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30/11/2010
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O instrutor e a sala de aula

Por Ricardo Alexandre de Oliveira Mendonça para o RH.com.br

Sim, o título pode parecer uma redundância, afinal a sala só é de aula se lá estiver presente um instrutor que lhe dê este sentido. Por outro lado, o que é um instrutor sem sala de aula? Filosofias à parte, podemos dizer que são o comportamento, o estilo e o temperamento do instrutor os fatores essenciais da aprendizagem.

Em cada treinamento nos deparamos com turmas diferentes, com "personalidades" diferentes, necessidades e exigências também diferentes e, principalmente, formas de interação diferentes com o instrutor. Usarei aqui o termo instrutor, embora sabendo que muitos prefiram a palavra "facilitador". Particularmente, entendo a palavra "facilitador" como sendo papel de alguém que facilita algo difícil, algo como um salva-vidas na praia.. Ainda não fui convencido de seu significado... Talvez "guia", me soasse melhor.

Normalmente começo meus treinamentos com uma pequena apresentação individual, seguida de uma pequena apresentação de todos. Também gosto de conversar informalmente com os que chegam antes da hora para começar a conhecer o "clima" que me espera, e também, para cortar algum nervosismo desnecessário.

Uma vez feitas as apresentações, alinhadas as expectativas, acordados os horários, as regras e as demais formalidades necessárias, começo o treinamento propriamente dito. Mas, o que é o treinamento? Será que sempre devemos utilizar esta palavra? Não poderíamos utilizar "curso", por exemplo? De qualquer maneira utilizarei "treinamento", pois é a palavra mais usada quando instrutor e alunos, ou treinandos, se reúnem em busca de um resultado esperado pela empresa e, estes alunos ou treinandos, são os Recursos Humanos disponíveis para o alcance deste resultado.

Bom, voltemos ao treinamento e, principalmente, às questões da interação e aprendizagem. Não gosto de ficar sentado falando o tempo todo, acho cansativo e entediante para os alunos; gosto de circular pela sala e, eventualmente, sentar numa cadeira vaga em qualquer canto, onde minha voz pode projetar-se com mais intensidade em direções diferentes, dependendo de minha localização. Isto faz com que alguns pequenos grupos ou duplas que estejam desatentos, retomem a atenção imediatamente. Não gosto de dar aulas com gente conversando, não sei se alguém gosta... Claro que sei que os comentários que faço e os exemplos dados, suscitam empolgações, muitos comentários e discussões ao mesmo tempo, o que faz parte do processo.

As ferramentas de apoio como quadro negro, vídeo, projetor e jogos de simulação são importantes aliados em meu trabalho e os uso com muita disciplina. Podemos incorrer no erro de utilizá-los demais em detrimento de nossa própria exposição ou, os menos experientes, usá-los, em especial os recursos tecnológicos de ponta, como "encantadores de alunos".

Acredito que o mais importante é perceber o movimento da turma, a identidade grupal imediatamente formada após nossa aparição inicial e apresentação. Quando percebemos esta identidade inicial, podemos direcionar nosso estilo de acordo com o público à nossa frente. Devo dizer que todo grupo tem vários momentos, num mesmo dia de poucas horas de treinamento e várias fases de interação ao longo de todo o treinamento - assunto para um próximo artigo.

Tenho como referências de filosofia educacional e aprendizagem, as teorias de vários mestres, dentre eles Vasco Moretto, Paulo Freire, Anízio Teixeira, Vigotsky, Gardner, Krishnamurti, Maud Mannoni e muitos outros. Ao longo dos estudos, das leituras sempre constantes e das interações com turmas, construo meu próprio estilo de relacionamento com os alunos e até comigo mesmo!

Atualmente, uso como referência teórica e vivencial os conceitos do "aprender a aprender". "aprender a conviver", "aprender a conhecer" e "aprender a fazer", de Jaques Delors e preconizados pela UNESCO como os 4 Pilares da Educação. Não vou aqui dissertar sobre cada um deles e todas as informações estão na internet, sob o nome "4 Pilares da Educação".

Na prática de instrutor de treinamentos e, resumindo, os vivencio da seguinte maneira em sala de aula:

- Passo as informações e conteúdo necessários.
- Elaboro vivências para os alunos explorarem o tema.
- Mostro exemplos externos com filmes, leituras e eventualmente depoimentos de convidados.
- Pergunto constantemente.
- Estimulo a realização das práticas durante seu acontecimento.
- Faço piadas pertinentes e engraçadas, mas sem exageros.
- Dou exemplos práticos, reais e cotidianos.
- Apresento exemplos práticos, reais e desafio os presentes a pensarem em outros parecidos e como seria sua materialização.
- Parabenizo sempre por todas as participações, ideias, debates, discussões, soluções ou ainda, falta de soluções.
- Percebo sempre o comportamento de cada aluno em sala de aula e nunca obrigo o tímido a falar, pois seria uma violência desnecessária e, com que finalidade? Ele pode ser tímido, mas estar fazendo uma revolução pessoal e profissional em silêncio com o que aprende!
- Percebo sempre o comportamento de cada aluno em sala de aula e nunca estimulo o "muito falante" a suprir o silêncio de outros, seria uma incompetência minha, além de utilizá-lo para supri-la.
- Processo todas as tarefas teóricas e as práticas da melhor maneira possível, entendendo que a melhor maneira, diz respeito à minha percepção da situação e que posso falhar em algum momento.
- Deixo canais de comunicação sempre abertos para os treinandos e os gestores tirarem dúvidas que eventualmente ficarem depois do curso, seja por e-mail, telefone e outras mídias. O treinamento (ou curso) acabou, mas dúvidas podem persistir ou novas perspectivas apresentarem-se, após uma reflexão mais calma de cada um em casa.

Não planejei um número exato de itens para explicar como vivencio o conceito apresentado e fico por aqui agora. Devo dizer que um caleidoscópio de emoções, pensamentos, improvisações, certezas e dúvidas sempre se fazem presentes e, os resultados, são em 99% das vezes muito satisfatórios para todos nós. Devo dizer também que o suporte para um treinamento de sucesso é a flexibilidade, humildade, firmeza, humor, integração, percepção de sutilezas comportamentais de cada participante, muita vontade de acertar e de ver os olhos brilhando, naqueles que descobrem novas possibilidades pessoais e profissionais.

 

Palavras-chave: | crescimento profissional | aprendizagem | facilitador |

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COMENTÁRIOS (1)
JORGE BEZERRA DE VASCONCELLOS em 30/03/2011:
Primeiramente, parabenizo o autor e a equipe do site pela brilhante matéria. O fazer do instrutor, principalmente no setor de transporte coletivo de passageiros, tem uma particularidade no que se refere a retenção dos conteúdos. Treinamos pessoas que normalmente acabaram de chegar de uma jornada de até 8:00 horas de trabalho, e outros que iniciarão tal jornada, logo após o treinamento. Deste modo, não temos como garantir um bom aproveitamento dos participantes, por esta e outras razões a figura do bom instrutor de treinamentos faz toda diferença, na prática deste tipo de andragogia empresarial. É necessário muito planejamento para obter sucesso, pois neste ramo de transporte é muito importante o atingimento de todas as metas propostas, cuja participação do profissional motorista, é de suma importância para o desenvolvimento da organização.

 
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