Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 

RH.COM.BR - Quais as expectativas para o e-learning no mundo?
Francisco Soeltl - Os números que vem sendo divulgados pelas pesquisas, a respeito do tamanho do mercado mundial, indicam um crescimento superior a 100% ao ano, no período de 1999 a 2004. Estima-se que em 2004 o mercado norte-americano, por exemplo, deve representar dois terços da receita do mercado corporativo mundial de e-learning. As pesquisas indicam ainda que a Europa, por outro lado, deve apresentar o crescimento mais rápido no setor, com taxa anual de 97% de 1999 a 2004, enquanto a taxa mundial, deve ser de 69% ao ano no mesmo período.Tudo indica que os europeus estão realmente aderindo ao e-learning, com os investimentos alcançando US$ 4 bilhões, em 2004. Tudo isso graças à necessidade de fornecer ensino em larga escala para uma força de trabalho dispersa geograficamente a um custo mais baixo. Até o final do período previsto, mais de 50% dos cursos disponibilizados pelo e-learning devem ser para capacitação no uso da Tecnologia da Informação, e os demais 50% restantes devem ser composto de cursos como vendas, marketing e habilidades de liderança. Inglaterra, Holanda e Suécia são os mercados mais fortes.
RH - Que fatores estão sendo apontados como os responsáveis pelo crescimento do e-learning?
Soeltl - Os dois principais indicadores que têm impulsionado este crescimento são: o aumento do uso da Internet, com conexões mais estáveis e rápidas, e a diminuição dos custos das telecomunicações. Outro fator que deve contribuir para este crescimento, é o aumento dos investimentos com desenvolvimento de pessoal nas empresas, pois só nos Estados Unidos, estes investimentos passaram dos US$ 43 bilhões, em 1991, para US$ 60 bilhões, em 2001. Para as empresas o e-learning vem sendo considerado a solução “mais engenhosa” que já surgiu, para otimizar estes investimentos com o treinamento de pessoal, ou seja, surgiu para fazer crescer a disponibilidade de treinamento, sem necessariamente aumentar na mesma proporção os seus investimentos nesta atividade.
RH - E o e-learning no Brasil, o que podemos esperar que aconteça médio e longo prazos?
Soeltl - O IDC do Brasil, conduziu uma pesquisa com as mais de 60 empresas fornecedoras que atuavam no setor no segundo trimestre de 2001, e concluiu que o mercado brasileiro deveria movimentar US$ 20 milhões em 2001, ou seja, quatro vezes mais que os US$ 5,5 investidos em 2000, e estimou que o mercado brasileiro atingiria US$ 42 milhões em 2002. As 17 empresas finalistas do Prêmio e-learning Brasil ABRH 2000, declaram ter investido mais de R$ 130 milhões em seus programas nos últimos 3 anos, o que confirma os números do IDC. A partir da nossa experiência com o e-learning acompanhando, desde 1999, os movimentos do mercado mundial, através da participação em diversos congressos tanto nos Estados Unidos como na Europa, podemos descrever a evolução do mercado brasileiro anualmente da seguinte forma:1999 foi o ano do Descobrimento, ou seja, os profissionais e respectivas empresas tiveram seus primeiros contatos com o assunto, principalmente os colaboradores das empresas multinacionais com suas filiais instaladas no Brasil; 2000 foi o ano do Conhecimento, quando as empresas realmente começaram a entender o significado e benefícios do e-learning. Os 8 encontros mensais organizados pela MicroPower, juntamente com a Fundação Bradesco, provocaram aumentos significativos no interesse pelo assunto: de 4 empresas e 8 profissionais em março, para 54 empresas e 256 profissionais em outubro; 2001 foi o ano do Projeto, pois as empresas definiram a estratégia de implementação, estimaram benefícios e os custos, e muitas tiveram seus projetos aprovados para o ano seguinte. De toda forma, terminamos o ano com mais de 100 empresas tendo iniciado a implantação de seus projetos de e-learning. No momento, 2002 está se caracterizando como o ano da Implantação, quando deveremos ter pelo menos 12 grandes projetos implementados, entre eles Banco Itaú e General Motors.
RH - O e-learning enfrenta algum tipo de barreira para se consolidar no País?
Soeltl - As principais barreiras que apontaria são: a falta de vínculo com a "Agenda do CEO", as prioridades competitivas e o foco excessivo nas "necessidades internas", como a diminuição de duração de treinamentos, a rotatividade de funcionários, novas contratações; a visualização da vantagem de custo como o principal fator motivador e o fracasso em demonstrar o retorno para o negócio; as barreiras da cultura organizacional, a acomodação às formas tradicionais de capacitação e a falta de patrocínio dessa iniciativa pela gerência e finalmente, a falta de conhecimento de muitos executivos, em relação às novas tecnologias existentes, suas possibilidades e a eventual complementaridade com as formas tradicionais de gerenciar a aprendizagem corporativa.
RH - O e-learning está influenciando a competitividade do mercado nacional?
Soeltl - Sem dúvida. As pessoas que administram as empresas têm apresentado um aumento significativo no interesse pelo e-learning, e este aumento reflete exatamente a conscientização dos profissionais, do quanto e-learning pode contribuir de fato com uma melhoria dos resultados das empresas que capacitam melhor seus colaboradores. O aumento da produtividade é um resultado imediato obtido com a implantação do e-learning, pois os colaboradores acessam o conhecimento no momento que necessitam aplicar o mesmo para realizar uma determinada tarefa. Isto é que faz a diferença em relação a um curso feito na forma tradicional, que depois de um certo tempo a pessoa lembra muito vagamente, de ter lido algo a respeito.
RH - Quais os benefícios que o e-learning traz para as organizações e para os colaboradores?
Soeltl - Os principais benefícios são: novas oportunidades de negócio, agilização no lançamento de novos produtos, melhoria na utilização de produtos já lançados, aumento das vendas, estímulo ao auto-desenvolvimento, retenção de talentos, aumento na oferta de cursos sem o aumento proporcional nos investimentos nos mesmos, democratização do conhecimento, otimização de custos na implantação de novos sistemas (CRM, ERP).
RH - Que tipo de perfil a organização deve ter para adotar o e-learning?
Soeltl - Todo tipo de organização, pois todas precisam capacitar melhor seus colaboradores para se tornarem mais competitivas, e o e-learning é a forma mais eficaz para disponibilizar o conhecimento. Outro fator de sucesso que diferencia as organizações é postura pró-ativa de seus colaboradores, seja para atender melhor os clientes, seja na busca de conhecimento, pois todos nós sabemos que e o aprendizado deixou de ser um evento para ser um processo contínuo. Convém observar que o e-learning não vai substituir as formas tradicionais de aprendizado como cursos ou conferências, mas sim vai potencializar e disponibilizar o conhecimento para um número maior de interessados, no momento que em elas estiverem precisando deste conhecimento, para executar uma determinada tarefa por exemplo. O e-learning vai com certeza aumentar a oferta de conhecimento sem aumentar na mesma proporção os custos correspondentes, ou seja, com o e-learning estaremos democratizando o conhecimento tanto nas organizações como para outras comunidades.
Palavras-chave: | e-learning |
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