O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Em breve as inscrições para o 6º ConviRH estarão abertas.
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »
13/10/2009
RH » Desenvolvimento » Entrevista Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Uma imagem realista do que ocorre nas empresas

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não importa o segmento, o porte ou mesmo a origem da empresa - toda ela, cedo ou tarde, vai deparar-se com problemas que envolverão clientes internos e externos. Para dar um formato "palpável" a essa afirmação, basta apenas que seja observada a grande pressão que as companhias sofrem para se manterem competitivas e inovadoras no mercado. No cotidiano, por exemplo, são evidenciados conflitos entre os colaboradores que podem ter sua origem relacionada ao mais variados fatores como, por exemplo: falta de diretrizes que norteiem os profissionais para o alcance de uma melhor performance ou mesmo a interferência de um gestor que não está preparado para conduzir o "leme" da sua equipe.

Mas, como e onde encontrar as raízes desses problemas? De acordo com Cecilio Regojo, consultor empresarial, a identificação da matriz desses entraves corporativos pode ser localizada através das Constelações Organizacionais (CO) - uma metodologia que traça a imagem da situação atual da empresa, oferece uma possível solução e aponta os caminhos que devem ser trilhados para tirar a empresa de um estado de crise. Com uma experiência empresarial de mais de 38 anos, Regojo formou-se em Constelações Organizacionais com os maiores especialistas no assunto: Bert Hellinger, Gunthard Weber, Jan Jacob Stam, Matthias Varga von Kibéd, Insa Sparrer, Jane Peterson, Jakob & Sieglinde Schneider, Albrecht Mahr, Judith Hemming, Christine Essen, Guni-Leila Baxa, Michael Blumenstein, Dagmar Ingwersen, Johannes Benedikt Schmidt, Georg Senoner, Lorenz Wiest, Franz Ruppert e Stephan Hausner.

Em entrevista concedida ao RH.com.br, o consultor português que faz uma síntese sobre a utilização dessa metodologia, seus objetivos e em que situações deve ser utilizada. Vale ressaltar que Regojo já conduziu trabalhos tanto na Europa quanto na América Latina, o que permite que ele tenha uma visão ampla de variadas realidades organizacionais. Conheça um pouco mais sobre essa metodologia, lendo a entrevista na íntegra. Aproveite a leitura!

RH.COM.BR - Qual o conceito de Constelações Organizacionais?
Cecílio Regojo - As Constelações Organizacionais nada mais são do que uma metodologia para análise, diagnóstico e resolução de problemas das empresas e dos indivíduos enquanto profissionais. A abordagem dos problemas ou temas empresariais e profissionais faz-se através da representação tridimensional do tema. Por pequenos passos e intervenções do facilitador, por exemplo, o cliente fica com uma ideia do seu problema no estado actual e visualiza uma solução ou os vários caminhos para uma eventual solução. Tudo é feito de uma forma fluida e intuitiva, em que o cliente integra as soluções encontradas, sendo um processo muito rápido e eficaz. De uma forma resumida, gosto de dizer que o cliente tem acesso a "informação que já sabe, mas não sabe que sabe".

RH - Qual a origem e os principais objetivos dessa metodologia?
Cecílio Regojo - Esta metodologia surgiu a aproximadamente 25 anos na Alemanha, através do filósofo alemão Bert Hellinger. Apareceu inicialmente na área terapêutica através das Constelações Familiares. Na realidade, a primeira experiência numa empresa foi realizada pelo Bert Hellinger e Gunthard Weber. Foi através deste último que as Constelações Organizacionais se desenvolveram e começaram as aplicações nas empresas. O seu desenvolvimento e o seu crescimento foram exponenciais nos últimos seis ou sete anos através de vários especialistas que têm dado uma visão mais abrangente da metodologia, introduzindo inovações, novas ideais e ferramentas muito úteis.

RH - Quais os benefícios que essa metodologia oferece em relação a outros recursos usados no ambiente corporativo?
Cecílio Regojo - Esta metodologia baseia-se no pensamento sistêmico, pelo que os problemas são abordados de uma forma global e focalizados no sistema ou nos sistemas em que o indivíduo se insere. Mas é importante referir que não há soluções milagrosas. Esta metodologia é muito eficaz e rápida, mas o cliente deve sempre escolher livremente a metodologia que faz mais sentido para ele. Não se poderá dizer que esta metodologia substitui outras, mas sim que é complementar a outras formas de consultoria, apoio, diagnóstico e análises de soluções e alternativas. A solução está sempre no cliente e será sempre o cliente que sabe, decide qual é a metodologia que melhor se aplica à sua questão, ao seu problema, à sua empresa ou ao seu contexto. Esta metodologia, como qualquer outra, só poderá ajudar, nunca solucionar ou resolver.

