja o que devo ser".
Assim, o que podemos constatar é que, de fato, para que possamos colaborar neste processo de desenvolvimento pessoal e profissional, não há outra forma senão a de promovermos transformações profundas em nossa própria "casa". Revisitarmos nossas crenças e nossos valores, verificando sinceramente como anda nossa auto-estima e motivação, nossos conhecimentos, habilidades e como está o cumprimento de nossa missão de vida.
É preciso planejamento, clareza de objetivos, mantendo o foco com disciplina e perseverança. Muita perseverança! E tem outro ingrediente muito importante nessa caminhada: Coragem! Coragem de colocar o pé na estrada... Coragem de questionar, duvidar, afirmar, agir, confirmar, refletir, atuar, criar, reafirmar. Enfim, coragem de arriscar a se envolver para desenvolver, sempre embasado e fundamentado na ética e na responsabilidade necessárias a este processo.
Tudo isso é essencial, pois é preciso coerência entre o que orientamos e praticamos, entre o que falamos e o que fazemos, instigando o indivíduo a buscar saídas saudáveis na construção de possibilidades reais para o alcance de seus sonhos. Sim, sonhos porque sonhar é preciso assim como viver é preciso, sabendo que quando estabelecemos um prazo para este nosso sonho, já estamos transformando-o em metas. E aí é só navegar, porque navegar é preciso e viver nem se fala!
Uma pessoa que tenha sido estimulada, ou se dedicado a desenvolver somente um determinado papel ou aspecto, como, por exemplo, o cognitivo, enfrenta sérias dificuldades em integrar as dimensões humanas do pensar, sentir e querer que levam ao agir. Esta pessoa tem muito conhecimento teórico, mas não consegue fazer a ponte para a prática, ou seja, não transporta todo aquele conhecimento adquirido para a ação.
É na construção desta ponte que o Coach, passando por um processo de aprendizagem profundo e maravilhoso, pode contribuir e muito para o desenvolvimento humano. E, com certeza, para isso precisa necessariamente trabalhar as várias dimensões e papéis de sua vida e a do Coachee. Um ser humano precisa crescer nos vários papéis - individual ou coletivo - e a organização articulada destes possibilita o alcance de seus objetivos como pessoa e como integrante de uma coletividade.
A consequência dessa interligação e mutualidade, com certeza, será de profissionais com capacidades e possibilidades infinitamente maiores. Para finalizar esta viagem, recorro ao trecho final do poema Mude de Clarice Lispector que diz o seguinte:
"Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!".
Palavras-chave: | coaching | aprendizagem |



