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23/08/2010
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A arte de transferir conhecimento

Por Jerônimo Mendes para o RH.com.br

Anualmente, as empresas gastam milhares de reais em treinamento na esperança de tornar os colaboradores cada vez mais ativos e comprometidos com os resultados. Em todos os níveis da organização, profissionais são encaminhados com frequência para treinamentos in company, especializações, seminários, workshops, MBA no exterior, palestras, retiros de fim-de-semana e aventuras radicais no meio de florestas. Na prática, parte dos esforços nesse sentido acaba tornando-se desperdício de dinheiro e energia vital.

De fato, existem no mercado milhares de profissionais que se dizem aptos a realizar palestras e aplicar treinamentos. A lista de nomes e temas é extensa. As promessas de milagres também. Caminhar na brasa, andar de quatro, experiência ao ar-livre, banda de música, cortinas de fumaça e regressão são algumas das centenas de técnicas oferecidas. Cada um apresenta a sua metodologia com base em livros de referência ou mesmo em sua experiência profissional.

Diante de tantas opções, as empresas acabam reféns do marketing e da mídia que vez por outra elege uma carinha bonita e esta acaba sendo fisgada para abrilhantar um evento a peso de ouro ainda que tenha o conteúdo a oferecer seja sofrível. Fui testemunha de um evento no ano passado onde alguns personagens da mídia foram escalados e mal sabiam o que falar. Foi algo ridículo. Por sorte, ganhei o convite, porém imagino a decepção de quem pagou algumas centenas de reais na tentativa de acrescentar algum conteúdo.

Na ânsia de aplacar o ânimo dos colaboradores, todas as tentativas são válidas. Entretanto, o primeiro erro que as empresas cometem é não planejar as demandas de treinamento. O segundo é tratar o treinamento como despesa e não como investimento. O terceiro é não customizar o treinamento, ou seja, não adequá-lo à sua realidade e comprar pacotes prontos.

O comprometimento das pessoas sempre será diretamente proporcional ao tratamento recebido na empresa e ao desafio proposto. Motivação é algo que vem de dentro, portanto, nada será capaz de mobilizar alguém que faz o que faz apenas para sobreviver. Imaginar que o treinamento é a única solução possível não é a melhor estratégia. É preciso mais do que isso. É necessário despertar nas pessoas o sentido de contribuição e o sentido de realização para fazer com que elas se sintam importantes, reconhecidas e valorizadas.

Nesse sentido, o papel do treinador é fundamental. Ele é quem dá o tom e identifica as diferentes necessidades dos participantes para ajustar o treinamento à realidade da empresa. Apesar de as empresas conhecerem as deficiências dos seus colaboradores, a evolução profissional é um processo de amadurecimento que passa por treinamento, autoconhecimento, experiência profissional e reconhecimento das pessoas, independentemente do cargo ocupado.

Uma fórmula eficaz para selecionar treinadores competentes e ajustar o conteúdo às necessidades do contratante contempla três pontos importantes para qualquer demanda de treinamento:

1 - Formação: titulação, domínio do assunto, conhecimento especializado, passagem por boas universidades e faculdades.

2 - Metodologia de ensino: poder da oratória, adequação da linguagem e facilidade de interagir com públicos distintos.

3 - Experiência profissional: em relação ao tema proposto, tudo flui mais fácil quando o treinador transmite aquilo que vivencia.

Por essas e outras razões, procuro customizar minhas palestras com base em experiência de mais de 30 anos em empresas de médio e grande porte e de acordo com as necessidades do cliente. Meus treinamentos são orientados para o crescimento pessoal e profissional com base em autoconhecimento. Ambos são uma mescla de técnica e de emoção. Parto sempre do pressuposto de que somente quem conhece a si mesmo e entende os seus fatores de motivação consegue proporcionar resultados mais efetivos e duradouros na vida pessoal e na vida profissional.

Quando se trata de empreendedorismo, crescimento pessoal e profissional, evolução do ser humano, chego a me emocionar com as infinitas possibilidades de despertar o potencial existente nas pessoas para transformar o ambiente ao seu redor. Acredito muito no ser humano, no resgate dos valores, na esperança de um mundo melhor, através da mudança individual e do aprendizado coletivo. Esse é o meu maior desafio como treinador.

Planejamento, dinheiro, objetivos, metas ou pressão pura e simples não são suficientes para extrair o melhor de cada profissional. O que as pessoas fazem agrega valor ao mundo? Se os profissionais não entendem a importância do seu papel na sociedade e na própria organização, nenhum treinamento poderá salvá-las. Concordo que o conhecimento técnico é importante, porém a motivação para o trabalho realizado com amor é fundamental. Pense nisso e seja feliz!

 

Palavras-chave: | aprendizagem | gestão do conhecimento |

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COMENTÁRIOS (2)
Antonia em 29/11/2011:
Maravilhoso conteúdo.

maria helena gayotto em 28/08/2010:
É extremamente desastroso o que se vê...treinamento e plano de carreira devem seguir juntos. Não há muita continuidade porque a manutenção do profissional no setor e até na empresa está vinculada na maior parte das vezes em metas que devem ser atingidas em curto prazo. Às vezes o profissional nem termina o curso e já está fora. Cursos de curta duração como Gestão de Pessoas dá vontade de chorar porque a própria empresa engessa e você acaba ficando no âmbito das microatividades/atitudes. Por isso a grande pergunta é: "Na verdade, o que a empresa espera obter/atingir com os cursos? Ela está preparada para o que vem depois? Ela está disposta também a mudar?" Não adianta mudar somente os paradigmas, crenças e atitudes dos profissionais; a empresa tem que mudar junto...

 
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