RH - Como as Constelações Organizacionais funcionam na prática?
Cecílio Regojo - Através de uma constelação representa-se o sistema da empresa ou organização, para que se consiga trazer à luz toda a informação sobre as questões sistêmicas. Isto pode ser feito com pessoas ou objetos. Utilizando esta informação, aconselha-se sobre eventuais soluções que possam restaurar o equilíbrio e a harmonia do sistema. Este método é rápido e se processa em fases, desde o diagnóstico à resolução. Não é necessário fornecer informação pormenorizada sobre a organização, pelo que a confidencialidade é garantida.

RH - Quais os principais fatores corporativos que as Constelações Organizacionais trabalham?
Cecílio Regojo - A utilização prática das Constelações Organizacionais nas empresas é muito variada, como sejam: definição de uma estratégia ou diagnóstico do funcionamento de uma empresa; preparação de negociações; integração após fusão ou aquisição de empresas; gestão de projetos; lançamentos de marcas e produtos; empresas familiares; gestão de conflitos; processos de decisão; recrutamento e seleção; supervisão de consultores ou vendedores; team building, gestão do talento; equilíbrio entre vida pessoal e profissional; testar mudanças e alterações, entre outras situações.

RH - Em que momento da empresa é indicado a utilização das Constelações Organizacionais?
Cecílio Regojo - Esta metodologia é transversal, trabalhando-se com a informação que o cliente possui a nível consciente, inconsciente ou cognitivo. Assim, é possível trabalhar vários níveis e em vários estágios do processo. O nosso trabalho é de facilitadores de um processo, para que o cliente tenha acesso a mais informação e tenha a possibilidade de ver a mesma realidade com outros olhos, de forma a poder decidir melhor e mais consciente de todas as consequências.

RH - Quem está apto para conduzir a aplicação desse processo corporativo?
Cecílio Regojo - Terão de ser profissionais competentes, com uma formação específica nesta área. Além disso, é necessário bastante tempo de prática com casos concretos para poder produzir um trabalho de alta qualidade.

RH - Qual participação efetiva a área de RH nesse contexto?
Cecílio Regojo - Poderei dizer que a área de Recursos Humanos também deverá funcionar como facilitadora, pondo à disposição dos outros departamentos uma ferramenta tão eficaz. Além disso, também pode ser utilizada internamente para organização, recrutamento, seleção e outros temas.

RH - Existe algum tipo de restrição à aplicação das CO?
Cecílio Regojo - Não há propriamente restrições de aplicação, pelas características de transversabilidade desta ferramenta. Mas, é importante que se analisem as vantagens e os inconvenientes de utilizar uma ou outra metodologia. Penso que a principal preocupação, na aplicação desta ou outra metodologia deve ser a escolha criteriosa do profissional que a vai aplicar.

RH - As Constelações Organizacionais encontram-se bem disseminadas na Europa?
Cecílio Regojo - O país em que estão mais desenvolvidas as Constelações Organizacionais é na Holanda, onde as empresas a utilizam frequentemente, bem como o governo, organismos públicos e as forças armadas. Encontra-se em funcionamento na maior parte dos países europeus, começando a entrar nas empresas, com a dificuldade natural de introdução de um novo paradigma na gestão das empresas. As potencialidades desta ferramenta são enormes e pensamos que irá alterar o modo de pensar das empresas, dos seus gestores e funcionários, tornando mais natural, a vida nas organizações.

RH - Na América Latina, a utilização das Constelações Organizacionais será uma forte tendência?
Cecílio Regojo - Penso que sim, pelo espírito mais aberto que estes povos têm a novas metodologias. Penso que o desenvolvimento vai ser exponencial nesta área. A Europa ainda está muito condicionada pelo pensamento racional e na necessidade de explicações "cientificas" para tudo. Pelas suas características, na América Latina, as pessoas estão mais preparadas para pensar no fenômeno que acontece e no que sentem. Verificam que se funciona e funciona bem, já não é necessário mais nada. Tenho verificado bem isso, através do trabalho que tenho desenvolvido em vários países da América do Sul como, por exemplo, México, Venezuela, República Dominicana, Costa Rica e até mesmo o Brasil.

Palavras-chave: | Cecílio Regojo | estratégia |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (1)
Regina Celia Scheer em 15/10/2009:
Cecílio Regojo, que prazer ver a sua reportagem no site da RH. Acho que o trabalho com Constelações Organizacionais é eficaz. Concordo com você que em paises, onde a intuição e a emoção são consideradas nas decisões, o uso das Constelações Organizacionais pode ser percebido, mais rapidamente, como uma ferramenta complementar para entender os processos e relações com nossos clientes internos e externos.

 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

Programa de Autodesenvolvimento

Seminários RH.com.br



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.