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28/04/2008
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Ser estratégico é usar a inteligência?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não há mais dúvida alguma que o fenômeno da Globalização trouxe profundas transformações ao meio organizacional e exerce influência constante nas vidas das pessoas que lidam com o dia-a-dia corporativo. Hoje, as organizações não vivem apenas com o pensamento voltado para o presente, mas fazem projeções para o futuro, imaginam o que está por acontecer. Claro que isso não significa ter premunições, mas sim contar com uma visão crítica e consciente do meio em que se está inserido. Mas, como transformar uma projeção do futuro em algo concreto, que agregue valor ao negócio e interfere na performance dos profissionais?
Para Clemente Nobrega, especialista em estratégia organizacional, e autor do best-seller "Em busca da Empresa Quântica”, lançado pela Editora Ediouro, ao se considerar a organização como um organismo vivo, que funciona com projeções do presente para o futuro, a sobrevivência das empresas está diretamente relacionada ao desenvolvimento da inteligência. Para isso, é indispensável a presença de um método de planejamento que programe algo para o “amanhã” a partir de ações e decisões que se tomam no presente. “Nas empresas que aplicam a Gestão da Inteligência, por exemplo, o aspecto central é a liderança de topo estar sempre engajada ao processo. É, essencialmente, uma questão de atitude dos líderes de topo”, afirma. Em entrevista concedida ao RH.com.br, ele fala como a Gestão da Inteligência contribui para que as organizações cheguem à sonhada vantagem competitiva. Clemente Nobrega será um dos conferencistas do ESARH (Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos), que acontecerá no período de 20 a 23 de maio próximo, em Gramado/RS. Na ocasião, ele participará, juntamente com Ricardo Perret (México), da conferência de encerramento - Gestão da Inteligência em Tempos de Transformação. Boa leitura!

RH.COM.BR - O que caracteriza a Gestão da Inteligência?
Clemente Nobrega - A inteligência é um recurso para se atingir alguma coisa e essa coisa, por sua vez, é a vantagem competitiva da empresa que resulta na melhoria de performance, no atingimento de alguma meta estratégica. Isso é feito a partir da estratégia da empresa. Dessa forma, podemos definir a Gestão da Inteligência como sendo a mobilização das competências da organização para chegar à vantagem competitiva, à alta performance no mercado. Contudo, é fundamental destacar que, para que isso possa ser feito é necessário que os líderes da empresa tenham um entendimento muito claro de sua cultura. Só a partir desse entendimento consegue-se estabelecer a abordagem adequada através de ferramentas apropriadas.

RH - Aplicar a Gestão da Inteligência é uma "tarefa" para poucos?
Clemente Nobrega -Sim, porque a estratégia, consideremos aqui as diretrizes estratégicas, por definição é para poucos. É uma tarefa para ser aplicada pela liderança de topo. Os gestores “de linha” têm que ter as métricas e as metas mais concretas que, ao serem consideradas em conjunto, levem à melhoria da performance da empresa. Normalmente, eles não têm nem precisam ter ações diretamente “de inteligência”, mas necessitam contar com ações que tirem partido dessa inteligência e produzam resultados mensuráveis para as organizações.

RH - Quem está mais indicado para implantar a Gestão a Inteligência é realmente a liderança de topo?
Clemente Nobrega -Pelas razões que já expus a Gestão da Inteligência têm que ser aplicada pelos líderes de topo, ou seja, as instâncias maias altas da organização. A Gestão da Inteligência implica em uma série de abstrações que não se transformam em princípios para ação concreta se não forem especificados pelas lideranças de topo, mais ou menos como Jack Welch fez pessoalmente na General Electric.

RH - Em que momento a empresa está preparada para adotar a Gestão da Inteligência?
Clemente Nobrega -A empresa está preparada para adotar a Gestão da Inteligência quando as circunstâncias em que compete exigirem isso. Se não, vai se falar muito em Gestão da Inteligência, mas não será prioridade e nada acontecerá.

RH - A Gestão da Inteligência já é uma realidade entre as empresas brasileiras ou ainda existe um longo caminho a ser percorrido?
Clemente Nobrega -Depende do setor de negócios em que a empresa atua e das circunstâncias em que a organização encontra-se no momento. A maioria das empresas brasileiras de certo porte ainda não se sente motivada a adotar essa abordagem de forma intensa. Podemos dizer que vivenciamos uma fase mais preliminar, digamos, em que se percebe que o tema tende a ser cada vez mais relevante. Contudo, a Gestão da Inteligência ainda não é parte das preocupações do dia-a-dia.

RH - Quais os benefícios que a Gestão da Inteligência gera a uma organização?
Clemente Nobrega -Novamente, afirmo que depende do setor em que a organização atua. Mas se você compete globalmente é quase impossível não dar ênfase crescente a mecanismos de gestão que tirem partido da informação captada e processada de forma cada vez mais ágil. A Gestão da Inteligência é focada exatamente nessa questão.

RH - Que conseqüências uma Gestão da Inteligência mal estruturada pode proporcionar a uma empresa?
Clemente Nobrega -Vou ser bem objetivo. A conseqüência da Gestão da Inteligência mal estruturada é uma só: cai em descrédito porque ninguém vê nada de útil associado à sua existência.

RH - Já que falamos sobre a possibilidade de uma Gestão da Inteligência mal estruturada, quais os principais erros que as empresas cometem ao adorem essa linha de trabalho?
Clemente Nobrega -Diria que o principal é adotar a Gestão da Inteligência apenas por modismo, sem que exista o real entendimento e o comprometimento adequado de como se traduziria a GI naquela empresa específica. Não devemos esquecer de que a Gestão da inteligência significa apresentar coisas diferentes para empresas em circunstâncias diferentes.

RH - Que recado ou conselho o Sr. pode dar aos profissionais de RH que pretendem implantar a Gestão da Inteligência?
Clemente Nobrega -Que os profissionais de Recursos Humanos adotem ferramentas e abordagens concretas especificadas para as circunstâncias em que a empresa encontra-se. Está na hora de sairmos do genérico e do abstrato para partirmos para o que é realmente mensurável.

Serviço:
ESARH – Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos
De 20 a 23 de Maio de 2008
Clique aqui para mais informações: www.esarh.com.br

Palavras-chave: | Clemente Nóbrega | gestão da inteligência | competitividade | estratégia organizacional |

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