Wladimir Benegas Formado em engenharia elétrica pela FEI, com especialização em Marketing pela FGV. Tem mais de 20 anos de atuação nas áreas de vendas e marketing, em posições de direção em companhias nacionais e internacionais do segmento eletrônico, serviços e informática. Entre os cargos exercidos, foi diretor de vendas e marketing da AMD South American, da Samsung Eletrônica da Amazônia e da Digitron.
Se tomarmos como base toda a história do desenvolvimento humano, o que dita o crescimento da sociedade, principalmente na era em que vivemos, é a tecnologia. Nesse caso, não tratamos apenas dos avanços cada vez mais high techs. Assim como os primórdios, como no domínio do fogo e da roda que foram descobrimentos, os princípios da tecnologia foram fundamentais para a evolução da raça.
Dessa forma é correto afirmar que a tecnologia move a cidadania, que é um termômetro para a evolução da sociedade. E, quando trazemos esse avanço para a educação - outro fator crucial para o desenvolvimento humano -, esbarramos em diversos pontos um tanto quanto retrógrados.
A internet pode ser considerada uma grande biblioteca pública, onde em alguns cliques podem-se fazer pesquisas aprofundadas sobre variados assuntos, sem levar aquela eternidade de tempo de ir até ao local físico, procurar os livros certos, o tema, a página correta e mais uma série de trâmites. Claro, entre milhões de informações que circulam na internet, sempre há aquelas infundadas e errôneas. Há que se ter um discernimento para efetuar a pesquisa e o embasamento, mas nada que passe a imagem de insegurança e fonte não válida de pesquisa, como muitos educadores ainda pregam.
Então, levantamos um ponto. Se nosso cotidiano é tão avançado, inclusive, com essa imensa biblioteca virtual estando presente na palma da mão da sociedade, através de smartphones e tablets, ou até mesmo de notebooks, PCs, televisores e onde mais se acompanhar, como podemos limitar uma geração a usufruir essas facilidades, que assim como o fogo e a roda nos primórdios vieram para auxiliar nosso desenvolvimento?
Nosso ponto de embate é claro: nossos educadores precisam estar mais a par das novas tecnologias, usá-las a favor e não temê-las. É necessário tomar conhecimento desses avanços. Alunos, jovens de oito, dez, quinze anos já estão mais do que acostumados a mexer nesses aparelhos, dominam, de forma intuitiva e não especializada, mas são detentores dessas tecnologias. Tudo o que eles querem é poder desfrutá-las também no ambiente escolar. No entanto, o temor que existe entre os professores de estarem atrás dos alunos no domínio desses benfeitores aparelhos, faz com que sejam prontamente descartados.
Assim, é preciso que haja incentivos aos educadores, movimentos que passem pelo Estado, pelas escolas ou até mesmo pelo próprio professor. A tecnologia está à disposição. É necessário usá-la, mas também é preciso estar disposto a entendê-la, ir de encontro a esses novos conhecimentos.
Com isso, o mercado já se movimenta e algumas empresas veem essa disparidade atual entre educação e tecnologia, e se preocupam em agregar valor aos aparelhos. Ao embarcar conteúdo nessas novas tecnologias, elas levam ao professor uma certeza maior de que ali há informações embasadas, que possuam seus devidos créditos e certificações teóricas. Não apenas uma série de informações em um portal da internet. Tudo de forma mais clara, para que o professor possa passar o conteúdo, levando a dinâmica tecnológica para a sala de aula.
Ou seja, educação e tecnologia são alicerces para uma sociedade evoluída e avançada. A tecnologia é um meio de guiar e desenvolver a educação, um modo de facilitar o acesso à informação e incluir o país em um contexto mais social. Para o desenvolvimento em bons níveis de cidadania é necessária uma sincronia entre ambas. As ferramentas estão todas aí, a tecnologia não pára, agora é preciso alavancar a educação por uma sociedade melhor.
Antonio Garcia Dias em 06/10/2011: Prezado Wladimir Benegas, em homenagem à interessante contribuição do seu escrito para a valorização dos meios tecnológicos em sala de aula, gostaria de comentar o que segue:
Obviamente é inegável a importância da tecnologia no desenvolvimento ou evolução das sociedades humanas. Sempre foi. O incremento da aceleração desse desenvolvimento é robusto, principalmente hoje. Do mesmo modo, creio que ninguém teria coragem de obstar o uso da tecnologia na seara educacional. Ao contrário, todos nós queremos o enriquecimento do ferramental didático-pedagógico também nas salas de aula, qualquer que seja o número dos alunos. A tecnologia se presta como nunca a tais propósitos.
No entanto, há que se distinguir a coisa do modo de seu uso, ou seja: uma é a versátil e necessária presença dos instrumentos tecnológicos na educação, e outra é a maneira de se utilizarem esses enriquecedores meios.
Em sala de aula, a dinâmica da interação entre professores e respectivos alunos é o ponto de partida para que estes internalizem o conhecimento e a reflexão. Nessa fase primeira de inserção dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, sua atenção, seu acompanhamento, a certeza de sua compreensão põem-se fundamentais para o sucesso dos resultados esperados. Aqui, os pioneiros doutrinadores dessa área (Platão, Descartes, Piaget, Kant, Wallon, Vigotsky, e tantos outros) sentiriam inveja de todos nós por dispormos de tamanho recurso. Mas nenhum deles, por certo, defenderia sua mera presença ou sua utilização de modo inadequado. Eles e nós, com certeza, concordaríamos em que, na sala de aula, celulares e computadores, sob quaisquer formatos hoje corporificados nos conhecidos tablets, tanto podem alavancar a elevação dos níveis quali-quantitativos daquele processo de ensino-aprendizagem, quanto também se prestam ao seu desvirtuamento. Claro, em vista da compreensão dos alunos durante a aula, todos sabemos da perniciosidade das suas distrações. E não importam quais sejam os objetos da distração: um ruído externo, um olhar da possível namorada colega de sala, uma lembrança da jogada do Neymar (aprendeu a jogar futebol no famoso Santos Futebol Clube, não é mesmo??), uma mensagem que acaba de chegar pelo celular, ou a navegação por páginas da internet alheias ao tema da aula. Será sempre uma distração produtora dos prejuízos mencionados.
Assim, se por uma vertente atribuímos tanta importância àqueles meios, também abominamos o estrago que produzem, se mal operados.
Ora, por certo você não pretendeu defender a utilização cega daqueles meios tecnológicos, mas quis apontar sua importância como recurso a ser de fato inserido inteligentemente no contexto da educação. Há, pois, que se diferenciarem também medo de um novo meio tecnológico com a rejeição dos subprodutos resultantes de sua irresponsável utilização.
Meus cumprimentos.
Prof. Antonio Garcia Dias.
Maria do Carmo Lima em 05/09/2011: Olá. Considero que você tem toda razão. Porém, num universo de 70 alunos por sala, com acesso à internet, muitas vezes desviam do foco da aula e "navegam" em sites não relacionados com o que está sendo discutido. Como lidar com isso?
Joelma Medeiros em 05/09/2011: Olá, Wladimir. Parabéns pelo artigo e como você mencionou a necessidade dos professores utilizarem a tecnologia à favor da aprendizagem. Estou concluindo o curso de Pedagogia e o tema do meu TCC será com base nestas questões: vantagens e desvantagens do uso da tecnologia na escola.
Fiquei feliz por saber que não estou sozinha nesta "onda". Obrigada!
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